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segunda-feira, 5 de julho de 2021

Caminhada de histórias. Baixou o caboclo!

 Wilalba F. Souza           05/07/2021

Faço caminhada todos os dias. E dela participam alguns colegas.  E a gente escuta muitas histórias.  Eis uma delas, contada por um sargento veterano. E ele inicia assim:

- Chefe, certa vez, de serviço, fui acionado a comparecer em uma casa da zona boêmia de Mariana. Recomendei ao soldado Carlos, motorista da guarnição, composta por nós dois, que para lá dirigisse a viatura. A Sala de Operações informara que um indivíduo surtara e estava "botando terror" nos frequentadores.

- Depois de estacionarmos abordei, do lado externo, o pessoal da "gerência" que relatou ter um homem - freguês antigo - corrido com todo mundo, e que ele, um "negão" com dois metros de altura, estava lá dentro. Sim, num salão grande, com acesso estreito aos quartos!

- Chamei o colega e, empunhando um cassetete tamanho família, fui entrando no ambiente, sob penumbra, segurando, firme, o "prolongamento" do braço. Pouco se podia ver, e eu, nos meus 1.59 m de altura, comandante da guarnição, não podia recuar. A platéia, antes amedrontada, com a polícia por perto, criou coragem e aproximou-se da entrada. Pé por pé, avancei, "cabreiro", todo arrepiado, sô! Dos lados, mesas desarrumadas; à frente, o corredor escuro, entrada para a área de lazer, digo, dos quartos. E eu, pensando alto: - gente, onde está o cara? Pra quê? De repente, do nada, apareceu o gigante! Tremi. O sujeito esticou seu braço e me tomou o cassetete, gritando com uma voz estranha: - me dá esse porrete, baixinho!

- Não sei como, consegui catar uma cadeira, dessas de plástico, e a coloquei acima da cabeça, pois o "cara" resolveu me bater com o cassetete. Sobrou plástico prá todo lado. Na confusão - coisa de Deus - caímos no chão e eu já "engastaiado" numa gravata no seu pescoço suado. E ele se "estrebuchando". Tirei força não sei de onde! Se afrouxo a "pitanga", ele me mata, Jesus!!!  Maaaarcos, gritei! Me acode, seu fidumaégua! Ao longe ouvi de uma voz feminina: - vou buscar a benzedeira, "seu" cabo. Esse moço tá com um caboclo Exu qualquer baixado! -  Putamerda! Tudo bem, gemi! Mas chama, também, o Marcos... “pelamordedeus”!!!!

- Quando eu estava pra entregar os pontos chegou o soldado, me ajudando a algemar e amarrar as pernas do desordeiro. Mas o indivíduo continuou inquieto, agitado e "babando". Nisto uma das mulheres presentes - sempre elas - falou: - cabo, toma, joga essa cachaça nele que o espírito acalma. Não deu outra, foi uma dose só, no rosto, e o pocesso amansou. Incrível! Só que a tal entidade fantasmagórica passou pra dita mulher que trouxe a pinga. Ela teve uns ataques estranhos: começou a dançar, a pular, com os olhos vermelhos, esbugalhados, cabelos "desengranhados" e a rolar pelo chão. Literalmente, o ambiente virou uma zona...

- Coronel, continuou o colega, a Mercedes, benzedeira, quando chegou, percebeu que o tal espírito já saíra da mulher e se reinstalara no negão, que nós mantínhamos, com dificuldade, imobilizado. Insistente, ela ficou por mais ou menos uma hora fazendo seu trabalho, rezando mil orações, dando uma centena de passes e relando o negão com uns raminhos de arruda! E não é que ele acabou ficando mansinho, tranquilo, meio que atordoado!

Sem me descuidar, atento, desarmei o soldado Marcos e o mandei, por via de dúvidas, buscar reforço. Um tempão depois, num ambiente quase normalizado, sob certo controle, encerrei a ocorrência no local, liberando o camarada ao seu pessoal, aos seus parentes.

- Mas Zé Maria, o seu motorista/patrulheiro te deixou na fria. Merecia uma comunicação disciplinar, disse eu!

- Comandante, ele sempre foi bom de serviço e se justificou. Confessou-se cavalo de macumba e que correra pra evitar que aquele espírito mau o tomasse! Sabe, chefia, não teve jeito, após esse oportuno esclarecimento, e naquele clima adverso, não tive dúvidas, cuidei de mim: desarmei o parceiro. Vai que aquele Caboclo monta nele!!! Risos... a valer!!!

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