Wilalba
F. Souza 14/Set/2018
Há uns vinte
dias, ou pouco mais, por culpa, ou não, das “otoridades”, ditas competentes,
passei a noite em claro porque, em um local, onde fizeram uma casa de festas,
aliás conhecida, na terrinha, pelo simpático nome de Espaço Gorini, armaram um
palanque, a céu aberto, com potentes caixas viradas para o centro da cidade,
e... dá-lhe rock in roll, sem piedade dos habitantes, até o amanhecer. Centenas
de vítimas telefonam para a polícia que, educadamente, responde: - cidadão,
eles têm um alvará. Nada podemos fazer! Êta
documento poderoso! O culpado sou eu que moro por ali há mais de vinte anos!
E é assim,
por todas bandas brasilis. Uma cultura deletéria, em desfavor de um povo
permissivo, por acuado e medroso, incapaz e impotente para exigir seus direitos
mais comezinhos, preferindo perder o sono e a saúde. No ano passado, na avenida
de entrada de nossa cidade, um motociclista atropelou um senhor, num impacto
tão forte que ele foi arremessado longe, sendo-lhe arrancada uma perna. Já caiu
distante, fulminado. Seu atropelador também faleceu, ao bater a cabeça, mesmo
protegida pelo capacete, na guia da calçada. Concluíram, muitos “peritos
palpiteiros” e comentaristas autônomos, que o atropelado estava bêbado, no meio
da pista. Era o culpado. Mas, pergunto como, se o motociclista pilotava a uns
cento e sessenta por hora, a possante máquina, numa via urbana, de velocidade
limitada a 50 Km
por hora? Não tem graça dizer, mas as motos super-potentes, montadas por gente
de miolo mole, continuam apostando corrida pelas nossas avenidas.
No início da
semana passada foi a vez de um colega, sargento da Polícia Militar que,
abalroando, com sua motocicleta, um veículo que saia de uma via transversal,
foi a óbito. Mais uma vez, elegeram o culpado: um senhor idoso que dirigia seu
carro e não parou na esquina. Só que, ainda, acho ser a conclusão precipitada,
embora não descartando qualquer hipótese, até uma decisão oficial. Também
dirijo e sei das minhas dificuldades, de muitos motociclistas e motoqueiros, neste
trânsito maluco. Mas, não poucas vezes, em situação idêntica, já parei em
cruzamento e, observando a pista livre, arranquei, quando, inopinadamente,
surgiu uma motocicleta em alta velocidade, com sua buzina estridente, como que
gritando: - mais cuidado, cara, some, veloz.
Motociclistas/motoqueiros são campeões
de imprudência. O número de mortes, deles, no trânsito, é assustador.
Traçando um paralelo,
nestes dias de campanha eleitoral, num Brasil conturbado por crises sequenciais,
lembro que, há uns seis meses, assassinaram uma vereadora no Rio de Janeiro.
Quem minimamente lê jornais, vê televisão ou tem um andróide, sabe de “cor e
salteado” toda a história. Foi armada uma tocaia fatal que ceifou a vida da
mulher e de seu motorista. O clamor liderado por setores da imprensa cobra
resultado das apurações, a cargo da Polícia Carioca, até hoje. Nada se divulga,
a respeito.
Na semana
passada, na vizinha Juiz de Fora, um indivíduo, durante uma passeata política,
avançou entre apoiadores e seguranças do candidato à Presidência da República,
Jair Bolsonaro, ferindo-lhe, gravemente, com uma faca. Prostrado, nos braços de
admiradores, foi hospitalizado. Está lá até hoje. O criminoso foi preso,
autuado em flagrante delito, encarcerado e isolado. O exercício democrático e a
disputa político-partidária, ficaram ensangüentados, doentes, viciados e, acima
de tudo, prejudicados. E, tendo em vista que Bolsonaro é a favor de concessão
de porte de armas para o cidadão, mediante seleção e justificativa, já aparece
quem o culpe pelo sério incidente. Quanto ao agressor, já o aparelharam com
excelentes advogados e, até hoje, estamos sem qualquer explicação do poder público,
via Polícia Federal. Não consigo entender... É uma insanidade avassaladora!
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