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terça-feira, 3 de novembro de 2015

Robin Hood e a over dose

Robin Hood e a over dose

Wilalba F. Souza                                                                             03/11/15


Um dos primeiros filmes que assisti, ainda bem criança, foi sobre os tempos das cruzadas, dos reis, dos ministros e da nobreza. Havia reis bons, outros cruéis, sempre cercados pela família real, criada “nos luxos”, cercada pelos nobres, lacaios e pelos seus poderosos exércitos. Muito usada nos enredos, a história do Robin Hood, um ladrão que tirava dos ricos para distribuir aos pobres, lá nos tempos de Ricardo Coração de Leão. Seu abrigo, e de seu bando, era a Floresta de Sherwood, ao lado de seus amigos mais próximos, João Pequeno e Frei Tuck, um franciscano divertidíssimo.

Na realidade Robin era filho de um nobre que, em excursão fora da Inglaterra,  com o Rei Ricardo, depois de ter sido capturado pelos inimigos, foge e retorna para sua terra. O príncipe John, segundo na linha de sucessão, assassinara o pai de Robin e assumira a coroa. Com seu grupo passa a combater o novo rei, com a finalidade de reconstruir sua situação de nobre, não sem antes recuperar para o povo tudo aquilo que o tirano dele retirara. É uma história muito bonita, onde o mal sucumbe às vontades dos homens de bem. Robin retoma sua dignidade, se casa com a princesa  sob as bênçãos do Rei Ricardo Coração de Leão que retornara pra seu país.

Assim, com o passar dos anos, fomos muito ao cinema. E que não se lembra dos “Três Mosqueteiros” e sua luta pelo bem, do Rei Arthur e dos “Cavaleiros da Távola Redonda”. Na mesma linha, e às vezes com o mesmo ator, Errol Flynn, dos filmes de capa e espada, onde bandidos viravam heróis, bravos guerreiros em favor do povo oprimido. Em suma, houve uma época que o cinema era, de fato, uma casa de sonhos, de entretenimento puro, onde o bem obrigatoriamente tinha que prosperar, sob pena dos assistentes saírem insatisfeitos, reclamando e lamentando pelo final infeliz.

O que se percebe é que nós humanos sempre nos apegamos a líderes, heróis e super-heróis que mexam com nossa imaginação. Nos Estados Unidos do início do século passado, exatamente em razão do “crash” nas bolsas e das guerras que eclociam, surgiram outros “Robin Hood” mais tungados. Super Homem, Capitão Marvel, do Billy Batson que gritava “shazam” e se transformava num outro homem, de aço e com poderem extraordinários, a exemplo de mais alguns que se seguiram, como o “homem aranha”, um personagem que faz sucesso até hoje.

E a história nos revelou muitos heróis, de conduta ilibada, como Winston Churchill, na Inglaterra, Charles de Gaule, na França, Douglas MacArthur, Harry S. Truman nos Estados Unidos. Homens que conduziram seus países quando a efervecência econômica e social eram perturbadas, ainda, pelas desavenças doutrinárias entre as maiores nações  num mundo de Lênin, Stalin, Hitler, Mussolini, Ho-chi-minh, todos revolucionários e estadistas, por incrível que pareça, considerados pela história líderes do mal que foram!

O nosso Brasil sempre exerceu um papel secundário nos eventos globais. País com população rural insipiente e sedento de progresso até que, lá pelos anos cinquenta, depois da era Getúlio, principalmente por obra e graça de Juscelino Kubitschek, iniciou-se uma era de industrialização portentosa, acompanhada da instalação de hidrelétricas de porte para manter o crescimento de uma nova nação,  de futuro promissor. Mais tarde, no governo militar,  assistimos um fantástico impulso do agro-negócio, hoje o ponta de lança do comércio exterior.

De qualquer maneira, a exemplo de outros países, nós também temos nossos “Robin Hood”. Embora em outros tempos, como povo mais humilde, mais simples no seu sentido de viver, tenhamos cultuado heróis e baluartes. Entretanto, nossa safra de bons dirigentes fracassou. O último “Hobin Hood”, que prometeu mundos e fundos para os mais pobres, se perdeu entre seus ideais de homem de origem pobre e sua sede de riqueza e poder. Lamentáveis os rumos que as coisas estão tomando, de total descontrole, insensibilidade. Assuntos de interesse de nossa população estão sendo relegados a segundo plano, enquanto todos nós rogamos por um ou mais “Robin Hood” de verdade, cujo cérebro, ou cérebros, funcionem um pouco melhor do que os dessas lideranças que estão perdidas por aí, debruçadas sobre montes de dinheiro que eles mesmos juram, de joelhos, não saber de onde veio. Parafraseando a letra da canção de Cazuza, podemos afirmar que “nossos Robin Hood” tupiniquins morrerão de over dose”!!!

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