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terça-feira, 15 de dezembro de 2015

O jumento selado e o árabe puro sangue



   Wilalba F. Souza                                                         14/12/15


O deputado Rodrigues, alcunhado politicamente sargento, o que ele, definitivamente, não é mais, teria declarado, em um de seus pronunciamentos na Assembleia Mineira, que coronel não manda mais na PM (será que ele se acha?). Aliás, ele tem enorme prazer em requerer explicações de comandantes, na certeza para aparecer bem perante praças, base importante de seu eleitorado. Entende-se: basófias têm caracterizado o procedimento de grande parte dos políticos brasileiros. Coronel nunca mandou em nada. A carreira militar dá acesso a postos e graduações, e o de maior graduação, ou  posto, comanda. Comandar não é ato solitário. É, sim, solidário. Mais que isto, é integrar, coordenar, organizar e realizar. Está assim, na lei! Mas como grosserias na política viraram rotina, desrespeito e descalabro, o melhor é deixar isto pra lá! Entretanto, ainda que de longe, acompanho, meio de soslaio, a carreira política desse deputado que, aproveitando um jumento selado que lhe apareceu, em 1.997, por ocasião da crise institucional dentro da Corporação, por culpa exclusiva dos comandantes e coronéis daquela época, se elegeu, juntamente com seu desafeto, o não cabo, também deputado, Júlio. Realmente os coronéis comandantes naquele ano se deram mal em assuntos ligados à reivindicação de reajustes de vencimentos, ao aceitarem, numa atitude egoísta, impensada, insensível e anti-profissional,  aumento diferenciado para oficiais, em detrimento das praças e deu no que deu! Deixaram, os incidentes e desencontros no governo Azeredo, uma das maiores manchas na nossa história recente, com a morte de um companheiro e outros desdobramentos.

Passados dezoito anos, já é total a renovação dos nossos quadros, tanto de oficiais como praças. E no mesmo período, sob influência, também, do deputado Rodrigues, assistimos modificações impensáveis no nosso ordenamento institucional, incluídos o Estatuto do Pessoal e o Regulamento Disciplinar, hoje também código de ética. No afã de manter seu eleitorado, esses políticos citados, oriundos dos quadros da PM e que se auto-intitulam representantes da classe, prepararam armadilhas para os mais incautos, como, por exemplo, o tal bônus de produtividade, em 2.008, para o pessoal da ativa, já extinto, quebrando a paridade de vencimentos entre ativos e reservistas, uma conquista suada de mais de meio século atrás, embora os mais ajuizados tenham implorado para que não isto fosse feito. Era a chaga aberta para entrada de outras doenças.

Esse mesmo deputado, ex-sargento, dizem, ajudado por um coronel de alta função, mas de miolo mole, conseguiu convencer seus colegas, e o governador Anastasia, que seria muito bom para a Polícia Militar diluir a carreira militar, somando a ela, para todos os efeitos, em benefício de seu integrante, tempo de trabalho, de qualquer espécie, contado na previdência geral. Ora, sabe-se perfeitamente que a carreira de trinta anos, para a PM e Bombeiros era uma forma de premiar seus integrantes tendo em vista, inclusive, a possibilidade de convocá-los, mormente em situações emergenciais, por comprometimento efetivo com o tempo integral de dedicação. Pois é, acabaram com isto e liberaram geral. Pode-se contar qualquer tempo fora da PM para transferência para a reserva, com todos os direitos. Uma excrescência, em tempos de hoje, um absurdo autorizado pela lei complementar eleitoreira 109, agravado pela mudança no sistema de concessão de férias anuais. De trinta dias corridos passaram para vinte e cinco dias úteis, isto pra não citar outros desdobramentos, como banalização das reconvocações “arremendantes” e desníveis salariais entre militares de mesmo nível, ou de subordinado para superior! Resultado? Evasão galopante de gente nova para a reserva e aumento de indisponibilidade. Recompensados, no caso, foram os candidatos a parlamentares, recebedores dos votos, o governador, re-eleito e os policiais militares beneficiados desproporcionalmente às nossas realidades.  A prestação de serviços ao “povão” caiu vertiginosamente, bastando ver  as reclamações e as estatísticas criminais!

É importante que sempre lembremos a todos dessa história, porque o tempo passa e esses políticos continuam a preparar as suas, sem se preocupar com o que virá pela frente. Assim, modestamente, mas com firmeza, rogamos aos companheiros, principalmente os da ativa, que fiquem atentos a essas armadilhas. O Estado, financeiramente, pode muito, mas não pode tudo! Assim penso! Mais importante que penduricalhos ilusórios e melosos, são as condições de manutenção das qualidades da Corporação. E essas suas características seculares estão sendo desmontadas. A nova discussão é o que fazer para reverter o quadro de penúria das nossas possibilidades operacionais. Ainda bem que pesquisadores do assunto se debruçam sobre o tema, entendendo que a reversão deste estado de coisas só será possível, a médio/longo prazo, reformulando-se a questão do tempo de serviço na Polícia Militar, talvez readotando a norma anterior de trinta anos de serviço ativo puro, em condições parecidas com as das forças Armadas, permanecendo, após a trintenária, quem quiser. É uma das formas de se acabar com “essa festa”, instalada no seio da instituição militar e que poderá resultar, também, anotem, em sério prejuízo para o pessoal que, um dia, irá para a reserva. Virá daí o desagradável pesadelo, pela incapacidade dos cofres públicos garantirem as despesas com inativos e pensionistas, que andam a galope. Não de jumento selado, mas de cavalo árabe puro sangue!!!



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