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sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Rabo correndo atrás do cachorro



Wilalba F. Souza                                                                                26/ago/2.015

Na edição de hoje, do jornal “O Tempo”, saiu reportagem sobre os números dos efetivos das Polícias Civil e Militar mineiras. Mais que preocupante, os dados nos remetem, como cidadãos, a uma certa insegurança criada pela falta do Estado no ir e vir das pessoas. O universo das ações públicas é por demais diversificado e o tal “cobertor” sempre é insuficiente para “aquecer” todo mundo. Alguém fica no frio. O ambiente muito carregado pelas manchetes a fazerem chamamento para os atos de grave corrupção oficial e os absurdos advindos da criminalidade violenta. 

Ontem fiquei a assistir a sabatina – interrogatório? - do procurador Janot pelo Senado da República. Ele que tem indiciado altas autoridades políticas, inclusive, no caso dos desvios de dinheiro da Petrobras. Dentre os senadores, muitos deles investigados pela PGU, deveriam ter sido impugnados, mas não foram, assim, fizeram parte da comissão. O ex-presidente Collor se destacou na missão de “desancar” o candidato a recondução à Procuradoria Geral da União. Ele (Collor) envolvido diretamente na questão da sangria da empresa estatal. Insistindo em chamá-lo de Janó, o senador tentou, mas não conseguiu seu intento de barrar a comentada recondução. Assim, o homem fica e rege a “orquestra” contra o crime da cúpula política, também!

Como se observa, a discussão sobre segurança pública sempre fica prejudicada. E, com ela, outras de importância fundamental, como a educação, relegada a um plano bem abaixo daquele que deveria estar, agora sempre indo para as páginas policiais. Aliás, tal espectro, isto mesmo, espectro, mete tanto medo que há estados  entregando a gestão de algumas escolas à Polícia Militar. Debaixo de pesadas críticas, os secretários de educação que recomendaram isto sempre superam seus “contrários” com algo bem simples e  muito importante: resultados. Além de melhor comportamento, o desempenho dos alunos nos “torneios” (sabatinas) culturais é animador. Triste mesmo é assistir, com autoridades inertes, embates corporais,  seguidos de agressões mútuas, entre alunos e professores nas nossas escolas. 

O que mais aflora, dentre nossas necessidades de cidadãos, pois exige ação imediata, é segurança pública, e presença de policiamento, cujos tentáculos não têm conseguido alcançar a marginalidade latente nos centros urbanos. Ninguém está a salvo de menores (e maiores também) agressivos em busca de celulares, tênis e dinheiro; e de outros marginais oportunistas que se aglomeram perto das agências bancárias em dia de movimento. Enfim, não existe efetivo, ao menos um mínimo suficiente, para fazer prevenção. A tendência, pela impotência estatal de executar essas ações públicas, é o agravamento da situação. Na Polícia Militar há um claro de uns 9.000 homens. Na Polícia Civil, que tem delegados em apenas 60% dos municípios, a coisa vai muito mal. Mal mesmo!

Enquanto isto, vai se fazendo o que é possível. Por falta de dinheiro não se promove recrutamento necessário para cobrir claros. Tecnologia e outros meios bem atuais, nem ver, pelo mesmo motivo, ainda mais com o país em crise. No caso da PM de Minas, hoje encurralada por medidas que ela mesma aceitou fossem adotadas há dois, três anos, facilitando a transferência de gente ainda jovem para a reserva, de quando em vez aparecem químicos, mais parecidos com feiticeiros ou pajés, tentando minimizar erros do passado recente com medidas paliativas, improvisadas e inconsistentes, como reconvocações remuneradas, daqueles mesmos militares que eles incentivaram “pedir o boné”, aposentar, ir para a reserva, com todos os benefícios.

Dizem que a medida é mais econômica, pois pessoal novo fica muito caro. Entretanto  os reservistas reconvocados não se prestam mais ao “serviço de rua” – têm mais de vinte anos de serviço – e são todos – vejam bem, todos – sargentos ou subtenentes, salvo raríssimas exceções. Precisamos de pedreiros, não de mestres de obra! E mais, esquecem que desníveis salariais entre mesmos postos, graduações e funções suscitam insatisfação. Pode um subtenente ganhar mais que um tenente? Um tenente coronel mais que um  coronel? Na PM pode e está “virando moda”!!! Há pouco mais de um ano contrataram civis para atividades internas, planejando levar o efetivo administrativo para a atividade fim. Fizeram um estardalhaço, como se esta fosse uma saída para embalar, de vez o “operacional”. Houve algum resultado? Pra mim, se ocorreu, foi inexpressivo, tanto assim que mais nada se falou sobre isto!!!

Assim, com essas dificuldades todas empanando as suas missões, resta à Polícia Militar, e também à Polícia Civil, ir tocando o barco meio adernado! E, não tem jeito: alguém vai cair n` água e se afogar. Um assalto aqui, um chacina ali, um caixa explodido acolá, alguma comoção causada pelo noticiário no dia seguinte e… “bola pra frente” na mesma toada. É ou não é o rabo correndo atrás do cachorro?

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

 Rabo correndo atrás do cachorro

Wilalba F. Souza                                                                                24/ago/2.015

Na edição de hoje, do jornal “O Tempo”, saiu reportagem sobre os números dos efetivos das Polícias Civil e Militar mineiras. Mais que preocupante, os dados nos remetem, como cidadãos, a uma certa insegurança criada pela falta do Estado no ir ir vir das pessoas. O universo das ações públicas é por demais diversificado e o tal “cobertor” sempre é insuficiente para “aquecer” todo mundo. Alguém fica no frio. E o ambiente fica muito carregado com as manchetes a fazerem chamamento para os atos de grave corrupção e os absurdos advindos da criminalidade violenta. 

Ontem fiquei a assistir a sabatina do procurador Janot pelo Senado da República. Ele que tem indiciado altas autoridades políticas, inclusive, no caso dos desvios de dinheiro da Petrobras. Dentre os senadores, muitos deles investigados pela PGU, deveriam ter sido impugnados, mas não foram, assim, fizeram parte da comissão. O ex-presidente Collor se destacou na missão de “desancar” o candidato a recondução à Procuradoria Geral da União, ele (Collor) envolvido diretamente na questão da sangria da empresa estatal. Insistindo em chamá-lo de Janó, o senador tentou, mas não conseguiu seu intento de barrar a tal recondução. O homem fica e rege a “orquestra” contra a corrupção!

Assim, a discussão sobre segurança pública fica prejudicada. E, com ela, outras de importância fundamental, como a educação, sempre relegada a um plano bem abaixo daquele que deveria estar. Aliás, tal espectro, isto mesmo,  espectro, mete tanto medo que há estados onde estão entregando a gestão de algumas escolas à Polícia Militar. Debaixo de pesadas críticas, os secretários de educação que recomendaram isto sempre superam seus “contrários” com algo bem simples e  muito importante: resultados. O desempenho dos alunos desempenho nos “torneios” culturais é animador. Triste mesmo é assistir, com autoridades inertes, ocorrências  de agressões mútuas entre alunos e professores nas nossas escolas. 

O que mais aflora, dentre nossas necessidades de cidadãos, por exigir ação imediata, são ações de policiamento, cujos tentáculos não têm conseguido alcançar a marginalidade latente pelos centros urbanos. Ninguém está a salvo de menores agressivos em busca de celulares, tênis e dinheiro;|ou de outros oportunistas que se aglomeram perto das agências bancárias em dia de movimento. Enfim, não existe efetivo suficiente para fazer prevenção e a tendência, pela impotência estatal de executar as ações públicas, é o agravamento da situação. Na Polícia Militar há um claro de uns 9.000 homens. Na Polícia Civil, que tem delegados em apenas 60% dos municípios, a coisa vai muito mal. Mal mesmo!

Enquanto isto, vai se fazendo o que é possível. Por falta de dinheiro não vão promover recrutamento necessário de gente nova. Tecnologia e outros meios bem atuais, nem ver, pelo mesmo motivo! No caso da PM de Minas, hoje encurralada por medidas que ela aceitou fazer, há dois, três anos, facilitando a transferência de gente jovem para a reserva, de quando em vez aparecem químicos, mais parecidos com feiticeiros ou pajés, tentando minimizar erros do passados com reconvocações remuneradas, daqueles mesmos militares que eles incentivaram sair. Dizem que a medida é mais econômica, pois pessoal novo fica muito cara. Entretanto  os reservisstas “reconvocados” não se prestam mais ao “serviço de rua” – têm mais de vinte anos de serviço – e são todos – vejam bem, todos – sargentos ou subtenentes, salvo raríssimas exceções. E mais, esquecem que desníveis salariais entre mesmos postos, graduações e funções suscitam insatisfação. Pode um subtenente ganhar mais que um tenente? Um tenente coronel mais que um  coronel? Na PM pode!!! Há pouco mais de um ano contrataram civis para atividades interna, planejando levar o efetivo interno para a atividade fim. Houve algum resultado? Nada se fala sobre isto!!!

Assim, com essas dificuldades todas empanando as suas missões, resta à Polícia Militar, e também à Polícia Civil, ir tocando o barco meio adernado! E, não tem jeito: Alguém vai cair n` água e se afogar. Um assalto aqui, um chacina ali, um caixa explodido acolá, alguma comoção causada pelo noticiário no dia seguinte e… “bola pra frente”. É ou não é o rabo correndo atrás do cachorro?



terça-feira, 18 de agosto de 2015

O andar de baixo, tal qual o andar de cima



Wilalba F. Souza                                                                      16 de agosto 2015

Ontem foi mais um daqueles dias em que assistimos manifestações populares por todo o Brasil. A motivação desses encontros tem sido uma pálida reação contra o governo instalado – literalmente instalado – no Brasil, de direcionamento conflitante, cercado de políticos envolvidos em falcatruas e desvio de dinheiro, de acordo com processos divulgados pela mídia denominados “mensalão”, “petrolão”, dentre outros, tudo no aumentativo, eis que tratam de investida irregular  numa dinheirama incontável que parece até não caber nos bolsos desse pessoal que nos manda e desmanda.

O ex-presidente Lula representa, em todos os sentidos, a média da cultura do nosso povo. E como ele exagera! Ao se intitular, há alguns anos, um exemplo de metamorfose ambulante, acertou em cheio  num dos aspectos da nossa cultura, visivelmente mutante através dos tempos. Como daquele  nordestino que, sem eira, nem beira, veio pra São Paulo tentar a sorte e... bamburrou. Literalmente, bamburrou. Este um termo usado por garimpeiros que, num lance de sorte, encontra um filão de pedras preciosas e consegue sua independência. Muitos deles, por pura inexperiência, acabam perdendo tudo em farras e desperdício.

Lula, não! Bamburrou, mediante uma capacidade incomum de convencimento, chegou a presidente, sendo “dono” de um  partido que ajudou a fundar e, de certa forma, a afundar. Se por um lado está se perdendo politicamente  com  sua ganância pelo poder, por outro parece ter se resguardado na questão financeira. Só que seu patrimônio maior teria que ser o de presidente renovador, inovador, preocupado com o social, com a população mais humilde. Infelizmente, embora alguém possa discordar, até onde pôde, “usou” magistralmente os mais pobres, de origem igual à sua, e desavisados para se locupletar. É! Mas parece que, lentamente, suas falcatruas estão estão aflorando. Será um iceberg?

E, infelizmente, nos resta assistir,“diuturna e noturnamente”, como disse a presidente, a derrocada da vida política nacional. E presencio, também, o esfacelamento dos nossos componentes sociais, por todas suas camadas. Cada um quer tirar suas vantagens, mesmo sendo elas moralmente inaceitáveis. E, pegos com a mão na massa, todo mundo reage até com violência. Ou não é que assim fazem os partidos do governo quando “apertados contra a parede”? Todos os dias, pela mídia, o governo e seus partidos, a respeito de suas irregularidades, respondem com a mesma ladainha. Uma delas, do PT, retumba pelos ouvidos: “Nossas campanhas só receberam doações legalizadas com  prestação de contas ao TRE...”; “O que nós fizemos e fazemos, FH também fez”. Aliás, um dirigente de sindicato falou até em usar armas para defender o governo...

Cá pelo andar debaixo a carruagem anda, guardadas as devidas proporções, na mesma toada: flagrada numa infração de trânsito, uma senhora foi deseducada com o fiscal, sugerindo que ele fosse combater os crimes que assolam a população! Quer dizer, norma de trânsito não precisa ser cumprida, e com elas, outras que melhorariam a convivência social. Sábado passado, passando em frente a uma agência do Banco do Brasil, parei meu carro para que um caminhão manobrasse e desocupasse a vaga onde se encontrava, destinada a motoristas com necessidades especiais. Coisa mais sem propósito, pensei eu, a respeito do motorista, quando, em seu lugar, estacionou uma caminhonete e, assisti quando desceu, todo serelepe,  um  tenente reformado da PMMG, de quem, certamente, esperaríamos uma conduta mais apropriada de quem, profissionalmente, deve ter trabalhado pela ordem pública e social!

O professor de ginástica de minha mulher, que atende uma turma de pessoas com mais idade, e dá aulas em uma escola pública, contou a história dos pais de um aluno seu que, suspenso das aulas de judô por atitudes insistentemente violentas, instou seus pais a irem até a escola – pela primeira vez – para reclamar de sua atitude. E o fizeram de maneira descontrolada e deseducada, só não partindo para agressão pela interferência de outros professores. E assim as coisas vão funcionando, de mal a pior. A base mais crucial da formação de cidadãos está ficando viciada e deturpando a idéia de honestidade, correção e mérito. Todo mundo tem ânsias de cabular normas e tirar vantagens, por menores que sejam. E, infelizmente é um exemplo que vem de cima: Fernando Collor teve apreendidos vários automóveis de luxo em sua casa, coisa adquirida de maneira irregular. Pelo menos os jornais assim divulgaram. E nossa presidente, dona Dilma, fez dívida, em nome do Brasil, para transporte de taxi, nos Estados Unidos, e não pagou... por falta de recursos orçamentários!!!

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Oportunismo Sádico!



Wilalba F. Souza                                                                                   06ago2015

Nós que, por anos a fio, convivemos com as ações marginais e de marginais, aprendemos que há vários “modus operandi” que gatunos utilizam para surrupiar do cidadão um bem, ou bens que custaram trabalho e sacrifício. Há uns dois dias, aproveitando a ausência de um amigo meu, médico, que saiu à noite para atender a uma emergência, ladrões adentraram à sua casa e levaram suas coisas e mesmo dinheiro lá encontrados. Conclusão: se você sai de casa e a deixa sem proteção, aparecem ratos oportunistas e se refastelam. Para esses larápios esse negocio de ética, perfil da vítima, se é rico ou pobre, velho, mulher, doente ou idoso pouco importa. Desejam de apossar daquilo que não construíram, adquiriram ou trabalharam para si e nada os segura!

Estava vendo, dia desses, uma reportagem feita na rua 25 de março em São Paulo. Lá se concentram vendedores de todos os naipes – e compradores também. Comercializa-se de tudo, de roupas a eletrodomésticos, de origem legal ou não, haja vista as incursões pontuais do fisco e da polícia, em busca de produtos contrabandeados e de origem duvidosa. É uma correria doida, de gatos pingados contra bando de ratazanas. E, não bastando tais ocorrências, há aqueles ladrões que, durante maior movimentação de pessoas, em datas marcantes e, em equipe, agridem, enfiam as mãos em bolsas, na maior cara dura e saqueiam as vítimas indefesas. Selvageria, mesmo, incontrolável, dentro de uma comunidade que luta pela sobrevivência, ao descontrole do Estado. Quem ganhou, ganhou e... quem perdeu, só tem a chorar o prejuízo!

Coisa parecida com que que se vê em nosso Congresso, em tempos de muita confusão e crise pelo país. A desgovernança é total. Os petistas, me parece que com uma falsa auto-suficiência, acharam que dariam conta de conduzir nosso Brasil a bom termo e isto não aconteceu. Seus melhores quadros foram expulsos ou desertaram e quem ficou se dá mal. É só relacionar os aliados de Lula que, bem ou mal, estão presos ou sendo levados a responderem por seus crimes enquanto “governo”. Zé Dirceu, Genoino, João Vaccari e outros muito próximos do poder ajudaram a saquear empresas estatais para garantir recursos para campanhas eleitorais e para seus próprios bolsos. Os governistas, agora, estão com as barbas de molho, porque a tal de “delação premiada” deve desnudar muita gente “encapotada” por aí. Tentaram mas, até agora, não conseguiram “calar” os encarregados das apurações. É muita sujeira para poucos faxineiros.

Preocupa, e muito, o andar dessa carruagem. Noite passada a Câmara dos Deputados, numa grande festa, aprovou a organização da carreira – e salários – dos integrantes da AGU – Advocacia Geral de União, levando, no rastro, delegados da Polícia Federal, Civil e mesmo advogados dos Estados. Quer dizer, medidas que provocarão despesas em cadeia, a serem cobertas pela União, Estado e Municípios, em tempos de vacas magras. E coloca vacas magras nisto. Coisa muito parecida com o oportunismo daqueles gatunos da 25 de março que aproveitam o movimento descontrolado das pessoas pela rua famosa para promover seus saques. Esses gatunos (da 25 de março, gente!)estão se lixando para a vida das pessoas honestas pelo resto do país. Elas que vão ter pagar a conta e trabalhar (?) muito pelas suas recuperações. Reajustes fiscais, retomada da economia, dos empregos daqueles mais necessitados, dos investimentos e da credibilidade é problema da Dilma, diriam eles!

A despeito dos erros desse governo, dos delírios de Lula e seus admiradores, dos desvios promovidos pelos “gatunos” colocados em vários cargos, não vislumbro como esse Congresso cambeta vá se juntar para definir medidas sérias que minorem os problemas e coloquem esse comboio nos trilhos. Virou tudo uma torre de Babel. Pior, está todo mundo ensandecido. Parece até que chamaram o corneteiro e mandaram tocar um “dane-se geral, cada um por si e Deus pra todos”. E não venham com essa de querer chamar o pessoal do botão amarelo (militares) como já propalou o “Ratinho” em seu programa no SBT. É pouco, quando analistas já começam a nos comparar com a Grécia e seus graves problemas. Fiquemos atentos às manifestações públicas convocadas ainda para este mês. Será um termômetro para avaliar nossa doença!

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Abaixo o Retrocesso


Wilalba F, Souza                                                                            03/07/2015

O deputado federal Bonifácio Andrada, decano da famosa família de Barbacena, segundo me chegou ao conhecimento, gosta de escrever. Interessado em um de seus livros, meu amigo e colega coronel César Braz Ladeira, encarregou-me de conseguir um exemplar em seu escritório local, lá na rua senador Antônio Carlos, antepassado e destacado político da mesma estirpe. Ao entregar-me a obra, o auxiliar do deputado, em tom  de brincadeira, pediu desculpas porque nos escritos de seu chefe não havia bibliografia, numa alusão ao fato do escritor relatar passagens por ele vividas ao longo de sua existência e finalizou, com um  largo sorriso: - a bibliografia é ele mesmo!

Eu também sempre gostei de registrar fatos que, sob minha ótica, considero    interessantes. E parece que já falei, a despeito de todos os males que os   militares possam ter feito à nação, eles nunca serão piores do que os que   praticam esses dirigentes hoje. Comecei a trabalhar em mil novecenos e sessenta e seis, num tempo que ninguém sabia o que era imposto de renda. Daí  a poucos anos seria organizado o sistema tributário – ainda no governo militar. E, é claro, a arrecadação melhorou, de maneira que, é o que se conclui, o planejamento e execução dos orçamentos foram melhor viabilizados. E  ninguém precisa ser economista para deduzir isto.

Voltando um pouco no tempo, me lembro que meu pai, sargento da PM, lá pela década de cinquenta, sempre estava às voltas com  atrasos nos pagamentos de seus soldos e dificuldades para criar a família numerosa. As  antigas coletorias  (de impostos) dos municípios eram autorizadas a “adiantar” o dinheiro aos comandantes de destacamentos. E nem sempre havia recursos suficientes. Aos coletores – figuras importantes d`antanho – os “milicos” apresentavam o rol de policiais militares, com a discriminação de seus ganhos. 

 Era uma vidinha difícil pra danar pros “meganhas”, suas famílias, e pro povão também. Os pagamentos eram quitados em dinheiro. Ninguém tinha conta bancária. Com muita dificuldade, na década de setenta, esse “problemão” acabou e,em poucos anos, inclusive com a ajuda da informatização e expansão da rede  bancária, ultrapassamos essa fase de atraso e sofrimento, somente em casos excepcionais. Claro que nossos colegas de hoje nem têm idéia disto. Há muitos  anos nossos vencimentos são depositados no quinto dia útil de cada mês. Só  que nós, mais velhos e antigos e que provamos desse “veneno” e de outros já superados, sempre estamos com um pé atrás, receosos dessas crises provocadas pela crença de que o Estado tudo pode. Que é cornucópia de produção infinita.  E está mais que provado que não é!!!

E não é que o diabo aparece! Vem, do Rio Grande do Sul, uma potência de Estado da Federação: o governador Ivo Sartori resolveu pagar parceladamente, a PM do Estado, de três vezes, os vencimentos de julho. Digo a PM, mas a Polícia Civil também está no “bolo”. Isto vai dar problema. É retrocesso puro e se a moda pega vai ser um horror. Temos que lamentar, mais uma vez. Isto não deixa de ser reflexo das ações do governo brasileiro atual que vem derrapando desde que Lula se descobriu ser, não o “cara”, mas o melhor, o maior dos “caras” do planeta para ser presidente. E ainda vem o Obama – deve ter se arrependido disso – refutá-lo com o mesmo título da música do Roberto Carlos. Pois é, Lula e Dilma têm que “baixar” suas bolas porque as coisas estão muito feias. Depois da gastança irresponsável, chegam as contas. Estados e municípios estão às minguas pois os repasses não são feitos pela gana centralizadora desse presidencialismo tupiniquim que, conforme foi anunciado, vai distribuir emendas orçamentárias e milionárias e cargos para o congresso votar suas maldades...

Por fim, esse negócio de greve e paralisação de polícia são por demais nefastos à vida da população. Pelo que eu me lembre, nenhuma delas deixou boas lembranças. E não posso me esquecer de 1.997, no governo de Eduardo Azeredo, quando a praça da Liberdade quase virou um campo de batalha, ocorrendo a morte de um companheiro que fazia parte do ato em desagravo. O povo sofreu, a família policial militar sofreu e esperamos que algum aprendizado tenha advindo disto. Aí, temos de perguntar onde se emcontra o senhor todo poderoso Azeredo, ex-governador de um dos maiores Estados do Brasil: processado por crime eleitoral, com a carreira encerrada, procurando emprego onde? No Estado, viu, senhor Sartori!