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segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Saudades do Tico-tico



Wilalba F. Souza                                  21/Ago/2017

Há alguns anos era fácil observar, pelas áreas verdes e gramados do 9º BPM, diversas espécies de pássaros canoros. E, me lembro perfeitamente, os tico-ticos dominavam a área, com seu característico “topetinho” invertido. Sem conhecer do assunto, mais por ouvir dizer, a população desses singelos animais seria abundante no Estado do Rio de Janeiro e, mais que isto, apreciada pelos fluminenses, hoje confundidos com cariocas,
que, em tempos passados, os criavam em gaiolas.

Certamente foi esse passarinho simpático, inspirador de uma das músicas mais tocadas no Brasil, exatamente o famoso “Tico-tico no fubá”, eternizado por Carmem Miranda que, através dela também, ficou muito conhecida no exterior. O termo se assemelha a outros dois, ainda muito usados, que são, “mais feliz que pinto no lixo” e “mais alegre que periquito na canjica”! Claro que o tico-tico supera as duas expressões, embora eu tenha percebido que o bichinho não mais é visto.

Fiz essa constatação dias desses, com um amigo, e ele concordou, tendo em vista a quantidade de canários da terra que nos alegra na região urbana, em companhia de coleiros e até mesmo de bicos-de-lacre, esses, segundo me informaram, uma raça exótica. Ainda comum, na nossa rotina diária, os sabiás nos brindam, lançando seus belos acordes pelas madrugadas e ao alvorecer. E claro que os barulhentos pardais não arredam pé, sendo, talvez, a mais incômoda exportação européia para nossa terra. Digo isto porque fui conhecê-lo em Belo Horizonte, na década de sessenta, ainda garoto, vindo de Governador Valadares, onde essa “racinha” ainda não dominava!

Já comentei, tempos atrás, que o Vale do Rio Doce mantinha, lá pela década de cinqüenta, vasta área de floresta, a Mata Atlântica, hoje dizimada. Mesmo assim, só vi um tucano, pela primeira vez, há uns quinze anos. Hoje, mesmo na cidade, é possível observá-lo, até com certa facilidade. Apenas uma coincidência? Não sei. Mas o que posso afiançar é que os centros urbanos estão sendo invadidos por barulhentas ararinhas que se dão bem no nosso meio. Perderam o medo e estão se proliferando feito pombos pelos telhados e forros das casas. Assim, e antes de procurar explicações da ecologia para o fenômeno, faço meu desabafo: - que saudade dos tico-ticos !!!