Wilalba F. Souza
08/06/16
Há um, ou dois anos, em São Paulo, Marcelo
Pesseghini, um garoto com doze, treze anos de idade, assassinou toda sua
família utilizando uma pistola poderosíssima, de uso exclusivo da polícia.
Depois de executar o pai e a mãe, além de sua avó e uma tia, foi para a escola
e, no regresso para casa, pôs fim à própria vida com a arma do genitor,
sargento da Polícia Militar. Durante muitos dias a imprensa noticiou o
lamentável acontecimento, sem explicações plausíveis e, por mais que se
tentasse isentar o “suspeito”, concluiu-se que o crime foi de autoria da
criança. Tem gente que, até hoje, não acredita ter sido, a tragédia, planejada
e executada pelo menino. Aliás, em certo momento, as suspeitas recaíram sobre o
seu pai.
Há poucos dias dois menores, da mesma
faixa etária, invadiram um condomínio, no Rio de Janeiro, saltando os muros, e
saíram do prédio em um veículo por eles encontrado aberto e com as chaves no
painel. Se me perguntarem como uma criança de origem humilde, aos dez anos,
consegue manobrar, em situação de dificuldade, na garagem de edifício, um
automóvel, fico sem condições de responder. Da mesma maneira é inacreditável ter
um pequenino conseguido manusear uma arma complexa, como a tal de pistola,
cheia de mecanismos de segurança, pesada e desenvolvida para uso de adultos
preparados.
Bem, e já voltando aos meninos e ao
carro, evidentemente que sem formação, seu “motorista” fez manobras com
insegurança, o que foi percebido por PM(s) de uma patrulha motorizada.
Iniciou-se a perseguição e os policiais teriam sido recebidos a tiros. Seria
possível? E revidaram, tendo o automóvel abalroado outro pelo caminho e parado!
O mini-condutor estava de posse do revólver e o utilizou em reação à
aproximação dos policiais militares. Feita a abordagem, constatou-se que o
garoto armado e ao volante morrera ao ser atingido por um tiro na cabeça. O
outro, saíra ileso. Olha aí o problemão... para os agentes da lei. Sem entrar
em muitos detalhes, o que se pode adiantar é que os PM(s) imediatamente foram
afastados do serviço. Estão autuados em flagrante e processados por homicídio,
etc, etc, suscitadas todas as dúvidas sobre
suas atuações, ainda mais agravadas pela morte da criança!
Semana passada, em Barbacena, um
sargento, fardado, estava abastecendo seu automóvel em um posto de gasolina
quando percebeu que dois indivíduos chegaram numa motocicleta. Um deles desceu
e adentrou à sala de administração e, literalmente, “cutucou”, com o cano de
sua arma, a costela do funcionário, anunciando o assalto. Imediatamente o PM
desceu do seu carro e “enquadrou” o motoqueiro do lado de fora, dando-lhe voz
de prisão. O marginal, autor de uma série de assaltos pela cidade, nem piscou!
Sacou sua arma e mandou bala! Dois projeteis se alojaram na lataria do veículo.
Só então o PM disparou, acertando dois tiros no bandido, que caiu e foi
imobilizado. Antes disto, o mesmo PM atirou no assaltante que abordava o
funcionário, tendo o projétil quebrado o vidro, fazendo com que o “gatuno”
fugisse feito rato assustado. Ao tentar apossar-se de uma motocicleta, foi
agarrado por populares que lhe deram uma surra. O sargento ainda evitou que ele
fosse linchado. Serviço perfeito. Sem mortes, frustrando o assalto e retirando
de circulação dois perigosos bandidos que “tocavam terror” em comerciantes e na
população.
Tudo certo? Não! O PM, depois de um
trabalhão danado para lavrar a ocorrência na Delegacia, foi levado para o
quartel, sendo autuado em flagrante delito, sei lá se por lesões corporais ou
coisa mais grave, terminando por pernoitar, na realidade preso, até que o juiz concordasse
em libera-lo, mediante mil e uma explicações, no dia seguinte. É! Em relação
aos nossos agentes da lei, a coisa toda funciona assim. Fico imaginando se o
companheiro detido, após um trabalho limpo e exemplar, tivesse algum
compromisso naquela noite, como por exemplo, o casamento de uma filha, uma
festinha de seu aniversário com a família, ou uma viagem de férias
pré-agendada! Certamente que este tipo de tratamento aos nossos policiais, de
todos os setores, representa um forte fator de desânimo e desestímulo. No caso
dos menores assaltantes do Rio de Janeiro, enquanto os policiais militares
foram levados detidos para o quartel, a mídia mostrava o “dimenor” assaltante
sobrevivente todo serelepe, livre e solto, atrás de sua mãe, indo para sua
casa! Para sua casa?