Politização Interna
Wilalba F. Souza
22/04/2015
Sou daquelas
pessoas que acham ser qualquer político, do legislativo ou do executivo, depois
de sua eleição e posse, um agente gestor público graduado que, se propõe, ou
propôs, a trabalhar pra todo mundo em função da sua cidade, estado e do país
como um todo, enfim, não para seus eleitores e partidários. E tenho
consciência, também, de que essa autoridade constituída vai se cercar de
pessoas preparadas, de confiança, parte delas retiradas dos quadros de sua ala
partidária e mesmo daqueles que a apoiaram nas eleições. Infelizmente não
funciona assim. Observamos nossos
políticos radicalizarem essas questões, através de atos prejudiciais e
contrapostos às suas promessas em cima de palanques. E abordo esta questão
baseado nos resultados desses procedimentos, preocupado com instituições
basilares, ditas até sustentáculos de nossas cultura e sobrevivência, a começar
por alterações pouco ou nada necessárias na legislação, inclusive nas Leis
Magnas Estaduais e Federal!
Não estão nem
aí pelas tais cláusulas pétreas!!!
Vamos começar
pelas nossas grandes empresas, de cujo desempenho depende o fortalecimento de nossos
alicerces nacionais. Assim, politizaram a Petrobras. Vamos chamar de
politização a substituição de técnicos de carreira por apadrinhados políticos.
Deu no que deu! Nomearam, em cargos importantíssimos, pessoas de confiança
partidária, nem sempre preparadas para o cargo, em princípio encarregadas de
“vigiar” aquele patrimônio de valor incalculável. E os resultados, mais que
funestos, estão aí: um desmanche preocupante. Tem conserto, claro, a um custo
altíssimo, não só financeiro, mas moral também, a longo prazo. O pior disso é
que ninguém se apresenta como responsável, principalmente dentre os políticos
legalmente empossados e que fizeram as nomeações. Não importa, para mim, se com
boas ou más intenções; se para faturar dinheiro para si ou partidos, etc, etc. Enxovalham
a democracia e se escorando nela, vão prestando um desserviço magistral, exercitando
um escapismo irritante. Como? Da maneira que todos nós assistimos pela imprensa
diariamente: omitindo e mentindo!!!
Bem, o que
aconteceu com a Petrobras, seus funcionários, seus contratos, seus fundos
previdenciários e conosco, brasileiros usuários da excepcional empresa de
capital misto? O que aconteceu com a Eletrobrás e Correios? Pobres mortais,sabemos
muito pouco. Dos últimos, cujos serviços
perderam qualidade e efetividade nestes anos, sobrou nem o Waldomiro! É!!! Aquele diretor
que apareceu, na televisão, recebendo propina. Hoje já noticiam desperdício com
aplicações “dirigidas”, de milhares de reais do “Postalis”, fundo de
previdência dos funcionários, cujos prejuízos vão ter que ser cobertos pelos
próprios assalariados, em vinte, trinta anos, ou mais. Uma lástima, enfim,
resultado de uma administração pública intensa e internamente politizada, por
ter sido “rateada” entre políticos e apoiadores.
Essa
abordagem inicial se torna necessária quando corremos o risco de, nos ambientes
intra-quartéis, essas querelas se verem infiltradas! É o que vimos acontecer na
PMMG desde 1.997. A partir de uma crise interna, promovida por insensibilidade
de comandantes, que estavam aceitando aumento diferenciado das praças, surgiu
uma crise impensável, resultante em funestas heranças para nossa história. Há poucos
dias, em uma mensagem difundida entre a tropa, um coronel da reserva comentou
sua discordância dessa prática política no Corpo da Tropa, tipo: “esse é
Peessedebista, aquele do Pros, o outro é do PT, do PMDB, razão pela qual vai
ser isto, ou deixar de ser aquilo”, etc, igualzinho, mesmo, àquelas transições
de Prefeituras do interior, de Estados e da União. Como? Dentro dos nossos
quarteis não existe, e não deve existir, cor partidária, embora cada PM tenha
liberdade de votar em quem quiser. Se isto estiver acontecendo, ou acontecer,
será mais uma mazela para fragilizar o que nossos antepassados plantaram.
Prá falar a
verdade, se isto ainda não é uma realidade, pode vir a ser! Temos assistido
fortes indícios dessas práticas, verdadeiras tentativas de seccionar a
Corporação. Os dois deputados estaduais, que dizem representar a classe, vivem
às turras. É só ler as publicações que eles mandam para todo mundo. Um puxa
“prum” lado, outro pro outro; um é situação, o outro oposição e, pelo que
vemos, a fartura de propaganda deles e seus feitos divulgados, na maioria das
vezes são equivocadas moções políticas que dividem quem devia ser um corpo só!
Com a ajuda deles tivemos desfigurados nosso Regulamento Disciplinar e nosso
Estatuto, que assimilaram aspectos da legislação trabalhista ordinária,
reduzindo a capacidade operacional da PMMG e, por conseguinte, a segurança da
população. Há um desequilíbrio gigante entre as ações perpetradas pelo governo
e políticos dentro da Polícia Militar e que não contemplaram o policiamento. Uma
dicotomia importante demais para ser minimizada com medidas paliativas,
improvisadas, que nem ao menos servem para “jogar a bola pra frente e limpar a
área”!
Bônus de
produtividade, hora extra, bônus de permanência, vinte e cinco dias úteis de
férias anuais, auxílio de periculosidade e outras firulas são penduricalhos que
temos aceitado sem calcular os riscos para o futuro. Esses mesmos políticos
facilitaram a evasão de grande efetivo da PM - essa lei 109 é um acinte - criando
um vácuo enorme, de maneira mais que equivocada e impensada, que vai, uma hora
ou outra, estourar nas costas dos reformados e pensionistas. Qualquer patrão
troca aumento de salário por abonos, bônus e outros “benefícios” que não
redundem no aumento de sua contribuição para a previdência que, em tese,
deveria garantir os ganhos de aposentados e pensionistas. Já acontece na
previdência geral e é mais que sentido pelos idosos, principalmente pela
existência do tal fator previdenciário, invenção de Fernando Henrique para não
aumentar as pensões. Lula nada fez contra isto e Dilma segue o mesmo roteiro.
Quer dizer, velho vira problema, pois dinheiro não tem e, nem hospital, logo...
E dizer que, há poucos dias, o Diretor de Saúde da PMMG mandou circular sobre
os graves problemas existentes no Hospital Militar, com cirurgias adiadas e
pronto atendimento fechado por falta, também, de efetivo (olha a evasão
facilitada, gente!!!) E olha que quem cuida do nosso sistema de saúde somos nós
mesmos.
Não poderiam
nossos “representantes” se inteirar mais desses problemas e juntarem-se numa
cruzada para recuperação de tudo que temos perdido e que corremos o risco de
perder? Mas parece que eles adotaram a mesma conversa fiada de que velho é
problema, primeiro porque devem achar que nunca chegarão lá; segundo, porque a
grande “massa de manobra” é o pessoal da ativa, induzido a equívocos fundamentais,
e terceiro, porque nosso pessoal reservista e pensionistas, pelo menos por
enquanto, está numa situação de conforto, não preocupando em se inteirar do que
se passa em seu mundo...e à sua volta! Por falar em “Postalis’, a poucos tem
interessado saber que no IPSM – Instituto dos Servidores Militares de Minas
Gerais – não existem reservas. O governo se apossou delas nesses anos todos.
Cada um tem o “postalis” que merece ! E mais, que pela lei quem paga proventos
dos militares é o orçamento ordinário, etc, etc, etc... Mais uma vez: ACORDA
PESSOAL !!!
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