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sexta-feira, 24 de abril de 2015

POLITIZAÇÃO INTERNA


                                   Politização Interna
                                                                                       
Wilalba  F. Souza                                                                          22/04/2015

Sou daquelas pessoas que acham ser qualquer político, do legislativo ou do executivo, depois de sua eleição e posse, um agente gestor público graduado que, se propõe, ou propôs, a trabalhar pra todo mundo em função da sua cidade, estado e do país como um todo, enfim, não para seus eleitores e partidários. E tenho consciência, também, de que essa autoridade constituída vai se cercar de pessoas preparadas, de confiança, parte delas retiradas dos quadros de sua ala partidária e mesmo daqueles que a apoiaram nas eleições. Infelizmente não funciona assim.  Observamos nossos políticos radicalizarem essas questões, através de atos prejudiciais e contrapostos às suas promessas em cima de palanques. E abordo esta questão baseado nos resultados desses procedimentos, preocupado com instituições basilares, ditas até sustentáculos de nossas cultura e sobrevivência, a começar por alterações pouco ou nada necessárias na legislação, inclusive nas Leis Magnas Estaduais e Federal!
Não estão nem aí pelas tais cláusulas pétreas!!!

Vamos começar pelas nossas grandes empresas, de cujo desempenho depende o fortalecimento de nossos alicerces nacionais. Assim, politizaram a Petrobras. Vamos chamar de politização a substituição de técnicos de carreira por apadrinhados políticos. Deu no que deu! Nomearam, em cargos importantíssimos, pessoas de confiança partidária, nem sempre preparadas para o cargo, em princípio encarregadas de “vigiar” aquele patrimônio de valor incalculável. E os resultados, mais que funestos, estão aí: um desmanche preocupante. Tem conserto, claro, a um custo altíssimo, não só financeiro, mas moral também, a longo prazo. O pior disso é que ninguém se apresenta como responsável, principalmente dentre os políticos legalmente empossados e que fizeram as nomeações. Não importa, para mim, se com boas ou más intenções; se para faturar dinheiro para si ou partidos, etc, etc. Enxovalham a democracia e se escorando nela, vão prestando um desserviço magistral, exercitando um escapismo irritante. Como? Da maneira que todos nós assistimos pela imprensa diariamente: omitindo e mentindo!!!

Bem, o que aconteceu com a Petrobras, seus funcionários, seus contratos, seus fundos previdenciários e conosco, brasileiros usuários da excepcional empresa de capital misto? O que aconteceu com a Eletrobrás e Correios? Pobres mortais,sabemos  muito pouco. Dos últimos, cujos serviços perderam qualidade e efetividade nestes anos,  sobrou nem o Waldomiro! É!!! Aquele diretor que apareceu, na televisão, recebendo propina. Hoje já noticiam desperdício com aplicações “dirigidas”, de   milhares de reais do “Postalis”, fundo de previdência dos funcionários, cujos prejuízos vão ter que ser cobertos pelos próprios assalariados, em vinte, trinta anos, ou mais. Uma lástima, enfim, resultado de uma administração pública intensa e internamente politizada, por ter sido “rateada” entre políticos e apoiadores.

Essa abordagem inicial se torna necessária quando corremos o risco de, nos ambientes intra-quartéis, essas querelas se verem infiltradas! É o que vimos acontecer na PMMG desde 1.997. A partir de uma crise interna, promovida por insensibilidade de comandantes, que estavam aceitando aumento diferenciado das praças, surgiu uma crise impensável, resultante em funestas heranças para nossa história. Há poucos dias, em uma mensagem difundida entre a tropa, um coronel da reserva comentou sua discordância dessa prática política no Corpo da Tropa, tipo: “esse é Peessedebista, aquele do Pros, o outro é do PT, do PMDB, razão pela qual vai ser isto, ou deixar de ser aquilo”, etc, igualzinho, mesmo, àquelas transições de Prefeituras do interior, de Estados e da União. Como? Dentro dos nossos quarteis não existe, e não deve existir, cor partidária, embora cada PM tenha liberdade de votar em quem quiser. Se isto estiver acontecendo, ou acontecer, será mais uma mazela para fragilizar o que nossos antepassados plantaram.

Prá falar a verdade, se isto ainda não é uma realidade, pode vir a ser! Temos assistido fortes indícios dessas práticas, verdadeiras tentativas de seccionar a Corporação. Os dois deputados estaduais, que dizem representar a classe, vivem às turras. É só ler as publicações que eles mandam para todo mundo. Um puxa “prum” lado, outro pro outro; um é situação, o outro oposição e, pelo que vemos, a fartura de propaganda deles e seus feitos divulgados, na maioria das vezes são equivocadas moções políticas que dividem quem devia ser um corpo só! Com a ajuda deles tivemos desfigurados nosso Regulamento Disciplinar e nosso Estatuto, que assimilaram aspectos da legislação trabalhista ordinária, reduzindo a capacidade operacional da PMMG e, por conseguinte, a segurança da população. Há um desequilíbrio gigante entre as ações perpetradas pelo governo e políticos dentro da Polícia Militar e que não contemplaram o policiamento. Uma dicotomia importante demais para ser minimizada com medidas paliativas, improvisadas, que nem ao menos servem para “jogar a bola pra frente e limpar a área”!

Bônus de produtividade, hora extra, bônus de permanência, vinte e cinco dias úteis de férias anuais, auxílio de periculosidade e outras firulas são penduricalhos que temos aceitado sem calcular os riscos para o futuro. Esses mesmos políticos facilitaram a evasão de grande efetivo da PM - essa lei 109 é um acinte - criando um vácuo enorme, de maneira mais que equivocada e impensada, que vai, uma hora ou outra, estourar nas costas dos reformados e pensionistas. Qualquer patrão troca aumento de salário por abonos, bônus e outros “benefícios” que não redundem no aumento de sua contribuição para a previdência que, em tese, deveria garantir os ganhos de aposentados e pensionistas. Já acontece na previdência geral e é mais que sentido pelos idosos, principalmente pela existência do tal fator previdenciário, invenção de Fernando Henrique para não aumentar as pensões. Lula nada fez contra isto e Dilma segue o mesmo roteiro. Quer dizer, velho vira problema, pois dinheiro não tem e, nem hospital, logo... E dizer que, há poucos dias, o Diretor de Saúde da PMMG mandou circular sobre os graves problemas existentes no Hospital Militar, com cirurgias adiadas e pronto atendimento fechado por falta, também, de efetivo (olha a evasão facilitada, gente!!!) E olha que quem cuida do nosso sistema de saúde somos nós mesmos.

Não poderiam nossos “representantes” se inteirar mais desses problemas e juntarem-se numa cruzada para recuperação de tudo que temos perdido e que corremos o risco de perder? Mas parece que eles adotaram a mesma conversa fiada de que velho é problema, primeiro porque devem achar que nunca chegarão lá; segundo, porque a grande “massa de manobra” é o pessoal da ativa, induzido a equívocos fundamentais, e terceiro, porque nosso pessoal reservista e pensionistas, pelo menos por enquanto, está numa situação de conforto, não preocupando em se inteirar do que se passa em seu mundo...e à sua volta! Por falar em “Postalis’, a poucos tem interessado saber que no IPSM – Instituto dos Servidores Militares de Minas Gerais – não existem reservas. O governo se apossou delas nesses anos todos. Cada um tem o “postalis” que merece ! E mais, que pela lei quem paga proventos dos militares é o orçamento ordinário, etc, etc, etc... Mais uma vez: ACORDA PESSOAL !!!




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