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segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

A muque, no rugir e no grito

A muque, no rugir e no grito

Wilalba F. Souza                                                                       01/fev/16


Semana passada comentamos sobre o entendimento entre o padre Eudes, que se considera dono do bairro Santo Antônio, e o prefeito, Toninho Andrada, que deve se achar dono do restante da cidade, para a transferência do carnaval para a praça da igreja lá existente e que leva o nome do aclamado padroeiro. É que uma parcela considerável da comunidade não concorda com isto. Pessoas mais velhas e conservadoras, sofredoras, prejudicadas pelas barulhentas festas promovidas pelo dito sacerdote. E de nada adiantou o apelo de quem é penalizado pelas  zoadas já conhecidas naquele espaço que poderia ser melhor aproveitado. Mas isto não ocorre, não sabemos em nome de quê!

Mas tudo bem, sabemos que a dupla é poderosa e de certa forma temida. O padre porque, segundo se propala, teria amaldiçoado pobres mortais que fizeram parte do grupo de reclamantes e que não deseja carnaval ali. Só que, pelo que ouvi, ele extrapolou! O chefe do executivo abriu as portas de suas emissoras de rádio para Eudes e eu, curioso, fui ouvir suas razões e somente tive aumentada minha decepção. O homem, que de santo nada tem, vociferou muita bobagem, ao invés de demonstrar equilíbrio de quem se considera um líder caridoso prestador de serviços à comunidade que circunda a matriz. Sinceramente, não o conheço, mas esperava dele um tom mais ameno e conciliador. O mínimo que disse é que as pessoas reclamantes não sabiam o que falavam e que Santo Antônio iria julgar seus atos.  Ei, “seu padre”, quem está te julgando são os seus paroquianos mesmo! E vai devagar porque você deixou o andor cair!

As pessoas não sabem que toda festa ali realizada nada tem de religiosa e que incomoda não só uma parte do bairro, mas todo ele e boa parte da cidade? Que as portas da igreja vão permanecer fechadas para que alguns de seus convidados carnavalescos, mal intencionados, não destruam ou causem danos materiais em seu interior? Que, na realidade, a dupla está improvisando e encurralando foliões em um local impróprio e incapaz de receber a população momesca de uma cidade inteira; que, além de esvaziar o evento, vai prejudicar milhares de famílias, idosos e doentes com uma barulheira endêmica ali praticada há anos? O padre disse, no programa de rádio, que já reclamaram dele com o Bispo, Arcebispo, sei lá! E isto de nada adiantou...e nem vai adiantar. Então o “martelo foi batido” e, doa em quem doer, vai ter baruleira, pronto!

Enquanto isto sessenta por cento da população, servida pelo DEMAE está, há dias, sem água. E não sabe como fazer. O chefe do executivo decretou “situação de emergência” e o problema é grave. Hoje me ligou um amigo pedindo para tomar banho em minha casa! Não sabia mais o que fazer. Como ajudar se a água lá de casa também acabou e a prefeitura não dá sinais de quando ela vai voltar? Disseram que as bombas foram hoje para Belo Horizonte e não se sabe quando voltam. Uai, e fica por isto mesmo? E porque as bombas se estragaram? – O rio encheu demais, acima do previsto, responderam, e não teve jeito!

O cidadão menos informado reclama da falta do precioso líquido e se cala. Entretanto, ao invés de vazar água, do DEMAE, vazam informações. Como sempre havia problema das bombas ficarem submersas, assim dizem, foi criado um sistema elevatório por corrente, que permitia levantar o equipamento nas cheias, retornando-o quando o nível abaixasse. Entretanto, sabem o que poderia ter acontecido e que corre por aí? Por desídia, na hora que o nível do rio começou a subir não havia pessoal suficiente na estação de captação para operar o sistema e deu no que deu! Porém prefiro não acreditar nisso. Seria displicência demais.  Precisamos, como povo, de mais informações. Do jeito que está soa estranho e pouco transparente, mais ainda para quem já não suporta ficar sem dar descarga ou tomar um banho. Conclusão? Pois é, água não tem, né padre, né prefeito, mas carnaval pra importunar um pacífico bairro, seus velhos e crianças, tem a muque, no rugir e no grito!


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