Wilalba
F. Souza
19nov2014 - Dia da Bandeira
Pois é! O povo brasileiro e porque não o
de Barbacena, de modo geral é muito mal informado. O Governo Federal planejou,
ano passado, liberar recursos, mediante projetos a serem apresentados pelos municípios,
para aplicação na melhoria de aeroportos em um bom número de cidades de médio
porte, incluída aí a nossa, visando o desenvolvimento da aviação civil/comercial,
por este Brasil afora. Publicado, ou divulgado, o projeto governamental, a primeira
providência do comando da EPCar foi proibir, de plano, o uso da pista do
aeroporto, em horários “mortos”, pelo grupo local de aeromodelistas , enquanto
não se decidisse (não se sabe o quê) sobre as obras projetadas. Até aí nada
demais, aeromodelista é “coisa pequena”! Fez a mesma coisa com o grupo de paraquedistas,
pois, anexo ao Aeroclube, funcionava um curso ministrado por instrutor
credenciado. Certo é que, pelo que nos é dado conhecer, nenhuma obra até hoje
foi feita e, como sempre, tudo ficará como está e... ponto final.
Como a memória de muitos políticos,
sejam eles de qual partido forem, é obscura e oportunista, talvez seja bom
lembrar, a quem possa interessar, que, há anos, existia um aeroporto municipal
onde hoje se localiza a Exposição Agropecuária. Contam que lá conviveram o
nosso Aeroclube de Barbacena, instituição humilde, mas que considero um
patrimônio de interesse público, e a Aeronáutica que chegou depois dos nossos
pilotos civis. Bem, atendendo
necessidade de uma pista melhor, o novo aeroporto municipal (?) foi construído há
mais 50/60 anos, onde hoje se encontra, em terreno da prefeitura doado à União,
evidentemente que com inspiração na unidade da aeronáutica aqui sediada. Uma obra
moderna, em condições de melhor atender aviões oficiais e civis. Aproveitando
“a leva”, e certamente na base só de conversa, transferiram o Aeroclube, suas
coisas e seus aviões para nova área, fincada no aeroporto público cujo nome
homenageia um ascendente da família Doorgal. O velho “campo de aviação” daria,
como deu, lugar ao “Parque de Exposições”!
Instalações mais condizentes, com pista
asfaltada de uns 1.700 metros, tudo que os pilotos militares e civis querem e
precisam! Assim o Aeroclube montou por
lá seu hangar, certamente em entendimento com as autoridades municipais e
federais. O tempo passou e, anos depois, os militares resolveram que o Aeroclube
não podia mais ficar lá. Decretaram seu fim! Assim promoveram, claro que via Procuradoria
Federal, uma ação de reintegração de posse contra a entidade. E muitas devem
ter sido as motivações, a maioria certamente de conteúdo legítimo, entretanto sem
uma justificativa pelo menos moral, eis que eles, os militares, foram bem recebidos
na cidade pelos antigos aeronautas civis em seu modesto aeródromo de terra
batida. Certo é que, recentemente, foi proferida uma sentença, ainda que em
primeira instância, pela Justiça Federal em São João Del Rei, em desfavor do Aeroclube.
Uma sentença bem instruída, mas “injusta”, mais que um castigo, promovida em
cima dos atos informais e outros “imblóglios” inocentes e insustentáveis, de
uma permuta feita há anos, sem suporte legal, prejudiciais aos precursores do
Aeroclube e da aviação “paisana” nesta terra. Enfim, estão militarizando uma
instalação pública, que quer dizer, do povo!!!
Tem-se a certeza que, acima de tudo, não
há interesse dos políticos regionais, ou de Barbacena, em solucionar o
problema, senão isto já teria sido feito. O nosso Aeroclube, tendo em vista
essas pendengas, está, há anos, sem condições de investir em crescimento ou melhorias,
devido a insegurança jurídica herdada. Muitos empresários que gostariam de
adquirir seus aviões não o fazem. As aeronaves têm que ser protegidas contra
intempéries, sofrer manutenção e possuir base para abastecimento mas, definitivamente,
tudo é obstruído nesse excelente
aeroporto, repito, público, sub-utilizado. E o “galpão hangar” maltratado, utilizado
pelos pilotos civis resistentes que sobraram por aqui, não comporta mais que uns
três “aeros” de pequeno porte. Assim há, em anteparo a esta história, uma certa
névoa impenetrável! Afinal o aeroporto construído em terreno cedido pelo
município é federal, ou é municipal? Tem gente que afirma ser ele municipal,
mas que as nossas autoridades não se interessam por assumi-lo. Geraria custos.
Logo os militares arcam com sua administração e se sentem no direito de ditar
as normas de acordo com seus interesses, embora somente tenham por aqui uma ou
duas aeronaves administrativas, além de um “Tucano” barulhento e velho ainda em
atividade”. Dessa forma, por inanição das autoridades municipais, dos
vereadores e de seus antecessores, nem podemos sonhar em termos voos comerciais
por esta terra de políticos dominadores, cujos ascendentes já foram mais comprometidos
com nossa cidade, e muito menos a chance de vermos o desenvolvimento da aviação
em BQ (Barbacena querida), termo cunhado pelos próprios alunos da EPCar, há
anos. Não queremos acreditar que isto tenha sido um blague, uma desconsideração
ou um bullying em cima da nossa simplicidade, naqueles tempos em que se
comemorou a vinda da EPCar como uma dádiva para a população.
E pensar que a Escola Preparatória de
Cadetes do Ar é “especialista” em ocupar áreas municipais, de forma legal, deve
ser, mas sempre prejudicando a comunidade, desde sua vinda para cá. Recebeu
como sede o antigo “Ginásio Mineiro” e “expandiu”, enormemente, seu território,
desnecessariamente. Costumam dizer que ficamos sitiados, devido à vastidão
territorial, no centro da cidade, por ela ocupada. A bem da verdade ela ”expulsa”
o povo do que é seu. Tem o costume de fechar ruas utilizando de toda sua
autoridade vinda lá dos tempos de antanho, apoiada pela omissão da
municipalidade. No prosseguimento da rua Olegário Maciel montaram, há tempos,
um posto de guarda, com cancela. Virou quartel! Era o acesso para a Praça de
Esportes Municipal, construída para o povo, por Juscelino Kubitschek, na década
de cinqüenta, cuja área, com pista de atletismo, piscina, campo de futebol e o
resto foi encampada até para fazer residências funcionais. É o que dizem e é o
que lá ainda existe!
Será que a Câmara Municipal sempre aprovou
tudo isto? Há pouco tempo deram – os
militares – um “golpe” de ilusão na ex-prefeita Danuza Bias Fortes e em quem sonha
com melhorias urbanas, quando teriam prometido devolver os espaços necessários
ao desafogo do sistema viário até o Pontilhão, exatamente no trecho acima
citado. Devolveram nada! ficou o dito pelo não dito! Só sabemos que esses
administradores da aeronáutica em Barbacena são muito bons para avançar sobre
as nossas coisas e emperrar nosso progresso. Nada contra, muito pelo contrário,
os nossos efetivos que lá servem, cidadãos, em boa parte, barbacenenses. Mas
está claro que seus comandantes, há anos, usam de dois pesos e duas medidas,
sob nossas vistas, quando se trata de abrir a mão de qualquer coisa que achem
ser de uso exclusivo da força, caso do aeroporto. E isto é fácil! Já acostumamos
a nos calar perante a arrogância dos poderosos, aliada à subserviência e omissão
daqueles que elegemos. Destruir e dizimar nosso Aeroclube, como o estão fazendo,
é um absurdo. Com a palavra as nossas representações políticas municipais. Será
que não é hora dessas coisas serem esclarecidas e colocadas publicamente?