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terça-feira, 6 de setembro de 2016

Rascunho

Wilalba F. Souza                                      05/set/2016


Tenho aprendido, ao longo dos anos, a conviver com pessoas e a ler muito sobre o que nos interessa, como cidadão! Coisa natural! Por isto sou um consumidor efetivo dos meios de comunicação. Assim, Cristovam Buarque, o senador, sempre atraiu minha atenção, desde quando foi governador do Distrito Federal e, depois, ministro e senador. Sendo ele professor, intelectual e experiente, presto atenção nas suas falas, certo de que algo de aproveitável assimilaremos. Suas intervenções, das tribunas, são ponderadas e proveitosas, dificilmente com alteração do tom de voz. Seus argumentos gritam mais que apelações escandalosas proferidas por seus pares.

Desde que se iniciou o tal de processo de impeachment, tenho assistido e ouvido seus discursos, suas alegações e seu cuidadoso apelo junto aos colegas. A certa altura do processo ele começou a deixar impressões de que pediria a “cabeça” de Dilma, sob alegação de que o diálogo da ex-presidente era difícil, intrincado, além do fato dela não gostar de ouvir quem quer que seja, e tudo somado aos mais que desastrosos resultados de sua administração. Na votação que decidiu o destino da dita senhora ele e mais da metade dos senadores deram votos dúbios: um para cassar a  presidente e outro para mantê-la em cena, com direitos políticos preservados, embora a Constituição não permita: “o condenado por colegiado à perda do mandato fica inelegível por oito anos”.

Qualquer inteligência mediana que tenha acompanhado o longo e penoso (para o cidadão de bem) processo, instaurado pelo legislativo contra a, hoje, ex-presidente Dilma, sabe que seus erros administrativos e  “saltos” por cima das prerrogativas do Congresso motivaram e deram “pega” a que fosse condenada. Passássemos dois mil anos por aqueles ritos, ditos Constitucionais e Regimentais, o resultado seria o mesmo, com a mandatária,“derrubada do cavalo”, ou da bicicleta, já que ela a prefere dar suas pedaladas, embora, como já disse antes, faça parte daquele time que nem quer saber se a mula é manca, o que importa é rosetar.

E aí, não sei se isto adianta, temos de nos lembrar que, neste país, os três poderes “se cheiram muito”, da mesma forma que cachorros quando se juntam. O PT, via Lula presidente, nomeou, há alguns anos,  Lewandowski para Ministro do Supremo Tribunal Federal e andou cobrando “retorno” pelo favor feito, quando a Lava-jato o pegou; depois, no julgamento da petista pelo senado, o presidente do STF, resolveu dar um “ retorno” aos seus padrinhos, de forma retumbante, na “cara dura”, misturando-se a Renan, presidente do senado, parlamentar com biografia cheia de processos e  engodos nada republicanos. Excelente peão - nunca é apeado da mula - aliou-se ao juiz e, literalmente, fez da Constituição um rascunho. Política, irresponsável e lamentavelmente, buscaram “ficar bem na fita” com Deus e o diabo. Suas fotos e suas biografias ficaram ainda mais sujas. Resta aos brasileiros, se conseguirem, reconstituir a força da nossa Lei Maior.

Enquanto isto, em cima de toda balbúrdia e quase desgoverno, esses políticos oportunistas só sabem falar em novas eleições e criação de outra Constituinte. A Carta de 1.988, que eles mesmos, via Ulisses Guimarães, denominaram cidadã, com apenas 28 anos, já não serve mais! Embora profanem, por aí, que, no Brasil, todas as instituições estejam funcionando, e que o clima é de normalidade, não vislumbramos nada disso. A economia patina, o desemprego é alto e o PT de Lula, saindo da presidência, tem insuflado movimentos sociais a protestos por todos os cantos, inclusive com depredações. Assim, depreendemos que o comportamento deletério desses senhores talvez possa nos explicar porque, em 1964, ocorreu uma revolução que lhes tolheu a possibilidade de bagunçar, cada vez mais, uma grande Nação e a vida de todos nós brasileiros. Fico boquiaberto pela maneira que eles exercitam sua “cidadania”, cantando em prosa e verso  essa bonachona, por eles desmoralizada e debochada, democracia tupiniquim!

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