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terça-feira, 23 de janeiro de 2018

A cada enxadada, uma minhoca!!!


Wilalba F Souza                                               23 de janeiro 2018

Tenho um companheiro com quem, quase que diariamente, me encontro e bato um papo. Normalmente conversamos sobre assuntos sem importância, coisa de pouca valia, apenas para jogar conversa fora. E isto é muito bom. Primeiro combinamos marcar uma pescaria, fora do período do defeso, época de reprodução dos peixes. Aqui, perto de Ibertioga, tem bons locais e dão muitos lambaris. Prefiro pescar com minhocas, disse eu, ao meu interlocutor, tendo ele respondido que no quintal de sua mãe tem uma horta e, a cada enxadada, consegue-se muita isca.  E, não sei porque, de uma hora pra outra ele passou a falar sobre problemas na administração penitenciária, em Barbacena. Aliás, há poucos dias, ao levar, até sua casa, uma senhora que presta serviços na minha residência, pelo caminho ela foi me contando sobre a ocorrência, naquele dia, de uma confusão no presídio da terrinha, mais objetivamente uma rebelião, resultando na morte de presidiários. A mãe de um interno, amiga dela, estaria preocupada, sem notícias do rapaz. Eu, por minha vez, já acostumado às crises em cadeias e penitenciárias, noticiadas por todo Brasil, ouvi calado, mais um relato de desarranjos no sistema.

Coincidentemente, hoje, o velho amigo acima citado, disse-me algo sobre o assunto o que, de certa forma, completou e esclareceu algumas realidades desses comentários. A bem da verdade nada teria ocorrido, ligado a rebelião ou problema em presídio, que não fosse a presença de uma equipe, da secretaria própria, vinda de Belo Horizonte, para verificar possíveis desvios comportamentais de agentes, que estariam cobrando propina de presos, em troca de favores e outras benesses que as normas proibiam. Por isso, há dias, a tal enorme movimentação, penso eu, que dera causa às boatarias, eis que, pela imprensa, nada foi divulgado, sobre evento de maior  gravidade, conforme se propalara. Certo é que, segundo meu amigo, foram afastados doze agentes concursados, em tese moldados às necessidades do Estado.

Infelizmente, de alto a baixo, é o que se vê, é o que já virou rotina, odiosa, odienta, e a isto estamos nos acostumando. Semana passada veio à tona as negociatas promovidas por gestores da Caixa Econômica Federal, uma instituição pública, historicamente respeitada e de importância para fomento, também, da nossa economia. Muitos desvios, já rastreados e comprovados pela Polícia Federal, com o afastamento de executivos, nomeados politicamente, para altos cargos, envolvidos até o pescoço, num episódio comparado, até, às “petroroubalheiras”. Pior, já querem diminuir o tamanho da instituição financeira. E pra não dizerem que não falei de flores, depois de achar que o governo estava bonzinho conosco, por baixar o preço do DPVAT (seguro obrigatório veicular), nos chega a informação de que a tal “superpoderosa” seguradora Líder – chefe de uma pool de co-irmãs menores – “enfiou a mão”, nos donos de veículos, durante esses anos todos, fazendo uma festa “doida” com esse dinheiro fácil, certamente distribuído a alguém mais poderoso ainda. Há dois anos pagávamos mais de cem reais por ano. Em 2018 essa taxa baixou pra mais ou menos quarenta e cinco reais. É só procurar que a polícia acha! Não sou bom pescador, mas haja enxada!!!

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Economia, imoralidade e eleições



Wilalba F. Souza                                                              05/Jan/18


Falar de economia, em qualquer nível, é sempre difícil. Nós, que temos automóvel, ou qualquer outro veículo de transporte, individual, ou não, temos assistido os constantes aumentos dos preços dos combustíveis, um dos fatores que mais incidem, penso eu, no cálculo da inflação, que, segundo as fontes governamentais, está “dentro da meta” e é uma das mais baixas dos últimos anos. E não precisa, qualquer cidadão mais atento, pensar muito para concluir que metodologias existem e são aplicadas para minimizar a escalada dos preços, embora saibamos que o desemprego tem altas taxas e muitos estados estão em débito com salário de servidor. O Rio de Janeiro estará pagando, por esses dias, o mês de novembro, do ano passado e nada fala do “décimo terceiro” e do mês de dezembro, que terminou. E, assim, de modo geral, tem sido administrada a máquina pública deste nosso país, com ex-governadores,   ex-presidente, ex-ministros e empresários, processados ou presos por desvios os mais absurdos. Não temem a lei, se consideram blindados contra isto e mais gente corrupta devia estar trancafiada.

No Estado do Rio Grande do Norte a Polícia Militar está em greve. Ouvi hoje, numa emissora de rádio de alcance nacional, por causa de atraso em seus soldos nos últimos três meses, segundo o presidente de um sindicado que, ao que parece, representa a classe. A Polícia Civil segue na mesma toada e, certamente, a grande massa dos servidores públicos daquele pequeno, mas bonito, estado nordestino, penalizada até de maneira mais severa.  A administração governamental não sabe o que fazer, enquanto parcas tropas do Exército tentam amenizar o problema de segurança pública, com aumento de crimes, sem muito sucesso. E o dito sindicato afirma que, mesmo que quitem os atrasados, os efetivos não retornarão às ruas, pois os PM estão com viaturas e equipamentos defasados. Bem, o pessoal está aquartelado, portando fazendo expediente, esperando alguma providência, dentro do que é solicitado. Militar não pode fazer greve, ou ter sindicato. Mas fazem paralisações e se sindicalizam. Simplesmente, e neste caso, os políticos de plantão preferem fechar os olhos. A justiça determina que voltem ao patrulhamento, e não é obedecida. Ponto final! E mais, operações padrão não dependem de sindicatos e surgem naturalmente com o aparecimento de um líder qualquer, de dentro ou fora!

Uns amigos meus estiveram, há pouco, no balneário de Guarapari, excelente lugar para se curtir um sol, durante as férias. O pessoal afirmou que nunca viu tanta gente por lá, mesmo no fim de ano. O movimento extrapolou todas as expectativas. Notícias de Cabo Frio, uma das praias mais procuradas do Brasil, destacam idêntico fenômeno. E aí fica até fácil de explicar que, no setor privado, as coisas estão funcionando, a despeito do vento contrário soprado pelas intervenções, mais que sórdidas, do poder público. O déficit do orçamento brasileiro, homologado estes dias pelo presidente, vai a mais de 160 bilhões de reais. É uma pedalada legal, aprovada mais por achegos politiqueiros e menos por medidas de contenção de despesas, que impediriam a farta distribuição de cargos e emendas orçamentárias moralmente reprováveis. Os ministérios – em grande número – estão sendo “rateados” à margem das práticas de honestidade, pundonor e correção moral. Senão vide a nomeação da filha deputada do ex (?) deputado Roberto Jefferson, possuidor de uma vasta ficha pregressa de mal feitos, para ministra do trabalho, mesmo já existindo processos contra ela, também, em rumorosos casos de desvio comportamental. Neste ano eleitoral, o “tacho vai ferver”!