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quarta-feira, 30 de março de 2016

Saudade de Alvarenga e Ranchinho

Wilalba F. Souza                                                                  30/03/2016
Muitas coisas nós assimilamos de nossos pais. Com o já falecido “velho”
Alceu aprendi a ouvir rádio. À noitinha, estirado a seu lado, na cama,
acompanhava os programas dos “Alvarenga e Ranchinho”, simpáticos
cantores/apresentadores da Rádio Nacional, ou Mairink Veiga, e o hilariante “Balança Mas Não Cai”, espetacular e quase inocente humorístico onde se destacavam Paulo Gracindo e outros atores que, anos após, mostrariam sua arte pelas telas de televisão. Habituei-me, também, a ler os jornais de domingo, como os “Estado de Minas e “O Globo” que meu pai comprava religiosamente.

Essas heranças nos deixaram, vamos dizer assim, mal acostumados e necessitados de ver as coisas sobre política, amenidades e futebol. Dessa maneira, de tudo isto, permaneceu a vontade de estar bem informado, ainda mais que as coisas hoje se apresentam com muita rapidez. Me atrevo a dizer que se não ficarmos atentos, em cinco ou seis horas, corremos o risco de “comer bola”. Mas é importante que filtremos essa gama de conhecimentos em um mundo dito globalizado.
Nos “antigamentes” as informações nos chegavam, quando chegavam,  com muita parcimônia. Criança, em 1954, num calorento agosto de Governador Valadares, das rádios de bom número de residências, ecoaram os acordes da música tema do “Repórter Esso”, cujo locutor, não me esqueço, se chamava Heron Domingues. Todo mundo correu para perto dos raios valvulados, pois parecia ser uma chamada extraordinária. E era! O presidente Getúlio Vargas morrera! Ele, de grande prestígio popular, suicidara, para tristeza do dos brasileiros.
Os detalhes do triste evento só foram sendo desvendados aos poucos, da  maneira que os meios de comunicação permitiam. Televisão era de acesso restrito e ainda “engatinhava”. A integração nacional foi feita, desde o início do século, pelo rádio, ainda hoje em evidência. De lá pra cá a explosão midiática tem promovido uma competição tão grande nas informações que fica difícil acompanhar o noticiário pelos jornais escritos. Estes nos servem mais para ver opiniões dos articuladores e outras matérias literárias.
Dias passados a presidente da república e Lula, seu antecessor,“ trocaram umas idéias” pouco republicanas pelo telefone e, imediatamente, tomamos conhecimento pelas emissoras de rádio e televisão. Bastou isto para se discutir o ato promovido pelo juiz que liberara para a imprensa o diálogo entre a autoridade e o ex-presidente que estaria sendo investigado pelo cometimento de ações delituosas. Imediatamente o clima político teve aumentada sua temperatura, nestes tempos de crise generalizada.
Do outro lado do mundo um homem seqüestrou um avião e, antes que seus motores fossem desligados, as imagens nos chegavam ao vivo. Coisa ainda pequena se comparada à descida do homem à lua, que assisti pela televisão, parece que em 1.969. Realmente o mundo está cada vez menor e, na verdade, sei lá onde isto irá parar! Em suma, atrás de uma desgraça sempre aparece outra mais retumbante ainda. Saudades de Heron Domingues, saudades de Alvarenga e Ranchinho!!!

quarta-feira, 16 de março de 2016

Pra debaixo da saia! Fazer o quê?



Wilalba F. Souza                                                              15/mar/2016

Há dois meses o governo de Minas está parcelando os salários dos servidores. No seio da Polícia Militar, e também no funcionalismo público, a medida não “caiu” bem. É que, depois de anos a fio, o Partido dos Trabalhadores, depois de assumir o “mando” estadual, promove tal medida, desagradável, indicativa, em princípio, que as finanças não estão bem. O mesmo quadro se observa em outras unidades da federação. Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, duas potências econômicas brasileiras, se juntam aos mineiros. Em suma, não há dinheiro e os gestores têm que se virar.

Até o quinto dia útil, por aqui, recebem mais de 90% dos funcionários. São os que ganham até os R$3.000,00 e representam uma boa força de mobilização. Será que eles se mexeriam pelo restante? Duvido! Uma ou duas manifestações já ocorreram na capital, engendrada pelos mais “aquinhoados”, se é que podemos dizer assim. E é perfeitamente justo que eles assim procedam, mostrando a sua insatisfação àqueles que, na campanha eleitoral, prometeram o céu pros eleitores. Por questão de princípio, só não concordo com movimentos que interrompam as vias públicas, como o que foi feito pela Avenida Antônio Carlos (BH), em dia útil, até a Cidade Administrativa. Penso que quem tem o dever de manter a segurança do povo e a ordem pública é, naturalmente, impedido de fazer isto, que contraria tudo aquilo que lhes foi ensinado nos bancos acadêmicos policiais e bombeiros militares.

Enfim, para meados de abril está prevista outra concentração e tudo indica que o governo não vai se mexer. Pior, ele nem sabe como vai ficar o calendário de pagamentos a partir daquele mês. O Brasil está em um quadro recessivo mais que preocupante e a arrecadação caiu. Os compromissos financeiros, por todos os lados, estão prejudicados. Sem dinheiro e perspectiva maior, estamos prevendo problemas. Há muitas nuvens carregadas pelo nosso caminho. Fazer o quê?

Dia 13 de março, domingo passado, poucos dias depois de ter sido levado, coercitivamente, para audição por procuradores da “Lava-a-jato”, Lula soltou “os cachorros” contra a Polícia e a Justiça Federais. O povo foi para as ruas pedir providências contra a corrupção, a presidente em exercício e seu mentor, este atingido, violentamente, pelos “coices” da lei. Nas ruas, por todo o País, o povão deu seu grito: é muita desordem constituída (?) e promovida por quem deveria obedecer aos preceitos da ética e da Constituição. O “ring” político está armado para o impeachman X permanência. O caldeirão esta fervendo. Lula, processado e denunciado, é fortíssimo candidato a Ministro da Casa Civil de D. Dilma. Literalmente ela o está levando para debaixo de sua saia, na tentativa de adiar a ação da Justiça, pois ele passará a ter foro privilegiado.

Ainda em relação ao ex-presidente e apesar de seu carisma e história, ele está devendo explicações aos brasileiros sobre sua ligação com empresas suspeitas. Sítio, apartamentos e presentes recebidos irregularmente o estão complicando. Mostra muito nervosismo, sem se articular. Lendo suas respostas, em interrogatório publicado pela mídia, as achei pueris demais para quem, por oito anos, nos presidiu. Lula nunca soube de nada e suas negativas extrapolaram nossa capacidade de entendimento. É preciso que as pessoas leiam, com paciência, todas as “não explicações” do “grande líder”. Nos seus bens-feitos ele é sorridente. Se lhe apertam o santo ele, de repente, veste o manto de presidente, que não é mais. Sofre de devaneios bem estranhos, se ausentando, seu espírito”, da sala onde é interrogado, passando toda suas responsabilidades aos assessores e até para sua mulher, D. Marisa. Incrível, quando deviam dar-lhe uma assistência psicológica, querem entregar-lhe um ministério importante ao lado da presidente, sua subordinada. Fazer o que?


quarta-feira, 2 de março de 2016

Recall



Wilalba F. Souza                                                                    01/03/2016


Em inglês significa chamar de volta. É o que fazem as indústrias hoje, principalmente a automobilística, quando qualquer de seus modelos apresenta defeito de fábrica. Além de cumprir a legislação, o fabricante evita acidentes e, principalmente, reforça a credibilidade da empresa, em tempos de competição comercial. No Brasil o procedimento é relativamente novo. Lembrei-me disto, dias atrás, quando uma de minhas filhas resolveu se desfazer de seu automóvel, a ela presenteado por mim em 2.001. Encarregaram-me de encontrar um interessado e não foi difícil fazê-lo. O carrinho, nesse tempão todo, foi bem cuidado e pouquíssimo rodado. Dei uma olhada no manual e havia o registro, apenas, da inspeção, ou revisão inicial. Todas as manutenções posteriores foram feitas em oficinas que não a autorizada. Naquele tempo não havia as garantias dadas hoje, para produtos novos, e cobravam muito caro. Atualmente não é barato, mas o cliente tem contrapartida. Isto é muito bom!

O “recall” na política, apenas para traçar uma semelhança até meio  distante, fica difícil, tendo em vista o estranho comportamento humano que, muitas vezes, quando depara com algo que lhe parece estar certo, o torna reprovável e, no caso inverso, assistimos, com freqüência,o mesmo fenômeno. É que, há dias, o governo de Minas fez cortes orçamentários pelas diversas secretarias, atingindo, inclusive, o IPSM (Instituto de Previdência dos Militares de Minas Gerais) e suas reservas. Este patrimônio mineiro foi o primeiro instituto criado no Brasil, a duras penas, por PMs, em 1.908, tendo, de lá para cá, por inspiração de seus gestores, se desenvolvido à base de muito trabalho e correção. Hoje faz parte da administração indireta estadual, ou seja, trata-se de uma autarquia que, em tese, deveria ter administração própria, sob fiscalização do Estado. Só que não é assim: o poderoso apetrecho político já se apoderou de tudo, inclusive de seu orçamento, de sua arrecadação e de suas reservas, usando-as como bem aprouver.

Claro que essas medidas repercutiram mal junto aos militares mineiros, de todos os níveis, e “ouriçaram” suas entidades representativas da classe. Na Assembleia, o deputado (não sargento) Rodrigues, deve ter preparado um agressivo pronunciamento, ele que é oposição a Pimentel, contra as medidas encetadas, certamente já contando com os aplausos de quem lá fora, protestar das galerias. Antecipando-o, discursou o deputado (não cabo) Júlio. O que poderia ele dizer, diante de um quadro estranho, pintado pelo seu governo e prejudicial à PM ? “Chutou o balde” e, corajosamente, assumiu uma postura mais condizente com a oposição, criticando vigorosamente sua administração, ele que é vice-líder do governo na Casa Legislativa. Exagerou nas ameaças, relembrando manifestações de 1997, onde faleceu, vitimado por um tiro, saído não se sabe de onde, o cabo Valério, num capítulo de terror por nós vivido. - Vai correr sangue! Vociferou, o parlamentar, numa intransigência bem acima de suas possibilidades de liderança. Coisa de político sem recursos pessoais mais civilizados.

O deputado Rodrigues, seu desafeto, perdeu o chão. Tiraram seu palanque e ele - vamos no popular -  escafedeu-se. Levantou e foi embora. O governador Pimentel teve que voltar atrás em seu programa de contingenciamento. Pelas redes sociais fez um discurso meio “sem sal” e ficou o dito pelo não dito. Ele que já está cheio de problemas, como o parcelamento de salário dos servidores e com as promessas não cumpridas, feitas, na campanha, para os professores, mais ainda, processado por isto e por aquilo, teve que fazer o exercício de genuflexão. E, no” batido dessa lata”, é bom ele se “encostar” em assessores que não o coloquem nessas “frias”. Ou então, que lhe presenteiem com almofadas macias. Pode ter sérios problemas nos joelhos e outras escoriações!

Em relação a mudanças, a coisa fica difícil. Muito difícil. Todos nós sabemos que é necessária a substituição de “peças” estragadas, viciadas, desonestas e imprestáveis do nosso sistema político. Mas, assim como muitos motoristas, nós brasileiros temos o péssimo defeito de não dar muita atenção à manutenção de nossos veículos. Usamos pneus refrisados, peças de desmonte, sem condições de segurança, direção com folga, suspensão irregular e até produtos de origem duvidosa. Ainda não nos acostumamos com a idéia mais civilizada e segura da utilização do “recall”. Passamos da hora!