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domingo, 23 de junho de 2024

Galhofa (repost)

Wilalba F. Souza                                             19/02/2018

 

Mais uma vez esse governo central, que ajudou a elaborar a Constituição de 1988, sob a batuta de Ulisses Guimarães, ferrenho parlamentar que povoou o Congresso por muitos anos e morreu num acidente aéreo, há tempos, sem ter a oportunidade de ver o que eles, sim eles, plantaram com seus sonhos de incomensurável grandeza, e cujos resultados estamos sofrendo. E, não que eu seja um defensor de regime de exceção, dirigido por militares, mas, lembro-me bem, esses políticos, que ainda estão por aí e outros que os seguiram, assumiram o destino de um país democrático, com amplas possibilidades. Só que... 

Foi desprezado e não reconhecido, pelos eleitores, o bom trabalho de Itamar Franco e Fernando Henrique que, vitoriosos no combate à inflação, não conseguiram eleger seus sucessores, derrotados que foram pelo líder partidário Luís Inácio, senão o único, um dos principais responsáveis pelas desgraças aí existentes. E, num clima de “oba, oba”, ainda conseguiu convencer o povo a votar em Dilma Rousseff, cujo destino todos acompanharam, por ocasião de sua cassação, tendo assumido em seu lugar o vice-presidente, Michel Temer, do PMDB, aliado histórico dos petistas, sem participar das decisões palacianas. E não é que ele resolveu “consertar” o Brasil!!! 

Recebendo um governo envolto em nuvens escuras, com raios e trovoadas, déficit orçamentário gigantesco, promoveu algumas mudanças, na esperança de equilibrar as contas. Mexeu em lei do trabalho, apoiado pelo Congresso, mas, tendo lá suas fraquezas, e muitas, sofre ataques constantes da, hoje, oposição esquerdista radical, não conseguindo avançar na reforma previdenciária, realmente um objetivo importante à recuperação econômica. Mas, num Brasil coalhado e viciado em populismo isto é difícil. E fica aí o impasse, reforçado pelas mazelas promovidas pelo excessivo dispêndio financeiro na gigantesca estrutura da máquina pública ineficiente!  Nessas reformas não se aborda a situação dos orçamentos do legislativo e do judiciário, por essas plagas brasileiras. Estão livres e soltos, livres, até, de qualquer contribuição que não seja via a previdência geral, já penalizante aos aposentados pelo fator previdenciário, cruel instrumento que, ano a ano, corroi o ganho dos velhinhos e velhinhas. Os mandatários, donos do desperdício, jogarão o fardo nas costas da massa menos favorecida, a trabalhadora, que produz riquezas.

Agora, tendo em vista a intervenção parcial do governo do Rio de Janeiro, tudo pára tudo no Congresso, até que seja examinada a medida provisória exarada pela presidência. Aliás, esse instrumento de governo foi copiado, pelos fervorosos democratas nacionais, dos “cruéis” militares que “inventaram” os atos institucionais”, uma forma de governar com mais autoridade, saltando por cima da Constituição e das leis. Assim, e mais uma vez, os defenestrados militares do Exército são convocados a resolver o problema de segurança pública do quebrado Estado do Rio, de belas e horríveis memórias, onde a população vive, há muito, um clima de guerra e de guerrilha, patrocinada pelos marginais, que as leis e os presídios não conseguem segurar, isolar, resultado da liberação geral daquela Constituição, dita cidadã. Retiraram o poder das polícias, da ostensiva e da judiciária e querem responsabilizá-las pelas bandalheiras cariocas e... nacionais. De gravata, ou sem ela, os bandidos surfam pelas facilidades legais. Legal, não? 

Há muitos anos esses problemas e muitos outros, têm sendo “empurrados com a barriga”, acumulados e jogados pra frente. Estou ouvindo por aí que, “devido a gravidade dos fatos registrados no Rio de Janeiro, durante o carnaval, e com o Exército presente, desta vez vai”. O povão aplaude! - É, vai ser solucionado o problema na cidade maravilhosa, dizem. Interessante! Já vi esse filme antes, e recentemente, pois não é a primeira vez que a força terrestre de guerra é convocada. Isto já se tornou quase que rotineiro e vêm com esse discurso a nos “engalobar”, nos enganar! Também, antigamente o carnaval era uma festa com duração de quatro dias, hoje cobre o ano inteiro. Mesmo com tiro pra todo lado, a festa momesca não pára. Por isto, essa galhofa toda, em cima de nós. Merecemos!

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2024

Em Alfredo Mucci, quem manda é o IEPHA

 Wilalba F. Souza


Mural antes da reforma
Há muitos anos frequento o 9° BPM / PMMG - Barbacena, onde servi por duas vezes: como tenente e capitão. É, o prédio, um dos marcos de modernidade, ou contemporaneidade, do município, junto com o Colégio Estadual. Tempos de Juscelino e Bias Fortes. Em sua fachada há um mural muito bonito, inspirado em Tiradentes, nosso alferes, protomártir da Independência, coadjuvado por uma torre, ou obelisco, bem alto, encimado por um globo, referência da cidade, especificamente de uma de suas antigas praças.

Sempre pensei, simploriamente, por boataria interna, que se tratava de uma obra de artista nosso, cabo ou sargento. Seria muita pretensão? Certo é que, anos após anos, essa obra de arte vem se desfazendo, ruindo com o tempo, já que as peças, em ladrilho (pastilhas) se descolam. Realmente uma perda inestimável. Recentemente fiquei sabendo que o mural é tombado pelo IEPHA. Ninguém pode tocar nele, sem autorização expressa.

O autor, Alfredo Mucci, artista italiano premiadíssimo, morou por muitos anos no Brasil e deixou, por aqui, inclusive em Belo Horizonte, incontáveis criações, principalmente murais. Mas era, também, pintor. Chegou em Barbacena, a convite, na década de cinquenta, vindo do sul de Minas, e conviveu até com o famoso francês, escritor, artista e monarquista convicto, Georges Bernanos, nome de museu, aliás mal cuidado, perto de onde moro.

Enfim, para reconstituir a obra de Mucci estão trazendo um competente restaurador do Rio Grande do Sul, deixando de lado a ideia (aliás proibida) de usar mão de obra interna!  Valor aproximado do sensível trabalho: R$400.000,00. Do orçamento do IEPHA, lógico!

Se tudo der certo vamos sugerir e convidar, claro que com a aquiescência do Comando, a "Turma do Tiradentes", de 1960, para a festa. Afinal, estávamos aqui, ao vivo e a cores, há sessenta e um anos.


Observações:


Há tempos, dois, ou três anos, publicamos essa crônica, parte de humilde registro histórico da inauguração, em 1960, do atual quartel do 9° BPM/PMMG, sediado em Barbacena.

Naquela oportunidade, comentava-se a possibilidade da recuperação do painel frontal, da edificação, obra do prestigiado artista italiano, Alfredo Mucci. E, para nossa satisfação, e de muitos admiradores da obra, que representa parte a história da PMMG no Estado e no município, concluíram o trabalho.

Restauração finalizada

Para tanto, tiveram que promover reformas estruturais, no entorno da obra artística, destinadas à captação e o escoamento perfeito das águas fluviais, a partir dos telhados e dos alicerces, evitando infiltrações, deteriorações e corrosões decorrentes.

Enfim, sem maior alarde, a administração da Polícia Militar devolveu à sua comunidade, da melhor maneira possível, a fachada original toda restaurada, do "Sentinela da Mantiqueira".

Parabéns aos Comandantes, Cel Terence Pablino Floriano Guimarães, da 13ª RPM, TenCel Ademir Siqueira de Faria, do 9° BPM e equipe, em especial aos 3º Sgt Geovane Artur P. Santana e Cb Mariana de Mendonça, que devolveram o mural, a unidade e à comunidade barbacenense, numa concorrida solenidade na tarde de 20 de fevereiro de 2024.


Seguem-se fotos:


Foi implementado projeto de iluminação ao Mural, deixando-o em maior destaque


Veteranos na solenidade 




Obras em execução

Obras em execução

Inauguração