Wilalba
F. Souza 10/Ago/2018
O Brasil é um
dos países mais bem situados, territorialmente, deste nosso planeta Terra. Isto
tem sido cantado em prosa e verso, desde seu descobrimento, a partir de 1500,
por desbravadores portugueses, em tempos de pioneirismo, conquistas de novos
espaços e riquezas, de nações que se despontaram nas navegações. Nesse aspecto
os “patrícios” foram pródigos, ao lado de Espanha, Inglaterra, França e
Holanda, que andaram se digladiando por essa imensa área privilegiada. E
Portugal levou a melhor, carregando farta quantidade de ouro, principalmente,
até que sua coroa, expulsa de Lisboa pelos franceses, de Napoleão Bonaparte,
que impuseram um bloqueio total na Europa, e aqui, na sua maior colônia,
aportou. Era início do século XIX. Começou, ali, a construção da pátria
brasileira; o surgimento de uma das maiores nações do mundo. E os desbravadores
portugueses, em sua descoberta, quase três séculos antes, comunicaram à longínqua
Portugal, via carta de Pero Vaz de Caminha: “Por aqui, tudo se plantando dá”
Pura verdade! Do bom e do ruim!!!
Em 1822 veio
a independência. D. Pedro de Alcântara, que virou D. Pedro I, se negou a voltar
pra Portugal, resolvendo organizar seu legado, começando pela edição de sua
norma maior, a Constituição e de leis ordinárias, exigências de um país
independente. Até a proclamação da república passaram-se, relativamente, poucos
anos: sessenta e sete, para ser exato. Entretanto, para nossa infelicidade,
nunca tivemos grandes espaços temporais de desenvolvimento e paz. Senão
percorramos os livros que registraram nossa história, marcada por instabilidade
econômica e conflitos internos, igualzinha à maioria dos países sul-americanos.
Muita confusão nos tempos de Deodoro e Floriano, com violentas batalhas fratricidas
no sul. Logo em seguida as disputas pelo poder, encetadas por Getúlio, na
década de 30, época da famosa Coluna Prestes, que teria sido eleito presidente,
mas impedido de assumir o governo. E depois de anos de ditadura, na década de
40, o próprio Getúlio foi “destronado”, mediante mais uma crise interna.
Populista eminente, Vargas retornou, eleito e reconduzido ao Palácio do Catete,
Rio de Janeiro, nos braços povo, isto em 1950. E com mais desarranjos, que
culminaram com seu rumoroso suicídio, em 1954, rodeado de uma série de escândalos.
Depois de
Juscelino, construtor de Brasília e da indústria automobilística (1958/1962), chegaram
Jânio Quadros - o da vassoura - que renunciou - e seu vice, “Jango” Goulart. Aí
aconteceu a “Revolução de 64”,
apoiada pela população e pelo Congresso. Confusão pura, que nos remetem à
influência da Guerra Fria, disputada entre as grandes potências mundiais, Estados
Unidos e União Soviética, opostas em relação ao capitalismo/democracia X comunismo/domínio
do proletariado. Os militares governaram por 18 anos, até que os políticos, com
sua aquiescência, instalaram as “diretas já”, elegendo, nos anos 80, por Colégio
Eleitoral, Tancredo Neves. Adoentado, faleceu antes de assumir, dando
protagonismo ao vice-presidente, José Ribamar Sarney, o rei dos “planos
econômicos” malfadados. Em seguida foi para a presidência o “caçador de Marajás”,
Fernando Collor, cassado por conta de uma Fiat Elba, de origem mal explicada e
também por ter congelado e se apropriado dos recursos bancários do povo
correntista. Coisa dele e de uma tal de ministra Zélia, um terror, vejam só!!! Mais
uma vez o substituto foi o vice, Itamar Franco, cuja maior virtude eram a temperança, o equilíbrio e a prudência, pois
chamou para seu lado excelentes assessores, dentre eles Fernando Henrique
Cardoso. Essa dupla deu ao Brasil, por
uma década ou mais, alguma paz. Acabou com a inflação, saneou as contas
públicas, conseguindo um quase milagre: a estabilização da moeda. Mas, claro,
nem tudo é perfeito. Para chegar lá, ofereceu, também, algumas dificuldades.
Uma delas? O malfadado fator previdenciário, que corrói, até hoje, as pensões e
aposentadorias.
Mas,
colocando prós e contras na balança, o povão preferiu se iludir com as facilidades
prometidas, de pés juntos, por Luís Inácio, o Lula, pobre que se gabava ser
honestíssimo retirante nordestino. Líder trabalhista, sonhador, mas,
infelizmente, culturalmente paupérrimo, arreganhou os cofres, distribuiu
benesses a torto e a direito, pra dentro e pra fora conseguindo permanecer no
topo do prestígio político por 12 anos, ou mais. Isto porque influenciou na
eleição de Dilma Rousseff, técnica de cintura muito dura para presidir. E pior,
após a farra de desperdício promovida por seu mentor, a economia já estava indo
pro vinagre. A Petrobras, a Eletrobrás e outras estatais haviam sido,
literalmente, saqueadas, irremediavelmente. Aí a Polícia Federal achou a ponta
da linha da corrupção, iniciada por Zé Dirceu, aos pés de Lula, em 2002, com o
”mensalão” e, mais tarde, sendo exitosa na famosa e adorada “Operação Lava-jato”.
A Justiça pôde, então, embasada nos processos instaurados pela Polícia Federal
e pelo Ministério Público, colocar muita “gente boa” na cadeia, inclusive Lula,
hoje prisioneiro candidato, registrado, postulante e interessado em se sentar,
outra vez, gente, na cadeira mais importante de nossa república.
Dilma, cassada
por má gestão, com motivação política, flana por aí, candidata ao senado, e por
Minas, onde nunca esteve. Não desiste. Seu sucessor, Temer, vai, a trancos e
barrancos, tentando levar esse barco adernado até o final do ano, totalmente
eleitoral, ou eleitoreiro, equilibrando-se entre os sérios problemas econômicos,
a inércia do Congresso e o avanço autoritário do Supremo Tribunal Federal, politizado
pelas indicações presidenciais, de senhores despreparados para o exercício na
corte suprema do país. Se imiscuem, esses juízes, em tudo, desde a questão do
aborto, à quantidade de açúcar nos refrigerantes. Alteram a Constituição ao seu
bel prazer. Por esses dias, decidiu, esse Supremo, que qualquer pessoa, mesmo
tendo nascido homem pode, se quiser, mudar, no registro e na identidade, seu
gênero de nascimento. Se, tendo órgão sexual masculino, decide se declarar
mulher, está tudo certo. Incrível! Desta maneira, assumiram um grotesco
protagonismo republicano, relembrando antigas profecias, que anunciaram o
advento dessa verdadeira ditadura do judiciário, encabeçada pela sua mais alta
corte. Concedem Habeas Corpus em profusão, ao arrepio das leis e,
principalmente, travando a persecução da justiça contra malandros engravatados
da política e do empresariado, não desgarrando os olhos de seus umbigos. E,
vejam bem, em situação de extrema dificuldade financeira nacional, se concedem
aumentos, debochando do povo brasileiro. Um deles, o tal de Tófolli, ao se
agarrar à indecente benesse, declarou, em alto e bom tom, que os bilhões
recuperados pela Operação Lava-jato dão para cobrir, com sobra, aquela
reposição salarial (?), irradiadora de perverso efeito cascata, devassador às
combalidas contas públicas. Uai, então que se dê aumento para a Polícia Federal
e seus agentes, que se superaram e, verdadeiramente, recuperaram o produto dos
crimes, e não a esses magistrados que, agindo politicamente, são pródigos em
atender os desejos libertários de ricaços e poderosos, assaltantes do erário!
É, tem jeito, não.
Nenhum comentário:
Postar um comentário