Wilalba F. Souza 05/set/2016
Tenho aprendido, ao longo dos anos, a
conviver com pessoas e a ler muito sobre o que nos interessa, como cidadão! Coisa
natural! Por isto sou um consumidor efetivo dos meios de comunicação. Assim, Cristovam
Buarque, o senador, sempre atraiu minha atenção, desde quando foi governador do
Distrito Federal e, depois, ministro e senador. Sendo ele professor,
intelectual e experiente, presto atenção nas suas falas, certo de que algo de
aproveitável assimilaremos. Suas intervenções, das tribunas, são ponderadas e
proveitosas, dificilmente com alteração do tom de voz. Seus argumentos gritam
mais que apelações escandalosas proferidas por seus pares.
Desde que se iniciou o tal de processo
de impeachment, tenho assistido e ouvido seus discursos, suas alegações e seu
cuidadoso apelo junto aos colegas. A certa altura do processo ele começou a
deixar impressões de que pediria a “cabeça” de Dilma, sob alegação de que o
diálogo da ex-presidente era difícil, intrincado, além do fato dela não gostar
de ouvir quem quer que seja, e tudo somado aos mais que desastrosos resultados
de sua administração. Na votação que decidiu o destino da dita senhora ele e
mais da metade dos senadores deram votos dúbios: um para cassar a presidente e outro para mantê-la em cena, com
direitos políticos preservados, embora a Constituição não permita: “o condenado
por colegiado à perda do mandato fica inelegível por oito anos”.
Qualquer inteligência mediana que tenha
acompanhado o longo e penoso (para o cidadão de bem) processo, instaurado pelo
legislativo contra a, hoje, ex-presidente Dilma, sabe que seus erros
administrativos e “saltos” por cima das
prerrogativas do Congresso motivaram e deram “pega” a que fosse condenada.
Passássemos dois mil anos por aqueles ritos, ditos Constitucionais e
Regimentais, o resultado seria o mesmo, com a mandatária,“derrubada do cavalo”,
ou da bicicleta, já que ela a prefere dar suas pedaladas, embora, como já disse
antes, faça parte daquele time que nem quer saber se a mula é manca, o que
importa é rosetar.
E aí, não sei se isto adianta, temos de
nos lembrar que, neste país, os três poderes “se cheiram muito”, da mesma forma
que cachorros quando se juntam. O PT, via Lula presidente, nomeou, há alguns
anos, Lewandowski para Ministro do Supremo
Tribunal Federal e andou cobrando “retorno” pelo favor feito, quando a
Lava-jato o pegou; depois, no julgamento da petista pelo senado, o presidente
do STF, resolveu dar um “ retorno” aos seus padrinhos, de forma retumbante, na
“cara dura”, misturando-se a Renan, presidente do senado, parlamentar com biografia
cheia de processos e engodos nada
republicanos. Excelente peão - nunca é apeado da mula - aliou-se ao juiz e,
literalmente, fez da Constituição um rascunho. Política, irresponsável e
lamentavelmente, buscaram “ficar bem na fita” com Deus e o diabo. Suas fotos e
suas biografias ficaram ainda mais sujas. Resta aos brasileiros, se conseguirem,
reconstituir a força da nossa Lei Maior.
Enquanto isto, em cima de toda balbúrdia
e quase desgoverno, esses políticos oportunistas só sabem falar em novas
eleições e criação de outra Constituinte. A Carta de 1.988, que eles mesmos,
via Ulisses Guimarães, denominaram cidadã, com apenas 28 anos, já não serve
mais! Embora profanem, por aí, que, no Brasil, todas as instituições estejam
funcionando, e que o clima é de normalidade, não vislumbramos nada disso. A
economia patina, o desemprego é alto e o PT de Lula, saindo da presidência, tem
insuflado movimentos sociais a protestos por todos os cantos, inclusive com
depredações. Assim, depreendemos que o comportamento deletério desses senhores talvez
possa nos explicar porque, em 1964, ocorreu uma revolução que lhes tolheu a
possibilidade de bagunçar, cada vez mais, uma grande Nação e a vida de todos
nós brasileiros. Fico boquiaberto pela maneira que eles exercitam sua
“cidadania”, cantando em prosa e verso
essa bonachona, por eles desmoralizada e debochada, democracia
tupiniquim!
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