Wilalba F. Souza 28/Out/2016
Na seção final do julgamento de Dilma
Roussef, pelo Senado, capitaneado, ou presidido, pelo Juiz Lewandowski, do STF,
essa autoridade e o senador Renan Calheiros decidiram, saltando por cima da
Constituição que, de acordo com a votação dos senadores, a ex-presidente
perderia seu cargo, mas não ficaria inelegível por oito anos, dando esdrúxula
interpretação à lei, e que aquele conselho poderia fazer isto. Depois que a
dupla, e principalmente o Juiz, desconsiderou a Carta, dita Magna, “bombou-se”,
por todos os cantos, o uso do termo fatiar, mais badalado em padarias e
supermercados.
À época o Juiz presidia a mais alta
corte do país e, certamente, foi muito criticado pelas inteligências
constitucionalistas nacionais, em tempos de ação fulminante, de certa forma até
exagerada, da operação, dita lava-jato, encarregada de apurar os crimes
cometidos, por empresários e políticos, contra o patrimônio da Nação, especialmente
contra a Petrobras, empresa antes modelo e orgulho do Brasil. Na realidade foi
puxado o fio de um novelo que dificilmente chegará ao seu final, tendo em vista
que já entraram, na “alça de mira” da lei, a Eletrobrás, o BNDS e outras
corporações de porte e públicas.
O juiz Moro, da dita e agora famosa
República de Curitiba, fatia reto, digo, “corta reto”, mas o “apresuntado” tem
ficado muito pesado. E não só por isto, mas também e certamente, por razões periféricas,
esses inquéritos foram repartidos (fatiados?). E, claro, depois das prisões de
Delcídio do Amaral e Palocci, figurões da nossa política, e de dirigentes de
grandes empresas como a Odebrecht, os nervos dos envolvidos, políticos do
Congresso, evidentemente, estão em ebulição! Que o digam figuras como a do
presidente do senado, Renan Calheiros que tem, na “carta, ou no cardápio de
processos” do STF, mais de uma dezena de capas com seu nome. Todos adormecidos,
como é próprio daquela Alta Corte, onde inquéritos parecem hóspedes de
verdadeiros “spas”.
Pra incendiar o capim seco próprio de
Brasília, o juiz federal Vallisney autorizou busca e apreensão, no senado, de
equipamento, usado pelos seguranças daquela casa, para localização de escutas
em gabinetes e residências de autoridades. Levaram as ditas tralhas e
conduziram, “sob vara”, integrantes daquele segmento de funcionários que eles
chamam de polícia, o que, definitivamente, nunca foram. Teriam feito, os
“polícias do senado”, “varreaduras” nas casas de personalidades como os
senadores Color de Melo e Gleisi Hoffmann, destinadas a encontrar escutas
legais, certamente autorizadas por quem de direito, consideradas manobras para
obstruir apurações de crimes porventura cometidos por esses e outros integrantes
daquela casa legislativa, suspeitos de recebimento de propinas, corrupção e
outras ilegalidades. Enfim, sem entrar no mérito, conseguiram montar um verdadeiro
balaio de gatos selvagens, em meio aos grandes problemas a serem atacados, de
frente, pelo governo brasileiro, atualmente diante de uma crise econômica e
política sem precedentes.
Enfim, o senador Renan, do alto de sua
autoridade toda arranhada, e com nervos
em frangalhos, à flor da pele, em
entrevista coletiva, chamou o Dr Vallisney de “juizeco”, coitado!- ele que nem
apita partidas de futebol - e já exigiu: -
devolvam os equipamentos de escuta! A presidente do STF, Dra Cármen
Lúcia, retrucou, dizendo-se ofendida pessoalmente, e, em razão disto, iniciou-se
uma guerra de medidas legislativas X ações judiciais. Em suma, estão se
“engalfinhando”, numa época em que o país mais precisa deles, com equilíbrio,
moderação e... sem fatiamento!!! Por fim, depois das broncas de Renan, o
inquérito e a parafernalha apreendidos ao senado foram recolhidos ao STF, por
decisão do juiz Teori Zavaski. Teria ele hospedado, naquela casa de repouso,
mais um hóspede? Digo, processo?
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