Wilalba F. Souza 11/Maio/18
O custo benefício das indústrias brasileiras
é um mistério. Lá pela década de setenta, ainda no governo militar, instalaram,
entre Ipatinga e Governador Valadares, uma fábrica de papel celulose, a famosa
Cenibra (Celulose Nipo-Brasileira Ltda). Realmente um investimento de crucial
importância para a região que se desenvolvia rapidamente, uma fonte de empregos,
com abertura de outras frentes de trabalho, dentre elas a plantação de
eucalipto, matéria prima utilizada. Tudo bem, não fossem as conseqüências pouco
salutares, advindas do investimento, representadas pelo mau cheiro
insuportável, exarado das chaminés, e o descarte de produtos poluentes que
chegavam até o Rio Doce. Muitos e muitos anos se passaram até equacionarem a
situação da fedentina, que percorria uns 60 quilômetros,
impregnando Valadares. Do despejo de dejetos, não sei.
Muitos de nós ainda lembramos que, nos
velhos tempos, cada cidade tinha seu matadouro municipal, nem sempre
funcionando em condições sanitárias minimamente satisfatórias. O de Barbacena
funcionava no Bairro dos Funcionários, perto de onde existe, hoje, o quartel do
Corpo de Bombeiros. A boiada passeava pelas ruas, ainda carentes de redes de
esgoto e pavimentação. Tudo muito improvisado, exalando cheiros desagradáveis,
em plena área urbana. Os rejeitos, como sempre, se descartava nos cursos
d`água, antes límpidos, mas que foram transformados em esgotos a céu aberto,
ainda hoje existentes por todos os lados.
Nas décadas de setenta e oitenta, no
bairro do Pontilhão, nesta mesma Barbacena, depois da extinção do matadouro
municipal, apareceu um, de caráter particular, no local mais conhecido por “Açougue
do Urias”. Este moço fez crescer seu negócio e se tornou importante empresário
do ramo, também da criação de gado, queimando ossos de dia e de noite,
possivelmente sem fiscalização das autoridades sanitárias e ambientais, por
anos a fio. Uma fedor só, mas incapaz de sensibilizar os órgãos encarregados de
monitorar transgressões desses tipos. Hoje, seguindo na mesma esteira, aparece
a Rivelli, do ramo de aves, de propriedade de uma família local, inspiradora do
nome. Surgiu, a empresa, nos fundos do quintal de uma humilde casa, há trinta e
cinco, quarenta anos, ali mesmo no Bairro Boa Vista, onde abatiam e vendiam
frangos, certamente de forma precária, para a comunidade vizinha. Com muito
trabalho, transformaram seu “ganha pão” num grande empreendimento, ofertando
produtos diversificados. Só que, hoje, suas chaminés, às margens da Br 040, nos
bombardeiam com fumaça de cheiro forte e insuportável, em direção aos bairros,
à cidade toda, enfim. A desculpa, de sempre, imaginamos, se forem dar, tentará
empanar o grave incômodo:- Ah, mas geramos centenas empregos no município e
região! E teriam razão, não fosse a existência de uma legislação que regula o
assunto, mas, como se percebe, é atropelada. Certamente que estamos involuindo
e voltando aos tempos do malfadado negócio do Urias.