Wilalba
F. Souza
05/04/17
Esse negócio de rebelião é coisa antiga.
Na falta de presídios, esse Brasil dos improvisos foi aumentando a capacidade
das cadeias públicas com os tais puxadinhos. Quando Delegado Especial de
Polícia em
Governador Valadares, há muitos anos, os presos colocavam
fogo em colchões e moveis, nos xadrezes e a correria era geral. Claro que a
administração desses conflitos em pequenas unidades prisionais se tornava
fácil, eis que não conseguiam, os insurgentes, o impacto midiático dos tempos
de hoje. Não havia esquema para proteção de marginais e, via de regra,
promotores e juízes não se atreviam chegar perto de cadeias. Então, amigos, a
polícia resolvia, o cassetete costumava ajudar e, logo, logo, tudo se acalmava.
Mas, pra bem ou pra mal, as coisas
mudaram. Os presídios foram crescendo, crescendo, em proporção menor que o
necessário para receber a bandidagem em geral. A Justiça
encolheu e não dá conta do recado, então misturaram tudo num balaio só: presos
temporários, homicidas, assaltantes, punguistas, estelionatários, pessoas
primárias, detidas por pequenos delitos e... tem dado no que dá: Confusão,
injustiças e balbúrdia. E as coisas se escancararam com as operações no
Presídio de Carandiru, de São Paulo, há alguns anos. E, como soi acontecer,
jogaram a culpa toda na Polícia Militar. Igualzinho aqueles problemas dos “sem
terra”, há anos, no Pará! Efeito colateral de um remédio para emergências.
Faço esses relatos para lembrar que, no
caso das penitenciárias, os seus “pacientes” fazem seus protestos, até muito
violentos, para negociar benesses, daqui e dali, evitando, em tese,
derramamento de sangue e perda de vidas inocentes (?) e humanas (?). Grande
parte das vezes isto não dá certo. A mídia nos apresenta acontecimentos
horrorosos com certa freqüência.
Fazendo uma correspondência hipotética,
mas com forte dose de realidade, entre penitenciárias e nosso Congresso, não
vejo como fugir da analogia, concluo: a maioria dos senadores e deputados
federais, que hoje mandam e desmandam na “terra brasilis”, está fazendo uma
baita rebelião. Primeiro por querer, sem muita credibilidade, nos impor
reformas radicais, de cunho político e trabalhista, agilizando normatização
para legalizar seus malfeitos. O tal de caixa dois está por todos os
corredores. Sem falar nas mudanças eleitorais com, as invencionices das listas
fechadas: - votem no partido e nós entregamos os deputados, senadores e
vereadores de bandeja para o povo, engendram eles, mantendo, é lógico, a
maioria dessa classe viciada em seus postos.