Wilalba F. Souza 11/03/2023
Todos
sabiam que, desde sua adolescência, nosso saudoso colega, Vicentino Egydio da
Silva, tinha sido acróbata circense, até ir para PMMG, ele que chegara lá das
bandas de Mutum, perto de Manhuaçu, cidade sede do 11° BPM. Seu nome artístico:
Robert Douglas. E eu sempre tive boa ligação de amizade com ele, que me ensinou
a tomar pinga: dose generosa, segurando a “lagoinha” com o polegar e o
indicador, somente, ingerindo o líquido num gole só! É, o "cara" tinha seu estilo, seus
princípios!!!
Lá pelo
nosso segundo ano disseram que haveria uma seleção - uma peneirada - para
selecionarem a equipe de demonstração acrobática (grupo treinado para fazer
evoluções, saltos, rolamentos e pirâmides humanas, em singelas apresentações
públicas). Aí o "Vicente" me chamou pra concorrer, eu que era, e
sempre fui, de "escadeira dura".
- Eu te ensino, wilalba, se
adiantou!
E me convenceu.
Assim,
nas folgas, passamos a treinar, acho que com o Jairinho e os dois Lagares,
algumas vezes, usando colchões específicos que ficavam disponíveis no ginásio
de educação física.
Aprendi apenas a dar uns saltos
"peixe", girando sobre o corpo, em rolamento, amortecendo e
controlando a queda. Era muito divertido - para nós - jovens, cheios de energia
- assimilar os "macetes", a técnica das paradas de mão, dos impulsos
e da ginástica, no solo.
Passados
uns dias, convocaram os alunos para a tal seleção, evidentemente aqueles que se
interessassem, incluindo alunos/cadetes do primeiro ano. Me veem, à mente, o
Hermes, cabeça de mamão, e o Valdivino, baixinho, gente boa. O capitão Cícero
Ivan Gontijo, nosso admirado e competente instrutor de Educação Física (pouco
tempo depois, pediu exclusão da PM, e foi fazer, parece, carreira diplomática
em Brasília) coordenava. E havia um, ou dois alunos/cadetes, do terceiro ano,
ex-componentes da equipe, participando da comissão examinadora. No último exercício,
decisivo, um salto mortal, a partir do trampolim, dei sorte, pois encaixei dois
deles, limpos, isto é, sem cair de bunda no chão. Passei na prova! Daí pra
frente, selecionados, só me recordo dos colegas Paulino, Vicentino, Lagares e
Manoel Victor, além de alguns de turmas mais modernas, dentre os já nominados,
imediatamente integrados, permanentemente, à "trupe".
Aquilo
nos pareceu - e foi - uma vitória. Na maioria das instruções de Educação Física
treinávamos em separado e por equipes. O
pessoal do atletismo, como Orlando Bill e Terra, era cheio de pose, exibindo
suas sapatilhas especiais. Nossas notas de Educação Física, abonadas, no valor máximo,
representava incentivo e tratamento diferenciado. Viagens? Saramenha (perto de
Ouro Preto), Bom Despacho, Manhuaçu. com apresentações, em público, muito
aplaudidas. As de BH, por exemplo, nos são inesquecíveis e eram às vezes,
transmitidas, diretamente, pela TV Itacolomi.
Enfim,
até sermos declarados aspirantes, em 1969, fiquei na equipe. Outros não... e
até mesmo o Vicentino se desinteressou. Nossa penúltima viagem foi perto de
Diamantina, à simpática Gouveia (terra do alho), onde Paulino contundiu a perna
e eu cortei o nariz, depois de me embolar no arco de fogo... e não me esqueço,
porque, para ir lá, fomos dispensados do conturbado e derradeiro acampamento
curricular, uns dois dias antes de seu encerramento, até a formatura, no final
de 1969. Pra "fechar a carreira artística", parece, fomos a
Saramenha. Eu ainda de curativo no nariz.
Interessante
é que, garoto, quando estudava no Colégio Tiradentes, do coronel Argentino
Madeira e da PMMG (60, 61 e 62), ficava boquiaberto com as arrojadas
apresentações dos alunos/cadetes "acróbatas", ali mesmo, no pátio do
(DI- Departamento de Instrução, hoje APM - Academia de Polícia Militar, do
Bairro do Prado). Nunca poderia, naquela meninice, nem de longe, imaginar que,
daí a pouco, estaria dando daquelas "cambalhotas", também!
Bons e saudosos tempos, não?