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quarta-feira, 17 de novembro de 2021

Pundonor

 Wilalba F. Souza                 17/NOV/2021 

Fala-se muito da existência de ação articulada, em movimento mundial, com cunho político-ideológico, pretendente a instalar uma tal de "nova ordem" nas democracias conservadoras, pulverizando, de morte, costumes e heranças culturais seculares, desestruturando a espinha dorsal de hoje, a família, eleita a célula master de todos grupamentos humanos desenvolvidos. Assim fomos educados e assim, até agora, a temos cultuado.

Pretende-se, dizem, fazer isto via lideranças progressistas, disseminando, dentre outras coisas, uma tal ideologia de gênero, onde crianças - não sei como - escolherão seu sexo na pré-adolescência, ficando proibida a interferência dos pais. Me pergunto, como, se órgão sexual não é um adorno, tal qual um brinco, ou um anel qualquer, que a gente pode usar, substituir - tanto homem, quanto mulher - sem intervenção cirúrgica!

Parece loucura desse pessoal, neste mundão, dito de Deus. Homem e mulher já nascem com características físicas próprias, imutáveis; com capacidade de reprodução e manutenção da espécie, da vida humana! O resto entra no rol dos estereótipos comportamentais perfeitamente aceitáveis pela sociedade, sem essa de "forçar a barra", cercear liberdades individuais e criar conflitos.

Não é pesadelo, mas já temos visto, em algumas escolas brasileiras de curso básico e secundário, e mesmo em estabelecimentos comerciais, tentativas da adoção dos banheiros coletivos, “unissex". É estranho demais! Pra completar, o uniforme dos "alunes" (ridícula linguagem neutra 🙄) vale pra meninas e meninos, que o usarão como quiserem: o garoto pode ir com saia e sua colega, de calça comprida. Segundo dizem, ele estaria querendo ser mulher, ela, homem. Não se trata apenas de simples indumentária.

Penso que essas extravagâncias vão dar com os "burros n'água". Tenho dúvidas se isto vai "pegar". É muito louco, no meu caso, imaginar como minha neta, uma menininha meiga e tímida, fará para compartilhar seus momentos de intimidade pessoal com garotos de sua idade, ou não. Pior, se isto for imposto " a muque", qual será o desfecho?

Isto tudo me induz pensar que, num futuro que já nos rodeia, o pudor será extirpado de nossa cultura. Nos festejos, bailes, comemorações e afins, será natural senhoras e senhores, casados ou não, frequentarem, desnudos, os "toilettes", fazendo suas necessidades fisiológicas, higiene pessoal e retoques na maquiagem, sem qualquer constrangimento!

Destarte, desaparecendo o pudor, também o pundonor estará sendo destituído de sua importância. Nesse caso, será decretada a falência de toda e qualquer instituição, pública ou privada, pela total e inexorável falta de ética, já que, hoje, a maioria da população não tem reagido, à altura, a essas pressões, vindas de militância coordenada e especialmente preparada politicamente, eis que, parecendo estar deitada em berço esplêndido, transfere suas responsabilidades para o poder público, deixando que invadam suas crenças, convicções e mentes.

Certamente será o fim da democracia e das liberdades individuais. Instalada a bagunça, não nos iludamos: poderosos ditadores colocarão, à sua maneira, ordem na casa!

quarta-feira, 3 de novembro de 2021

“POLÍCIA v. BANDIDO”

     

Klinger Sobreira de Almeida – Militar Ref.
Membro da Academia de Letras João Guimarães Rosa/PMMG

         A essência de toda profissão é a Segurança no Trabalho. Sua ausência pode acarretar lesão ou morte ao trabalhador, a terceiros, e destruir o ambiente.

Atuei, por quase seis lustros, em atividade empresarial propícia a acidentes (transporte de carga e passageiros). Éramos rigorosos no treinamento e conscientização.

Dentre os muitos motoristas impecáveis, havia uma com mais de 50 anos de profissão, em rodovias federais, estaduais e zonas urbanas. Nunca se envolvera em acidentes nem cometera qualquer infração na direção veicular. Um modelo!

Nesse exemplo, recordei-me de meus tempos de jovem tenente (21 anos), atuando, à época, em região de elevada frequência de criminalidade violenta (pistoleiros e ladrões!), quando tive o privilégio de participar da equipe do legendário “Cap Pedro”.

Sua equipe submetia-se a treinamento esmerado: táticas de abordagem, tiro de combate policial... As ações eram objeto de críticas sérias, visando o aperfeiçoamento. O Chefe (maneira como o tratávamos) não admitia falhas no “fazer polícia”; era rígido na questão de “Segurança no Trabalho Policial”. Orgulhava-se em dizer que, em anos de captura, jamais perdera um policial – “não cultuo galeria de heróis mortos, prefiro a galeria de bandidos mortos”; “coragem não se confunde com imprudência”.

Essas lembranças me vêm à mente ao deparar com o noticiário oriundo de Varginha, 31Out, destacando a ação policial (PMMG + PRF) que desbaratou um contingente de bandidos organizados – 2 sítios alugados, mais de dez viaturas, farto e qualificado armamento de guerra, coletes à prova de bala, explosivos etc – prestes a desencadear a invasão da cidade, tal qual vem acontecendo nos últimos tempos (Criciúma, Araçatuba, Campinas, Passos, Uberaba...).

A Operação Policial, lastreada certamente em inteligente Estudo de Situação, resultou na surpresa, resposta avassaladora e morte de 26 bandidos. O alvo foi o denominado “Novo Cangaço”, que se caracteriza por aterrorizar as madrugadas das cidades: invasões e explosões; cidadãos, feitos reféns; e alguns perdem a vida.

Esse “Novo Cangaço”, produto, como temos destacado em crônicas anteriores, de uma série de fatores – (1) beneplácito da legislação penal; (2) degradação do sistema penitenciário, dominado pelo crime organizado; (3) fragilidade do Sistema Federal de Segurança Pública – precisava receber um golpe de frenagem, e recebeu. Varginha está agradecida por ter se livrado da barbárie, cujas consequências seriam imprevisíveis.

A Polícia, segundo seus protocolos de atuação individual ou coletiva, quando aborda o marginal, visa imobilizá-lo e prendê-lo; a morte constitui uma exceção em legítima defesa própria ou de terceiros. Contudo, e isto já alertávamos em palestra de 1985 – Violência e Terror – a caminhada da criminalidade associada ao tóxico, estava tornando o criminoso do passado “um lírico do crime”.

Hoje, não há condições da Polícia se expor perante a pesada tropa do crime organizado e propor a rendição, pois já é recebida com rojões de guerra (o bandido brasileiro, por seus feitos, crê na sua superioridade de fogo!). Foi assim em Varginha; só que, desta feita, a delinquência teve a resposta inesperada e avassaladora.

Enquanto a sociedade saúda a operação policial, um pseudoanalista lamenta que nenhum policial tenha sido vitimado no confronto, e uma deputada desfocada da realidade é favorável aos bandidos (O TEMPO, 1ºNov, p.22/23).  

As Forças de Segurança Estadual e Federal deram a resposta adequada e oportuna aos infelizes bandidos do “Novo Cangaço”. Essa modalidade não pode persistir.

Agora, cabe aos Poderes Legislativo e Executivo da União atuarem no sentido de reformular o Sistema Penal, mormente no que tange ao Processo e Execução da Pena, e vedar as vulnerabilidades da Segurança Pública nas fronteiras terrestres e na área litorânea.  

Meus cumprimentos efusivos aos inteligentes e destemidos policiais da PMMG e PRF – competência, eficiência, eficácia e efetividade! – que, imobilizando a poderosa organização, preservou as comunidades do Sul de Minas, principalmente Varginha.