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terça-feira, 27 de novembro de 2018

Quadrilhão




Wilalba F. Souza                                                    17/Nov/2018
  

Há pouco mais de dois anos Dilma Rousseff foi destituída, pelo Congresso Nacional, de seu posto como presidente do país. País que ela e seu antecessor conseguiram desorganizar, nos quatorze anos que “fizeram e aconteceram”, ajudados, claro que não graciosamente, por colegas políticos, empresários e assessores próximos, competentes para ditar rumos, certos ou errados, a depender dos desejos de seus chefes.

O vice-presidente, Michel Temer, apenas mais um naquela “emboleira” toda, saiu do quase anonimato para encarar aquele leme, aquele volante. Feliz e empinado, renovou o uniforme, digo, os ternos. No início, ainda que desconfiado, pus certa fé nele, ele que dera a entender que tentaria, pelo menos, manter o barco no rumo, mesmo sabedor que nossa economia estava, como ainda está, mais desorganizada que fila na entrada de boate da periferia. Mas, sem outra opção, passamos a torcer, porque, num primeiro momento, conseguiu, até, conter as despesas.

Num belo dia, como um tsunami imprevisto, aparece o tal Wesley. Aliás, surgem dois irmãos! O outro de nome Joesley, dupla riquíssima, dona de uma cadeia de frigoríficos. Wesley, segundo o noticiário, foi recebido pelo Temer na casa oficial… na calada da noite. E gravou toda a conversa com um aparelhinho comprado, certamente, em alguma feira de eletrônicos. E esse papo dos dois “rolou”, pra baixo e pra cima, via mídia em geral. Um diálogo estranho, ininteligivel, mas que deu pra deduzir: conversa de dois corruptos.

Por fim, os dois irmãos ganharam perdão, por causa da famosa delação, dita premiada e, como todo mundo sabe, foram pros “States” em baitas aviões! Não deixaram o chiquérrimo iate pra trás: levaram também. Mais tarde tiveram que voltar, reconduzidos pelo mesmo processo, mas andam por aí, soltinhos. Fizeram uma festa com muito dinheiro do BNDES, “comprando” representantes dos três poderes, logo… juntando-se a isto à tal de Lava-jato, percebe-se envolvida e abraçada, uma corriola poderosa.

Na condição de presidente Michel não pode ser processado, a não ser com autorização do Congresso, ou do Senado, logo “nadica” aconteceu. Mas, sem função, cai seu “foro privilegiado” e ele vai ter que responder a processo na Justiça nossa, dos mortais, a dita comum. Daí o nosso sentimento de que a quadrilha é poderosa e se ampara, pois…

Recentemente o STF (Supremo Tribunal Federal) decretou um aumento pra ele mesmo, com a ajuda de um Congresso moribundo, cheio de deputados e senadores enterrados até o pescoço na corrupção, que carimbou, na maior cara-dura, 16% de aumento para aquela “patota”, o que gerará, anualmente, despesa de 6 bilhões, numa reação em cadeia, num país que se acha em dificuldade. E a mesma turma pedindo paciência para o povo, porque a reforma previdenciária vem aí, rachando. Se ela não ocorrer, gritam esses indivíduos que nos dirigem, não vai ter dinheiro para pagar pensões e aposentadorias.

E aí, quem deveria vetar esse desastre seria Michel Temer. Muitos de nós tínhamos fé que ele, ao apagar das luzes de seu curto mandato, evitasse a despesa. Não fosse ele tão enrolado e necessitado dos tribunais, de todos os juízes, de qualquer instância, ou sua grande maioria, agradecida (assim ele espera) pela sua assinatura santa que liberou geral, irresponsável, insensível e perdulariamente. Mancha maior, pro Temer, que os “achegos” perpetrados junto aos irmãos metralhas, digo, os açougueiros de sobre nome Batista e outros menos votados.

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Nota de esclarecimento sobre os Conselhos do IPSEMG

Tem circulado nas redes sociais um vídeo em que o governador eleito, Romeu Zema, diz inverdades relativas aos conselheiros do Instituto de Previdência dos Servidores do Estado de Minas Gerais (IPSEMG) e a sua composição.

O IPSEMG esclarece que a autarquia possui três (03) conselhos: o Conselho de Beneficiários, o Conselho Deliberativo e o Conselho Fiscal, previstos no Decreto nº 47.345/18, dos quais fazem parte servidores representantes dos Poderes Legislativo, Judiciário e Executivo, além do Tribunal de Contas, Ministério Público e sindicatos das categorias. Todos os membros são indicados pelos próprios órgãos estaduais.

O Conselho de Beneficiários tem a participação de cinco (05) conselheiros e o mesmo número de suplentes. Todos servidores representantes dos Poderes Legislativo, Judiciário e Executivo, do Tribunal de Contas e Ministério Público.

O Conselho Deliberativo é composto por membros fixos, os quais são: Presidente do IPSEMG, que também preside o Conselho, diretores de saúde e de previdência da instituição e outros nove (09) conselheiros também indicados por suas entidades representativas.

O Conselho Fiscal é composto por membros fixos, os quais são: Presidente do Ipsemg, que também preside o Conselho, diretores de saúde e de previdência da instituição e três (03) dos segurados indicados por suas entidades representativas ao Conselho Deliberativo e eleitos entre eles.

É importante destacar também que a participação desses conselheiros não é remunerada e que a contribuição de cada um deles nos debates engrandece e fortalece a gestão do Instituto.

Portanto, não há porque falar em 540 conselheiros e muito menos indicação partidária.

É preciso deixar claro para a população mineira, e mais ainda para aquelas pessoas que contribuem mensalmente para o Instituto e nele depositam confiança para os momentos mais difíceis de suas vidas, que o IPSEMG é uma instituição centenária que tem por finalidade prestar assistência médica, hospitalar, farmacêutica e odontológica a seus mais de 875.000 beneficiários, além gerir o regime próprio de previdência dos servidores estaduais.

Seria interessante se o governador eleito, em respeito a esta importante parcela da população mineira, reconhecesse o equívoco provocado, talvez, pelo calor do momento eleitoral.  Publicado em 08/11/2018 16:52Disponivel em: http://ipsemg.mg.gov.br/ipsemg/portal/n/site/378990-nota-de-esclarecimento-sobre-os-conselhos-do-ipsemg/675/82

Sargento Lauro

Wilalba F. Souza                                                   12/Nov/2018

Nesses tempos agitadíssimos, de chegada ao poder dos políticos eleitos no mês passado, assisto futuras autoridades, que terão pesados encargos e responsabilidades sobre a máquina pública, já tão vilipendiada, apresentarem seus planos mirabolantes, maioria mal esboçados, a renegarem o que se construiu, de bom, até hoje, tentando jogar tudo na lixeira, por desconhecer a estrutura estatal, que não foi criada ontem! Já emergem do anonimato com ideias preconcebidas, pra eles em condições de serem colocadas em prática, como se isto fosse possível num estalar de dedos, num passe de mágica.

Corre notícia, por aí, que o governador eleito de Minas Gerais quer mudar tudo à sua feição. Primeiro afastar os políticos de qualquer influência sobre sua gestão, como se isto fosse viável num país democrático, estruturado em três poderes. É como se todo mundo, ao seu redor, deputado, vereador, senador, fosse corrupto, exceto ele e seus assessores próximos. Assim, pra ser bem objetivo, preciso lembrar, a quem quiser saber, que a economia mineira, há poucos anos, era mais ou menos do tamanho da chilena, país exuberante e admirado. Então, pode-se dizer, a grosso modo, que dá mais trabalho pra administrar que uma rede de lojas e postos de gasolina, por maior que ela seja. Bom ou ruim, gostemos ou não, sem política não há governo.

Assim, preparemo-nos, mantidas essas premissas, para barulho grosso, se o futuro governador resolver desprezar políticos e instituições, ele que pouco, ou nada sabe, sobre Minas, a não ser sob o ponto de vista do interesse de suas atividades empresariais. Ainda hoje não deve saber o que é a Fundação Ezequiel Dias, mesmo tendo confessado isto numa entrevista na campanha eleitoral. Mas até aí, nada demais, se o governador apolítico demonstrasse um pouco de humildade para buscar, junto às pessoas certas, algumas orientações, pois deve ser honesto e bem-intencionado. Mas isto é pouco e não preenche um mínimo de requisitos necessários para se assumir a gestão de nosso Estado, cuja situação econômica é péssima.

Existem declarações e afirmações que soam estranhas, e sem dúvida, repercutem negativamente junto à população pouco, ou mal informada, e aos integrantes das instituições atingidas. Não vou chamar de “fake news” oficial, mas Zema disse que o IPSEMG teria mais de trezentos, ou quatrocentos, conselheiros, nomeados pelo governador em exercício, ainda, a custos altos, e que isto iria acabar. Tudo bem, que se acabe, mas pra quê tanto alarde, se a campanha eleitoral acabou e ele só vai assumir em janeiro? Certamente que os integrantes, de bem, do citado instituto, e eu também estaria assim, se sentem ofendidos, pois são apenas dados, saidos não se sabe de que fonte, lançados ao ar. Se um político neófito não sabe o que é o “Ezequiel Dias”, menos vai saber sobre o IPSEMG, aliás em situação dificílima, pré falimentar. E o próprio instituto, atingido pela fala eloquente de Zema, já o desmentiu em nota.  Então, pra quê isto?

Mas, indo a um ponto que a mim me parece crucial, nestes momentos de gigantes dificuldades, direi do tratamento dado, pelo empresário eleito, à Polícia Militar, e à sua família também, de maneira equivocada. Senão vejamos: é a instituição que cuida do policiamento ostensivo, nos mais de oitocentos municípios de Minas. Bem estruturada, seus integrantes estão submetidos a Regulamento hierárquico, Ético e Disciplinar, e ao Código Penal Militar Brasileiro. Cometendo outros equívocos verborrágicos, já elegeu a Milícia Mineira, de quase dois séculos e meio de existência, como um de seus alvos prediletos, junto à imprensa, e continua comprovando seu total desconhecimento dos princípios doutrinários da estrutura militar, caráter fundamental na execução de suas missões.

E citarei a última, acachapante: para escolher quem vai comandar a Polícia Militar de Minas Gerais, exigirá, dos coronéis, que lhe enviem seus currículos, insistindo: nada indicação política! Só pra me fazer entender, nada disso é necessário e comprova a total ignorância de quem vai nos governar. Polícia Militar e Bombeiros Militar não são loja. Lá o dono pode rebaixar gerente a vendedor e promover qualquer vendedor a gerente. Aí sim, se ele quiser, pode exigir o currículo. Nas instituições militares existem fichas funcionais, com todos os dados e registros da vida de qualquer PM, não só dos coronéis. Ali estão contemplados históricos criteriosos de suas trajetórias, pessoal e profissional, data de inclusão, cursos, promoções, punições, elogios, onde comandou, enfim, tudo. Logo, se não for alienação, é arroubo, mesmo.

O sargento Lauro, prematuramente falecido neste fim de semana, depois de cair, acidentalmente, dentro de um ribeirão, na cidade de Governador Valadares, foi um dos excelentes e exemplares policiais militares com quem batalhei, da lavra do 6º Batalhão, lá pela década de oitenta, como Delegado Especial de Polícia, junto ao Delegado Regional, Marcos Luiz Soares Rocha. Disciplinado, sempre pronto, cortês e corajoso, integrando brilhantes equipes de ação naqueles tempos difíceis, no Vale do Rio Doce, desvendou roubos, furtos e homicídios, conhecendo, a fundo, os focos da criminalidade por aquelas paragens. Grande homem, sem dúvida, a quem presto minhas homenagens, ele que foi um trabalhador a ajudar o crescimento operacional da Polícia Militar de Minas Gerais, que pouca gente conhece, muito menos alguns que, por toda vida, por embalados em berço de ouro, não se interessaram conhecer um pouco sobre as instituições seculares de nosso Estado de Minas Gerais.