Wilalba
F. Souza 12/05/21
Dia
desses nossa turma de oficiais da PMMG, formada em mil, novecentos e sessenta e
nove, via grupo de WhatsApp, relembrava nomes de nossos instrutores e
professores. E, durante algum tempo, desfilaram os de antigos mestres, seus
trejeitos, estilos e qualidades. De alguns já não me lembrava. Acho que
memorizo melhor fatos que pessoas.
Nosso
Augusto César Brina Vidal, mestre em Criminalística, não foi mencionado. Figura
super educada, de aparência que nos induzia ser ele uma mistura de Ivon Curi
com Alfred Hitchcock, era perito criminal competente, ministrava excelentes
aulas, apresentando, para arrepio de nós alunos, "slides"
horripilantes, com dissecação de cadáveres nas autópsias ou em cenas
resultantes de crimes violentos, desnudando suas atividades na Polícia Civil de
Minas Gerais.
Gostava
muito, e se estendia mais, quando falava das características encontradas e
estudadas nos meliantes contumazes, ditos de alto grau de criminalidade.
Lombroso era sempre citado, por ter sido estudioso e escritor de teses que
ainda se discutem por aí. Como se esquecer que, segundo ele, orelhas com o
lóbulo todo colado ao rosto poderia ser uma das indicações de tendência
marginal? Aliás, sempre que observo uma
pessoa com essas características, e sem qualquer discriminação a ela, me vem à
mente aqueles ensinamentos do excelente professor. Pra falar a verdade, nem sei
se o tal Lombroso, depois de mais de cinquenta anos passados, ainda tem esse
potencial de referência nas escolas afins.
Nosso
competentíssimo professor Brina sabia tudo sobre sua admirada corporação, a
Polícia Civil. Formado em Direito, além da sua especialidade como perito,
sempre nos brindava com seus conhecimentos sobre investigação processual e seus
ritos, aliás missão fundamental daquele segmento. Entretanto, inexplicável e
estranhamente, não conseguiu realizar seu sonho: ser delegado de polícia. Não
conseguia passar no concurso. Aposentou-se como perito, certamente um tanto
marcado por dentro.
E
pensar que é muito mais fácil ser Ministro "ad eternum" da mais alta
corte do nosso país, o STF. Sem concurso público algum. Sem eleição. Se tiver o
curso de direito, basta. Não precisa nem ser juiz togado. É só política, mesmo.
Algo parecido com os Delegados Municipais de Polícia que existiam no século
passado. O prefeito nomeava, para seu "bate pau", via Secretaria de
Segurança Pública, qualquer apaniguado de sua preferência. Nem precisava ser
"letrado". E essa autoridade tinha todas as prerrogativas, na lei e
fora dela, para processar, prender e soltar. Ah, e casar os outros também. Eram os poderosos Delegados Calça-curta!
