Atuei,
por quase seis lustros, em atividade empresarial propícia a acidentes
(transporte de carga e passageiros). Éramos rigorosos no treinamento e
conscientização.
Dentre
os muitos motoristas impecáveis, havia uma com mais de 50 anos de profissão, em
rodovias federais, estaduais e zonas urbanas. Nunca se envolvera em acidentes
nem cometera qualquer infração na direção veicular. Um modelo!
Nesse
exemplo, recordei-me de meus tempos de jovem tenente (21 anos), atuando, à
época, em região de elevada frequência de criminalidade violenta (pistoleiros e
ladrões!), quando tive o privilégio de participar da equipe do legendário “Cap
Pedro”.
Sua
equipe submetia-se a treinamento esmerado: táticas de abordagem, tiro de
combate policial... As ações eram objeto de críticas sérias, visando o
aperfeiçoamento. O Chefe (maneira como o tratávamos) não admitia falhas no
“fazer polícia”; era rígido na questão de “Segurança no Trabalho Policial”.
Orgulhava-se em dizer que, em anos de captura, jamais perdera um policial –
“não cultuo galeria de heróis mortos, prefiro a galeria de bandidos mortos”;
“coragem não se confunde com imprudência”.
Essas
lembranças me vêm à mente ao deparar com o noticiário oriundo de Varginha,
31Out, destacando a ação policial (PMMG + PRF) que desbaratou um contingente de
bandidos organizados – 2 sítios alugados, mais de dez viaturas, farto e
qualificado armamento de guerra, coletes à prova de bala, explosivos etc –
prestes a desencadear a invasão da cidade, tal qual vem acontecendo nos últimos
tempos (Criciúma, Araçatuba, Campinas, Passos, Uberaba...).
A
Operação Policial, lastreada certamente em inteligente Estudo de Situação,
resultou na surpresa, resposta avassaladora e morte de 26 bandidos. O alvo foi
o denominado “Novo Cangaço”, que se caracteriza por aterrorizar as madrugadas
das cidades: invasões e explosões; cidadãos, feitos reféns; e alguns perdem a
vida.
Esse
“Novo Cangaço”, produto, como temos destacado em crônicas anteriores, de uma
série de fatores – (1) beneplácito da legislação penal; (2) degradação do
sistema penitenciário, dominado pelo crime organizado; (3) fragilidade do
Sistema Federal de Segurança Pública – precisava receber um golpe de frenagem,
e recebeu. Varginha está agradecida por ter se livrado da barbárie, cujas
consequências seriam imprevisíveis.
A
Polícia, segundo seus protocolos de atuação individual ou coletiva, quando
aborda o marginal, visa imobilizá-lo e prendê-lo; a morte constitui uma exceção
em legítima defesa própria ou de terceiros. Contudo, e isto já alertávamos em
palestra de 1985 – Violência e Terror – a caminhada da criminalidade associada
ao tóxico, estava tornando o criminoso do passado “um lírico do crime”.
Hoje,
não há condições da Polícia se expor perante a pesada tropa do crime organizado
e propor a rendição, pois já é recebida com rojões de guerra (o bandido
brasileiro, por seus feitos, crê na sua superioridade de fogo!). Foi assim em
Varginha; só que, desta feita, a delinquência teve a resposta inesperada e
avassaladora.
Enquanto
a sociedade saúda a operação policial, um pseudoanalista lamenta que nenhum
policial tenha sido vitimado no confronto, e uma deputada desfocada da
realidade é favorável aos bandidos (O TEMPO, 1ºNov, p.22/23).
As
Forças de Segurança Estadual e Federal deram a resposta adequada e oportuna aos
infelizes bandidos do “Novo Cangaço”. Essa modalidade não pode persistir.
Agora,
cabe aos Poderes Legislativo e Executivo da União atuarem no sentido de
reformular o Sistema Penal, mormente no que tange ao Processo e Execução da
Pena, e vedar as vulnerabilidades da Segurança Pública nas fronteiras
terrestres e na área litorânea.
Meus
cumprimentos efusivos aos inteligentes e destemidos policiais da PMMG e PRF –
competência, eficiência, eficácia e efetividade! – que, imobilizando a poderosa
organização, preservou as comunidades do Sul de Minas, principalmente
Varginha.
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