Wilalba F. Souza
17/02/16
As redes sociais são um instrumento bem
avançado de aproximar pessoas e, da mesma forma, capaz de separá-las
contundentemente, criando clima de beligerância entre grupos e entidades.
Enfim, é necessário ter muito parcimônia ao receber informações, não
repassando-as sem, antes, ter um cuidado prioritário para não servir, apenas,
de vetor, de “mula”, enfim. Recebi, pelo whatsapp, uma montagem onde se via a
foto de um sargento, que se chamaria Alonso, ombreado com o comandante da
Polícia Militar de Minas, coronel Bianchinni. Uma denúncia explícita e eivada
de revolta pelo fato do coronel ter transferido, “verbalmente” – desconheço
como isto, legalmente, possa ser feito - o graduado de Uberaba, lá no
triângulo, para Muriaé, mais a leste do nosso Estado. O motivo seria mais uma
represália pelo fato dele ter feito críticas, em redes sociais, ao PT, partido
do governo. Quem postou o “cartaz” teria falado em ”lei da mordaça”, instituída
pelo comando, etc, etc.
Se isto é verdade, ou não, só mesmo, e
se for o caso, a própria PM pode esclarecer. Não é a primeira vez, nem a
última, que as redes sociais são usadas para difundir notícias sem origem
explícita. Existem blogs e outras formas de comunicação estranhas que,
literalmente, “detonam” instituições e autoridades, nem sempre acobertadas pelo
bom senso, pela razão e pela ética. Então, que apareçam instrumentos legais e
concernentes para contrapor aos ataques de acordo com o momento e com a
instituição. Dia desses me enviaram uma gravação de voz onde um indivíduo, que
seria integrante a instituição, nomeou e renomeou o comandante geral com
adjetivos impublicáveis. Isto está banalizado em relação a qualquer autoridade,
no nível que estiver.
Quando, há algum tempo, chamamos de
politização o fato de a Corporação, em nível de comando, ter sido dividida
entre governistas e oposição, previmos que isto poderia ser prejudicial a todos
nós, e mesmo à nossa capacidade operacional. Individualmente temos nossas
preferências partidárias e votamos. Trazer e universalizar sentimentos desse
tipo para dentro de uma instituição militar é pernicioso, sim. E o que se
percebe, não só por nós, mas por tantos outros companheiros que se interessam
pela Polícia Militar, é que, infelizmente, isto está acontecendo. E não estamos
afirmando que as notícias sobre o sargento de Uberaba tenham fundamento. Até
acho que não, mas considerando as informações sobre promoções e classificações
de coronéis amplamente divulgadas, ficamos com um pé atrás. E urge que essas
práticas sejam mais que minimizadas, em prol de nossa família.
Esses sentimentos arraigados e acirrados
têm sido constatados inclusive entre as muitas instituições representativas de
policiais militares. Nestes tempos de vacas magérrimas, de crise mesmo, por
todos os cantos, quando precisamos nos unir em torno da Polícia Militar,
interesses politiqueiros jogam irmãos de farda, uns contra o outro. O (não
cabo) deputado Júlio, vice líder do governo petista de Pimentel na Assembléia, é
inimigo ferrenho, em todos os sentidos, do (não sargento) deputado Rodrigues,
que trabalha em oposição. Ambos rodeados de simpatizantes, totalmente cegos às
realidades nacionais de hoje. E neste turbilhão de sentimentos, problemas e
desacertos, estamos jogados de lado, todos da família militar mineira,
assistindo egos se inflarem e se esvaziarem numa disputa desconexa, enquanto
pagamento da tropa é parcelado, a assistência à saúde interna anda aos trancos
e barrancos e o circo promove grotescos espetáculos. Poderíamos ter sorte um
pouco melhor... e verdadeiros representantes na Assembleia Legislativa...