Wilalba F. Souza 02 de junho de
2017
Em todas fases sua história, desde o
descobrimento, nossas Minas Gerais sempre tiveram, senão o papel principal,
importante participação, na vida brasileira, a partir de suas riquezas
naturais, em relevo suas minas de ouro, de onde os dominadores portugueses
sugaram o que puderam, ao longo de séculos. E a Inconfidência Mineira,
movimento de revoltosos, contra a “derrama” do rico metal amarelo, espécie de
estopim libertário lá do longínquo 1789, nos legou nomes como Joaquim José da
Silva Xavier, o Tiradentes, Cláudio Manoel, Thomaz Antônio Gonzaga, Padre Rolim
e outros. Esses senhores povoaram, por anos a fio, os livros de nossos bancos
escolares, eles que, na idade média, já sonhavam em criar uma república por
aqui.
Tiradentes foi enforcado pelos
portugueses da coroa, esquartejado e seus membros distribuídos entre Ouro Preto
(antiga capital) e Rio de Janeiro. Dão conta que um de seus pedaços ficou
exposto em Barbacena, exatamente onde hoje se situa a Igreja do Rosário, bem no
centro da cidade. Esqueceram, pelo menos por aqui, do nosso mártir, mas
comemoram, todos os anos, com toda a pompa, o “Dia da Vitória”, na pracinha em
frente, denominada dos Expedicionários, na data do encerramento da 2ª. Guerra
Mundial! O 21 de abril, Dia da Inconfidência Mineira, só é levado em conta numa
solenidade, em Ouro Preto,
usado de maneira deletéria como encontro político partidário da legenda que
patrocinou a eleição do Governador. Uma pena deturparem nossas referências de
heroísmo e de sacrifício com tão baixos objetivos.
E os compêndios, ao longo desses anos
todos, relataram a saga nacional para conquistar sua independência, sua
proclamação da república e a formação de uma consciência democrática, como o
advento do voto livre, inclusive para as mulheres. Grandes nomes mineiros se despontaram
por esses caminhos, às vezes tortuosos, por esses três, quatro centenas de anos,
ou mais. O século XX, talvez, e também pelo desenvolvimento dos meios de
comunicação social, nos apresentou grandes mineiros, em tempos de uma novíssima
república, “peitada” por disputas políticas, quando foi ameaçada por regimes de
força que, enquanto puderam, mandaram e desmandaram nesta Pátria. Recorrendo à
memória, vamos nominar algumas das
cabeças políticas de especial destaque que por aqui popularam: José Maria
Alkmin, Israel Pinheiro, José Bonifácio de Andrada, Tancredo Neves, Magalhães
Pinto, Crispim J. Bias Fortes, Afonso Pena, Juscelino Kubitschek, Milton
Campos, Gustavo Capanema, Afonso Arinos, etc etc.
É cultural, Em Minas, nunca faltaram
candidatos de peso para disputar eleições, em qualquer nível. Infelizmente o
período pós regime militar não nos fez muito bem, nesse aspecto, senão vejamos
alguns dos nossos ex-governadores mais recentes, como Hélio Garcia, Newton
Cardoso, Eduardo Azeredo, Itamar Franco, Aécio Neves e Antônio Anastasia. Esses dois por longos quinze/dezesseis anos.
A isto eu chamo dose pra leão. Como administrador, homem honesto, de
princípios, dessa turma, sobrou o “velho” Itamar. O resto, eu mesmo pergunto, o
que fez? Montou crises! Uma decepção total. O atual, Pimentel, está todo
enrolado em problemas pessoais, processos por corrupção e com o estado de coisa
deixado pela dupla Aécio/Anastasia. E o que é pior, se fizermos uma pesquisa,
dentre a população, ninguém saberá indicar um nome para o governo. Simplesmente
a política e os políticos mineiros escafederam-se. Apequenaram-se! Um absurdo o
que ocorre com nosso Estado. Onde vai se enfiar o ex-senador Aécio, dito Neves.
Evaporou, protagonista de uma confusão dos demônios, por causa de trocados.
Virou um farrapo de homem, derrotado e desmoralizado que, há pouco tempo, seria
esperança mineira e brasileira para o povo.
Enfim, os políticos mineiros foram
defenestrados da Câmara e do Senado. Não por seus pares, mas por eles mesmos.
Não existe, e não se assiste, pelas tribunas, nos debates de interesse nacional,
um mísero mineiro, de média capacidade, com mandato, que tenha peso e recursos
para se destacar naquele mar de iniqüidades onde, há poucos anos, todos se
calavam para ouvir um Tancredo Neves, um Juscelino e outros de igual estatura, responsabilidade
e discernimento, no trato da coisa pública. Nossa triste conclusão é que Minas
Gerais está, definitivamente, afastada do processo decisório no país. Nosso
Estado está calado, de luto, tendo em vista a pequenez do que sobrou, na terra
de João Guimarães Rosa, Carlos Drummond de Andrade, Pedro Nava, Rubem Fonseca e
outros que testemunharam a caminhada vitoriosa de mineiros históricos, infelizmente,
desaparecidos. Da nova geração, pelo visto, até agora, há quase nada
aproveitável. Oh, Minas Gerais! E pensar que daqui saíram importantes decisões
de interesse da nossa grande Nação Brasileira!