Wilalba F, Souza 03/07/2015
O deputado federal Bonifácio Andrada, decano da famosa família de Barbacena, segundo me chegou ao conhecimento, gosta de escrever. Interessado em um de seus livros, meu amigo e colega coronel César Braz Ladeira, encarregou-me de conseguir um exemplar em seu escritório local, lá na rua senador Antônio Carlos, antepassado e destacado político da mesma estirpe. Ao entregar-me a obra, o auxiliar do deputado, em tom de brincadeira, pediu desculpas porque nos escritos de seu chefe não havia bibliografia, numa alusão ao fato do escritor relatar passagens por ele vividas ao longo de sua existência e finalizou, com um largo sorriso: - a bibliografia é ele mesmo!
Eu também sempre gostei de registrar fatos que, sob minha ótica, considero interessantes. E parece que já falei, a despeito de todos os males que os militares possam ter feito à nação, eles nunca serão piores do que os que praticam esses dirigentes hoje. Comecei a trabalhar em mil novecenos e sessenta e seis, num tempo que ninguém sabia o que era imposto de renda. Daí a poucos anos seria organizado o sistema tributário – ainda no governo militar. E, é claro, a arrecadação melhorou, de maneira que, é o que se conclui, o planejamento e execução dos orçamentos foram melhor viabilizados. E ninguém precisa ser economista para deduzir isto.
Voltando um pouco no tempo, me lembro que meu pai, sargento da PM, lá pela década de cinquenta, sempre estava às voltas com atrasos nos pagamentos de seus soldos e dificuldades para criar a família numerosa. As antigas coletorias (de impostos) dos municípios eram autorizadas a “adiantar” o dinheiro aos comandantes de destacamentos. E nem sempre havia recursos suficientes. Aos coletores – figuras importantes d`antanho – os “milicos” apresentavam o rol de policiais militares, com a discriminação de seus ganhos.
Era uma vidinha difícil pra danar pros “meganhas”, suas famílias, e pro povão também. Os pagamentos eram quitados em dinheiro. Ninguém tinha conta bancária. Com muita dificuldade, na década de setenta, esse “problemão” acabou e,em poucos anos, inclusive com a ajuda da informatização e expansão da rede bancária, ultrapassamos essa fase de atraso e sofrimento, somente em casos excepcionais. Claro que nossos colegas de hoje nem têm idéia disto. Há muitos anos nossos vencimentos são depositados no quinto dia útil de cada mês. Só que nós, mais velhos e antigos e que provamos desse “veneno” e de outros já superados, sempre estamos com um pé atrás, receosos dessas crises provocadas pela crença de que o Estado tudo pode. Que é cornucópia de produção infinita. E está mais que provado que não é!!!
E não é que o diabo aparece! Vem, do Rio Grande do Sul, uma potência de Estado da Federação: o governador Ivo Sartori resolveu pagar parceladamente, a PM do Estado, de três vezes, os vencimentos de julho. Digo a PM, mas a Polícia Civil também está no “bolo”. Isto vai dar problema. É retrocesso puro e se a moda pega vai ser um horror. Temos que lamentar, mais uma vez. Isto não deixa de ser reflexo das ações do governo brasileiro atual que vem derrapando desde que Lula se descobriu ser, não o “cara”, mas o melhor, o maior dos “caras” do planeta para ser presidente. E ainda vem o Obama – deve ter se arrependido disso – refutá-lo com o mesmo título da música do Roberto Carlos. Pois é, Lula e Dilma têm que “baixar” suas bolas porque as coisas estão muito feias. Depois da gastança irresponsável, chegam as contas. Estados e municípios estão às minguas pois os repasses não são feitos pela gana centralizadora desse presidencialismo tupiniquim que, conforme foi anunciado, vai distribuir emendas orçamentárias e milionárias e cargos para o congresso votar suas maldades...
Por fim, esse negócio de greve e paralisação de polícia são por demais nefastos à vida da população. Pelo que eu me lembre, nenhuma delas deixou boas lembranças. E não posso me esquecer de 1.997, no governo de Eduardo Azeredo, quando a praça da Liberdade quase virou um campo de batalha, ocorrendo a morte de um companheiro que fazia parte do ato em desagravo. O povo sofreu, a família policial militar sofreu e esperamos que algum aprendizado tenha advindo disto. Aí, temos de perguntar onde se emcontra o senhor todo poderoso Azeredo, ex-governador de um dos maiores Estados do Brasil: processado por crime eleitoral, com a carreira encerrada, procurando emprego onde? No Estado, viu, senhor Sartori!
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