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quarta-feira, 27 de outubro de 2021

Dé-já vu

 Wilalba F. Souza       27/Out/2021 

Embora necessário, fica cada vez mais difícil pra gente, simples mortal, acompanhar qualquer noticiário brasileiro tanto o usual, escrito, radiofônico ou televisivo, quanto outros desenvolvidos por mídias diversas. As rusgas de viés político-ideológico, carregadas de ódio, sempre dão as caras. O jornalismo profissional, que acostumamos ler, ouvir e assistir, anos após anos, foi transformado em canhões que disparam seus petardos em direção aos alvos adredemente selecionados, via empresas e profissionais, ditos do ramo. Claro que o dinheiro, também, tem dado causa a isto. Segundo se sabe, por ter cortado polpudas verbas, destinadas aos poderosos veículos da imprensa nacional, Bolsonaro e seu governo são as "moscas" preferidas, em destaque, ou seja, o adversário ou inimigo a ser abatido. E, muitas vezes, o presidente até que dá motivo, pois não filtra muito aquilo que fala.

Desta vez foi por causa de um comentário, em cima de reportagem publicada na revista "Exame", sobre possíveis efeitos colaterais que poderiam advir de vacinas anti-covid 19. Então, primeiro lhe retiraram a "live" do ar, sendo que, depois, com as deturpações de sempre, outros veículos propagaram o assunto, como se fossem originadas do presidente, as conclusões da revista. Algo muito parecido com a "gripezinha" difundida pelo médico Dráuzio Varela e que caiu no colo de Jair Bolsonaro, tendo sido ele nomeado "pai daquela criança".

Bem, em final de temporada futebolista gosto de acompanhar os debates afins. Em princípio nos aliviam - será? - da acidez dos noticiários, nestes tempos mais que bicudos. Ainda mais que, depois de meio século em branco, o Clube Atlético Mineiro pode se sagrar Campeão Brasileiro. Por isto, nas redes sociais, dois jornalistas esportivos, de excelente nível, têm minha preferência: Eduardo Tironi e Arnaldo Ribeiro. Formam uma boa dupla, sendo bastante coerentes em suas análises. Mas os dois às vezes se juntam ao Juca Kfouri e Mauro César, estes mais explosivos, embora muito conceituados no que propõem. 

Por isto, ontem, resolvi acompanhá-los, os quatro, em uma "leve", no YouTube. E estavam agradando. São bons no que fazem, e assim foi, até que Kfouri resolveu corrigir o português do Tironi, que se referiu a um "dé-já vú" qualquer, de evento esportivo passado. Interrompendo o colega, Kfouri apressou-se em informar que a maneira correta de se expressar o termo, um galicismo de origem francesa, era "dejaví" e não "dejavú", tendo sido acatado, de pronto. Só que, pouco depois, um dos seguidores fez um "chat”, lido por Tironi. Se dizia brasileiro, morador da França, e afirmou que, naquele país, se pronunciava "dejavú”, mesmo. Interessante e instrutiva a interferência - cheguei a pensar - quando, estranha, intempestiva e agressivamente, Juca Kfouri, num visível ataque de nervos, se adiantou e vociferando ataques verbais, chamou de assassino quem comentara sobre efeitos colaterais de vacinas dos programas de imunização em curso, certamente para atingir Bolsonaro, que comentara, acho que um dia antes, a reportagem da "Exame".

Assim, de maneira desagradavelmente melancólica, inusitada e constrangedora, encerraram um bom papo de cunho desportivo! E, sinceramente, até agora, não entendi essas conexões e o acender do estopim!!!