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quinta-feira, 6 de abril de 2017

Rebelião



Wilalba F. Souza                                                05/04/17

Esse negócio de rebelião é coisa antiga. Na falta de presídios, esse Brasil dos improvisos foi aumentando a capacidade das cadeias públicas com os tais puxadinhos. Quando Delegado Especial de Polícia em Governador Valadares, há muitos anos, os presos colocavam fogo em colchões e moveis, nos xadrezes e a correria era geral. Claro que a administração desses conflitos em pequenas unidades prisionais se tornava fácil, eis que não conseguiam, os insurgentes, o impacto midiático dos tempos de hoje. Não havia esquema para proteção de marginais e, via de regra, promotores e juízes não se atreviam chegar perto de cadeias. Então, amigos, a polícia resolvia, o cassetete costumava ajudar e, logo, logo, tudo se acalmava.

Mas, pra bem ou pra mal, as coisas mudaram. Os presídios foram crescendo, crescendo, em proporção menor que o necessário para receber a bandidagem em geral. A Justiça encolheu e não dá conta do recado, então misturaram tudo num balaio só: presos temporários, homicidas, assaltantes, punguistas, estelionatários, pessoas primárias, detidas por pequenos delitos e... tem dado no que dá: Confusão, injustiças e balbúrdia. E as coisas se escancararam com as operações no Presídio de Carandiru, de São Paulo, há alguns anos. E, como soi acontecer, jogaram a culpa toda na Polícia Militar. Igualzinho aqueles problemas dos “sem terra”, há anos, no Pará! Efeito colateral de um remédio para emergências.

Faço esses relatos para lembrar que, no caso das penitenciárias, os seus “pacientes” fazem seus protestos, até muito violentos, para negociar benesses, daqui e dali, evitando, em tese, derramamento de sangue e perda de vidas inocentes (?) e humanas (?). Grande parte das vezes isto não dá certo. A mídia nos apresenta acontecimentos horrorosos com certa freqüência.

Fazendo uma correspondência hipotética, mas com forte dose de realidade, entre penitenciárias e nosso Congresso, não vejo como fugir da analogia, concluo: a maioria dos senadores e deputados federais, que hoje mandam e desmandam na “terra brasilis”, está fazendo uma baita rebelião. Primeiro por querer, sem muita credibilidade, nos impor reformas radicais, de cunho político e trabalhista, agilizando normatização para legalizar seus malfeitos. O tal de caixa dois está por todos os corredores. Sem falar nas mudanças eleitorais com, as invencionices das listas fechadas: - votem no partido e nós entregamos os deputados, senadores e vereadores de bandeja para o povo, engendram eles, mantendo, é lógico, a maioria dessa classe viciada em seus postos.

Estamos reféns. Da mesma maneira que, num desses estados do nordeste, onde houve séria revolta, com mortes horrorosas, os “pacientes” assumiram o controle do presídio e só se quedaram depois de quase um mês de intensas negociações. A diferença é que, no Congresso, os “pacientes”, digo, congressistas, não aceitam conversar: escorregam mais que peixe ensaboado. Conclusão? Talvez seja menos danoso tratar com marginais encarcerados!!!