Wilalba F. Souza
15/Dez/2017
Um famoso analista político, da TV
Globo, anualmente faz passeios pelo exterior e relata suas experiências
adquiridas nessas viagens. Este ano ele foi a Portugal e, extasiado, teceu
rasgados elogios à “terra mãe”. Falou sobre a cultura dos “patrícios” e do
esforço que lá se faz para manterem suas tradições. Retornando à terrinha, caiu
na realidade ao se reencontrar com nossa desorganização urbana, exponenciada pela
barulheira promovida por quem “equipa” seus veículos com sons especiais,
trafegando a todo volume, embora haja legislação que regula o assunto e proíbe
abusos. Realmente incomoda, e como!!!
Um vizinho meu, bom rapaz, pacífico, tem
um automóvel Chevrolet, já bem velho, caidinho mesmo. Tem o costume de deixá-lo
na frente da sua casa, morro abaixo, porque ele costuma não querer “pegar” pela
manhã, então só lhe resta soltá-lo e fazê-lo funcionar no “tranco”. Há uns
trinta dias percebi uma zoeira dos demônios na minha porta e, indo até lá,
“flagrei” o moço “botando pra quebrar” uma aparelhagem possante que colocara em
seu veículo, como disse, necessitando de reparos. Em suma, esses perturbadores
do sossego alheio gastam dinheiro para infernizar a vida dos outros e deixam
seus carros caindo aos pedaços. Depois de um minuto de educada conversa, prometeu-me
não fazer mais aquilo, mesmo porque, ali perto, há idosos e doentes, aos quais
temos que dedicar nossos respeitos.
Embora não seja lá muito severa, a lei
permite que os agentes abordem os infratores. Mas devo afirmar, convictamente,
que nunca assisti tais empenhos por parte da polícia. O ritual é tão complexo
que pro agente da lei, é melhor deixar pra lá. Sua palavra vale pouco, seu
testemunho é nulo e sua autoridade “insuficiente” pra ditar qualquer
recomendação. Isto é Brasil. Assim, essa turma do barulho desfila, pra baixo e
pra cima, com suas fábricas de zoeira, sem que ninguém a incomode. Mas, falando
de incômodo, em nossa cidade há uma permissividade total e oficial pra isso.
Basta pedir um alvará às autoridades competentes e “tocar” som nas caixas.
Festas de igrejas, casas de show e similares impõem o terror em cima da população,
sem dó ou piedade, sem horário pra começar ou terminar. E tem mais, não adianta
ligar pra polícia, de onde vem a resposta: - Caro senhor, nada podemos fazer,
eles têm autorização e, além disso, mesmo com a perturbação do sossego alheio,
seríamos acusados por abuso de autoridade. Trata-se de uma ação particular e
cada um, se achando prejudicado, tem que registrar um boletim de ocorrência, a
“posteriori” e encaminhar uma ação na justiça.
Imaginem!!!
Há duas semanas, partindo da Villa
Gorini (casa de festas), um escandaloso som, de show a céu aberto, vindo de
suas instalações, longe, do outro lado da BR 040 (moro na Boa Vista-Barbacena),
começou às 17 horas, numa sexta feira, e se encerrou às cinco horas da manhã, no
sábado. Passei a noite sem conseguir dormir, pois as potentes caixas de som
pareciam estar dentro de minha casa. Recentemente, numa cidade dos Estados Unidos,
uns artistas brasileiros, que se apresentavam em espaço público, receberam
determinação da polícia para desligar os equipamentos. Usaram de autoridade
para cessar o “espetáculo”, tendo em vista o incômodo que estava submetido quem
queria dormir e, ponto final. Em Barbacena já ouvi de um juiz de direito que,
nos fins de semana, ele tinha que ir pro banheiro, com as filhas pequenas, para
evitar a zoeirada, vinda de um “point” perto do prédio onde morava; e escutei,
de um coronel, comandante da PM, que ele era obrigado a dormir na sala, pois na
casa de festas, situada a uns mil metros de onde mora, as baladas costumam começar
na quinta feira, à noite, encerrando-se no sábado, lá pela hora do almoço!!! E
assim funciona por aqui! Retiraram toda a autoridade dos agentes na ponta da
linha, inviabilizando a atuação de quem poderia evitar o crescimento de tantas
e tantas conexões marginais, que vão de simples contravenções a crimes de real
gravidade.
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