Vêm sendo muito divulgadas as imagens de três PMs do Rio de Janeiro que, após ferirem de morte um rapaz – noticiam que é menor de idade – prepararam o local do crime para forjar aquilo que seria, para eles, um reforço de suas defesas. Aqueles policiais devem ter assistido a muitos filmes do gênero “polícia caça bandido” e acabaram se dando muito mal. Vai ser muito difícil para as autoridades desvendar as ações que acabaram por vitimar mais uma pessoa nessa “guerrilha” urbana em que estamos metidos. Coisa muito parecida com as guerras convencionais, onde as regras nem sempre são seguidas.
É evidente que, por mais que se expliquem, os envolvidos no lamentável incidente dificilmente escaparão de serem apenados pela Justiça. Não sei se isto aconteceria se a “manobra” deles não fosse demolida por um curioso morador que registrou tudo por um telefone celular. E o assunto toma dimensões incomensuráveis, com as televisões repetindo as cenas à toda hora. Normal, pois esta é uma característica dos nossos telejornais. Espremem esse limão enquanto dá caldo, digo, audiência, ainda mais que muita gente gosta de ver “o sangue correr”!
Um aspecto a ser considerado é o desgaste que isto trás para a família policial militar de todo o Brasil. Outros são a incapacidade do poder público em atender as demandas sociais da população mais carente e uso do jogo de empurra, querendo que polícia repressiva neutralize as ações da marginalidade crescente pra todo lado. É uma bola de neve em alta velocidade e permanente crescimento. Dezesseis mil mortes por homicídio por ano no país é um índice mais que assustador, e não tem envergonhado, parece, ninguém.
Há pouco tempo, ainda na Cidade Maravilhosa, marginais que devem ter assistido muitos faroestes descobriram que a pessoa que assaltavam era da PM e simplesmente o torturam até a morte, arrastando-o com o uso de um cavalo, pelas ruas da favela. É guerra sim. E não adianta preparar um policial, mesmo de nível curso superior, com todo o cuidado, incutindo-lhe técnicas profissionais das mais modernas, e mandá-lo para o inferno. A bandidagem está cada vez mais atrevida e nem os presídios conseguem dominá-la. E, nessa batalha, inocentes estão sujeitos a receber estilhaços.
Considerando a crise por que passa nosso país, há de se temer pelo pior. O Ministro da Saúde alertou, há dias, sobre o perigo do sistema de atendimento entrar em colapso. Se as coisas já não andavam bem, imaginemos se isto realmente acontecer. A educação anda cambaleando e a segurança publica, infelizmente, tem dado suas rateadas. É importante, nesses momentos de extrema dificuldade, que o cidadão passe a valorizar o que cada setor tem de melhor. A prestação de serviços das polícias militares nos trás muito mais benefícios que prejuízos e isto, além de relevante, serve de incentivo aos bons profissionais.
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