Wilalba F.Souza 02/01/2021
Na
década de cinquenta convivi, intensamente, ainda garoto, em Governador
Valadares, com a Família Souza Pinto, grande prole constituída pelo casal
Eugênio e Sebastiana. Eram muitos irmãos, meus primos, pois Sebastiana era uma
das irmãs de minha mãe, a pequenina Josefa.
Meu
relacionamento maior foi com Natalino, o mais novo. Regulávamos a idade. Os
anos se passaram e, por contingência da vida ocorreu o distanciamento, a
separação e praticamente encerrou-se a convivência.
Cada
um seguiu seu rumo e, muito raramente, se teve notícias, uns dos outros. Depois
de anos e anos recebendo, com parcimônia, as agradáveis, inevitavelmente uma
hora teriam que aparecer as tristes, funestas.
Hoje
o primo Natalino me informou o falecimento de sua sobrinha, a Vera, filha de
sua irmã Luzia. Perguntou-me se eu a conhecia. Respondi que sim. E como, tendo
em vista uma passagem ocorrida no início da década de noventa! Eu era major e
trabalhava na Diretoria de Saúde da PMMG, próximo à Praça da Liberdade, quando
ela e sua tia Margarida foram me visitar.
Bem...
depois de muito conversarmos, e as duas se abrirem nos belos e largos sorrisos
que as caracterizaram, Vera me fez uma consulta: estava terminando um curso de
habilitação pra motorista e, tendo em vista minha posição de militar, perguntou
se tinha jeito de eu "dar uma força", junto ao Detran. Respondi que
isto era inviável, eis que os examinadores eram profissionais muito sérios e,
se isso houvesse, seria exceção irregular...
As
duas insistiram, pois tinham notícia de "alguma ajuda" a fulano e
beltrano. Tudo bem, disse eu, assim que
você terminar o curso, me telefona que te dou o retorno. E lá se foram, as
duas, certas que tinham dado seu recado. Cumprido a missão.
E
não passou muito tempo... esquecendo, ou desprezando o telefone, as duas primas
apareceram na minha sala de trabalho. Conversa pra lá e pra cá, surge a
pergunta: - E a sua "ajuda" pro meu exame? Desprevenido, respondi: - Uai, tá tudo certo.
Chega na hora certa, calada, faz seu exame tranquila. Só tem uma coisa: - se
você cometer um erro grave ele vai te reprovar. Não tem jeito!
-Tudo
bem, primo... e, lá se foram as duas.
Dias
depois, surgem, mais uma vez, à minha frente, no trabalho, as admiradas
parentes. Pensei comigo... Ihhh, é o exame pra motorista! Meu Deus!!!
Levantei-me, para recebê-las, com um sorriso amarelo, mais que desbotado, mas
elas se adiantaram: - Primo, não te conto: - sou motorista habilitada,
trouxemos um presente procê! Muito obrigado!!!
E
assim é a vida. Enquanto estive em Belo Horizonte, saí de lá em 1993, ainda vi
a Vera umas duas vezes, se tanto. Depois disto, só notícias esparsas. São trinta anos. Perdemos uma prima da
melhor qualidade. Vai fazer muita falta
para os seus. Que Deus a tenha. Infelizmente, dizem, levada pela Covid, só dá
ela! Ah... Verinha conseguiu sua Carteira Nacional de Habilitação por méritos
próprios...
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