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terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

1997 e Alhures

Wilalba F. Souza                                                    13/Fev/2017

O tal de politicamente correto continua cegando as pessoas. De todas as classes, credos, atividades, ateus e atôas. A Polícia Militar do Espírito Santo entrou de greve. Há quem concorde com essas paralisações, independentemente dos resultados advindos. Uma irresponsabilidade gigante, que não perdoa nem a família de quem parou, congelou e se negou a fazer seu trabalho, mesmo tendo prestado, formal e publicamente, juramento de mantê-lo, em quaisquer circunstâncias, até com o sacrifício da própria vida!

Todas as classes fazem greves. Já assistimos a “imaculada” Polícia Federal em operações padrão em aeroportos e nas fronteiras. Ela que já tem salários bem convidativos. Aliás, a procura dessa importante força por jovens é impressionante. Em relação a professores, federais, estaduais e municipais, as histórias recentes gritam por si só! Em tempos mais remotos mulheres de militares federais já foram para as ruas bater panelas.

Mas, vamos ao 1997, quando houve séria divisão entre graduados e oficiais na Polícia Militar de Minas Gerais, depois do alto comando ter acenado com a possibilidade de haver aumento diferencias entre os postos e graduações. Uma insensibilidade e irresponsabilidade tamanhas que mexeram com as entranhas e a credibilidade de uma Corporação modelo. Assistimos morte de companheiro, muita revolta, quebra de disciplina, separação do Corpo de Bombeiros, enfim, uma desmoralização sem precedentes.

Desse sisma, apareceram “heróis” que se elegeram deputados. Que, no momento da confusão, surgiram como líderes e salvadores da pátria, mesmo porque, no afã de superar aqueles “impropérios”, Itamar Franco, Governador, concedeu aumentos isonômicos para toda a tropa. Foi uma motivação para que esses neo-políticos, surgidos do seio da tropa, se arvorassem em vencedores e “glamourosos” títeres de uma gente subjugada  por normas e regulamentos retrógrados.

Não há como se negar que, a partir desses fatos, os vencimentos dos PMs mineiros melhoraram. Se bem que acabaram com os “ranchos”, as praças de esportes, a manutenção física dos quartéis, hoje jogados às baratas. Depois, atualizando os regulamentos antiquados, inadequados, exageram na “dose”, fragilizando a disciplina, com um Regulamento de Ética e Disciplinar inviável. Os comandantes perderam poder, em uma instituição militar com responsabilidade de prestar segurança a centenas de cidades, distritos e povoados.

Para agravar o quadro, nestas nossas Minas Gerais, Aécio e Anastasia, dois dos mais aclamados políticos mineiros, liberaram geral, em suas administrações, possibilitando aposentadorias remuneradas que esvaziaram o efetivo policial militar. Atualmente a demanda aumenta e os meios humanos não têm como acompanhar as necessidades públicas. O povo paga a conta, com assaltos, tiroteios, explosões em bancos e precária assistência policial ao meio ambiente e rodovias. Estamos funcionando “a meia boca”! É o que se percebe.

Bem, a PM do Espírito Santos parou porque está ganhando pouco. Seus integrantes, embora recebam em dia, não têm o necessário para a manutenção da família. E pior, as condições de trabalho são péssimas. Sem querer julgar os PM que pararam, posso dizer que vão pagar caro pelo que fizeram. Ficaram sem apoio popular e político. Escafederam-se todos!!!  Vitória e cidades próximas viraram uma terra sem lei. Com crimes escancaradamente liberados, pela impotência do Estado em garantir a vida dos cidadãos, só aparece uma culpada: a PMES!

Os nossos irmãos do Rio de Janeiro estão com seus soldos atrasados, inclusive o Abono de Natal (13º salário) e o mês de janeiro. Embora pareça que não, lá uma greve assombra o povão. Tudo pode acontecer. E quero ver as forças armadas substituírem a “força pública”. As autoridades federais tripudiam em cima de coisa mais séria do que eles imaginam. O arrocho fiscal que eles propagam não atinge seus órgãos. Não atinge o legislativo, o judiciário e, muito menos, as Forças Armadas, que, se fizerem greve, farão muita falta ao transporte aéreo dos engravatados e suas famílias e aumentarão as despesas dentro dos quartéis. Mais nada!!!

Vem aí a tal reforma da previdência. Vislumbra-se, via governo, tratamento diferenciado para os militares federais. Às Policias Militares, guerreiras urbanas por natureza, devem estar reservadas surpresas pouco agradáveis, eis que cada estado trata de seu problema, cada um à sua maneira. E aí urge que os representantes dessas forças estaduais se posicionem com muito rigor. Se querem exigir postura ilibada, racional e sacrificante de quem está nas ruas diariamente, vinte e quatro horas por dia, as autoridades federais que se adiantem em apoiar quem é o destacamento precursor da segurança do cidadão brasileiro. E não tripudie sobre as dificuldades da população de um Estado e de sua polícia com ameaças e truculência própria de ditaduras, das quais esses mandantes de hoje sempre fugiram e fogem!!!