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quarta-feira, 3 de novembro de 2021

“POLÍCIA v. BANDIDO”

     

Klinger Sobreira de Almeida – Militar Ref.
Membro da Academia de Letras João Guimarães Rosa/PMMG

         A essência de toda profissão é a Segurança no Trabalho. Sua ausência pode acarretar lesão ou morte ao trabalhador, a terceiros, e destruir o ambiente.

Atuei, por quase seis lustros, em atividade empresarial propícia a acidentes (transporte de carga e passageiros). Éramos rigorosos no treinamento e conscientização.

Dentre os muitos motoristas impecáveis, havia uma com mais de 50 anos de profissão, em rodovias federais, estaduais e zonas urbanas. Nunca se envolvera em acidentes nem cometera qualquer infração na direção veicular. Um modelo!

Nesse exemplo, recordei-me de meus tempos de jovem tenente (21 anos), atuando, à época, em região de elevada frequência de criminalidade violenta (pistoleiros e ladrões!), quando tive o privilégio de participar da equipe do legendário “Cap Pedro”.

Sua equipe submetia-se a treinamento esmerado: táticas de abordagem, tiro de combate policial... As ações eram objeto de críticas sérias, visando o aperfeiçoamento. O Chefe (maneira como o tratávamos) não admitia falhas no “fazer polícia”; era rígido na questão de “Segurança no Trabalho Policial”. Orgulhava-se em dizer que, em anos de captura, jamais perdera um policial – “não cultuo galeria de heróis mortos, prefiro a galeria de bandidos mortos”; “coragem não se confunde com imprudência”.

Essas lembranças me vêm à mente ao deparar com o noticiário oriundo de Varginha, 31Out, destacando a ação policial (PMMG + PRF) que desbaratou um contingente de bandidos organizados – 2 sítios alugados, mais de dez viaturas, farto e qualificado armamento de guerra, coletes à prova de bala, explosivos etc – prestes a desencadear a invasão da cidade, tal qual vem acontecendo nos últimos tempos (Criciúma, Araçatuba, Campinas, Passos, Uberaba...).

A Operação Policial, lastreada certamente em inteligente Estudo de Situação, resultou na surpresa, resposta avassaladora e morte de 26 bandidos. O alvo foi o denominado “Novo Cangaço”, que se caracteriza por aterrorizar as madrugadas das cidades: invasões e explosões; cidadãos, feitos reféns; e alguns perdem a vida.

Esse “Novo Cangaço”, produto, como temos destacado em crônicas anteriores, de uma série de fatores – (1) beneplácito da legislação penal; (2) degradação do sistema penitenciário, dominado pelo crime organizado; (3) fragilidade do Sistema Federal de Segurança Pública – precisava receber um golpe de frenagem, e recebeu. Varginha está agradecida por ter se livrado da barbárie, cujas consequências seriam imprevisíveis.

A Polícia, segundo seus protocolos de atuação individual ou coletiva, quando aborda o marginal, visa imobilizá-lo e prendê-lo; a morte constitui uma exceção em legítima defesa própria ou de terceiros. Contudo, e isto já alertávamos em palestra de 1985 – Violência e Terror – a caminhada da criminalidade associada ao tóxico, estava tornando o criminoso do passado “um lírico do crime”.

Hoje, não há condições da Polícia se expor perante a pesada tropa do crime organizado e propor a rendição, pois já é recebida com rojões de guerra (o bandido brasileiro, por seus feitos, crê na sua superioridade de fogo!). Foi assim em Varginha; só que, desta feita, a delinquência teve a resposta inesperada e avassaladora.

Enquanto a sociedade saúda a operação policial, um pseudoanalista lamenta que nenhum policial tenha sido vitimado no confronto, e uma deputada desfocada da realidade é favorável aos bandidos (O TEMPO, 1ºNov, p.22/23).  

As Forças de Segurança Estadual e Federal deram a resposta adequada e oportuna aos infelizes bandidos do “Novo Cangaço”. Essa modalidade não pode persistir.

Agora, cabe aos Poderes Legislativo e Executivo da União atuarem no sentido de reformular o Sistema Penal, mormente no que tange ao Processo e Execução da Pena, e vedar as vulnerabilidades da Segurança Pública nas fronteiras terrestres e na área litorânea.  

Meus cumprimentos efusivos aos inteligentes e destemidos policiais da PMMG e PRF – competência, eficiência, eficácia e efetividade! – que, imobilizando a poderosa organização, preservou as comunidades do Sul de Minas, principalmente Varginha. 

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