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segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Farinha pouca, meu pirão primeiro...



Wilalba F. Souza                                        10/Ago/2018

O Brasil é um dos países mais bem situados, territorialmente, deste nosso planeta Terra. Isto tem sido cantado em prosa e verso, desde seu descobrimento, a partir de 1500, por desbravadores portugueses, em tempos de pioneirismo, conquistas de novos espaços e riquezas, de nações que se despontaram nas navegações. Nesse aspecto os “patrícios” foram pródigos, ao lado de Espanha, Inglaterra, França e Holanda, que andaram se digladiando por essa imensa área privilegiada. E Portugal levou a melhor, carregando farta quantidade de ouro, principalmente, até que sua coroa, expulsa de Lisboa pelos franceses, de Napoleão Bonaparte, que impuseram um bloqueio total na Europa, e aqui, na sua maior colônia, aportou. Era início do século XIX. Começou, ali, a construção da pátria brasileira; o surgimento de uma das maiores nações do mundo. E os desbravadores portugueses, em sua descoberta, quase três séculos antes, comunicaram à longínqua Portugal, via carta de Pero Vaz de Caminha: “Por aqui, tudo se plantando dá” Pura verdade! Do bom e do ruim!!!

Em 1822 veio a independência. D. Pedro de Alcântara, que virou D. Pedro I, se negou a voltar pra Portugal, resolvendo organizar seu legado, começando pela edição de sua norma maior, a Constituição e de leis ordinárias, exigências de um país independente. Até a proclamação da república passaram-se, relativamente, poucos anos: sessenta e sete, para ser exato. Entretanto, para nossa infelicidade, nunca tivemos grandes espaços temporais de desenvolvimento e paz. Senão percorramos os livros que registraram nossa história, marcada por instabilidade econômica e conflitos internos, igualzinha à maioria dos países sul-americanos. Muita confusão nos tempos de Deodoro e Floriano, com violentas batalhas fratricidas no sul. Logo em seguida as disputas pelo poder, encetadas por Getúlio, na década de 30, época da famosa Coluna Prestes, que teria sido eleito presidente, mas impedido de assumir o governo. E depois de anos de ditadura, na década de 40, o próprio Getúlio foi “destronado”, mediante mais uma crise interna. Populista eminente, Vargas retornou, eleito e reconduzido ao Palácio do Catete, Rio de Janeiro, nos braços povo, isto em 1950. E com mais desarranjos, que culminaram com seu rumoroso suicídio, em 1954, rodeado de uma série de escândalos.

Depois de Juscelino, construtor de Brasília e da indústria automobilística (1958/1962), chegaram Jânio Quadros - o da vassoura - que renunciou - e seu vice, “Jango” Goulart. Aí aconteceu a “Revolução de 64”, apoiada pela população e pelo Congresso. Confusão pura, que nos remetem à influência da Guerra Fria, disputada entre as grandes potências mundiais, Estados Unidos e União Soviética, opostas em relação ao capitalismo/democracia X comunismo/domínio do proletariado. Os militares governaram por 18 anos, até que os políticos, com sua aquiescência, instalaram as “diretas já”, elegendo, nos anos 80, por Colégio Eleitoral, Tancredo Neves. Adoentado, faleceu antes de assumir, dando protagonismo ao vice-presidente, José Ribamar Sarney, o rei dos “planos econômicos” malfadados. Em seguida foi para a presidência o “caçador de Marajás”, Fernando Collor, cassado por conta de uma Fiat Elba, de origem mal explicada e também por ter congelado e se apropriado dos recursos bancários do povo correntista. Coisa dele e de uma tal de ministra Zélia, um terror, vejam só!!! Mais uma vez o substituto foi o vice, Itamar Franco, cuja maior virtude eram a  temperança, o equilíbrio e a prudência, pois chamou para seu lado excelentes assessores, dentre eles Fernando Henrique Cardoso.  Essa dupla deu ao Brasil, por uma década ou mais, alguma paz. Acabou com a inflação, saneou as contas públicas, conseguindo um quase milagre: a estabilização da moeda. Mas, claro, nem tudo é perfeito. Para chegar lá, ofereceu, também, algumas dificuldades. Uma delas? O malfadado fator previdenciário, que corrói, até hoje, as pensões e aposentadorias.

Mas, colocando prós e contras na balança, o povão preferiu se iludir com as facilidades prometidas, de pés juntos, por Luís Inácio, o Lula, pobre que se gabava ser honestíssimo retirante nordestino. Líder trabalhista, sonhador, mas, infelizmente, culturalmente paupérrimo, arreganhou os cofres, distribuiu benesses a torto e a direito, pra dentro e pra fora conseguindo permanecer no topo do prestígio político por 12 anos, ou mais. Isto porque influenciou na eleição de Dilma Rousseff, técnica de cintura muito dura para presidir. E pior, após a farra de desperdício promovida por seu mentor, a economia já estava indo pro vinagre. A Petrobras, a Eletrobrás e outras estatais haviam sido, literalmente, saqueadas, irremediavelmente. Aí a Polícia Federal achou a ponta da linha da corrupção, iniciada por Zé Dirceu, aos pés de Lula, em 2002, com o ”mensalão” e, mais tarde, sendo exitosa na famosa e adorada “Operação Lava-jato”. A Justiça pôde, então, embasada nos processos instaurados pela Polícia Federal e pelo Ministério Público, colocar muita “gente boa” na cadeia, inclusive Lula, hoje prisioneiro candidato, registrado, postulante e interessado em se sentar, outra vez, gente, na cadeira mais importante de nossa república.

Dilma, cassada por má gestão, com motivação política, flana por aí, candidata ao senado, e por Minas, onde nunca esteve. Não desiste. Seu sucessor, Temer, vai, a trancos e barrancos, tentando levar esse barco adernado até o final do ano, totalmente eleitoral, ou eleitoreiro, equilibrando-se entre os sérios problemas econômicos, a inércia do Congresso e o avanço autoritário do Supremo Tribunal Federal, politizado pelas indicações presidenciais, de senhores despreparados para o exercício na corte suprema do país. Se imiscuem, esses juízes, em tudo, desde a questão do aborto, à quantidade de açúcar nos refrigerantes. Alteram a Constituição ao seu bel prazer. Por esses dias, decidiu, esse Supremo, que qualquer pessoa, mesmo tendo nascido homem pode, se quiser, mudar, no registro e na identidade, seu gênero de nascimento. Se, tendo órgão sexual masculino, decide se declarar mulher, está tudo certo. Incrível! Desta maneira, assumiram um grotesco protagonismo republicano, relembrando antigas profecias, que anunciaram o advento dessa verdadeira ditadura do judiciário, encabeçada pela sua mais alta corte. Concedem Habeas Corpus em profusão, ao arrepio das leis e, principalmente, travando a persecução da justiça contra malandros engravatados da política e do empresariado, não desgarrando os olhos de seus umbigos. E, vejam bem, em situação de extrema dificuldade financeira nacional, se concedem aumentos, debochando do povo brasileiro. Um deles, o tal de Tófolli, ao se agarrar à indecente benesse, declarou, em alto e bom tom, que os bilhões recuperados pela Operação Lava-jato dão para cobrir, com sobra, aquela reposição salarial (?), irradiadora de perverso efeito cascata, devassador às combalidas contas públicas. Uai, então que se dê aumento para a Polícia Federal e seus agentes, que se superaram e, verdadeiramente, recuperaram o produto dos crimes, e não a esses magistrados que, agindo politicamente, são pródigos em atender os desejos libertários de ricaços e poderosos, assaltantes do erário! É, tem jeito, não.