Wilalba F. Souza 24/nov/16
Há muito tempo temos escutado alertas
para a questão previdenciária no Brasil. O primeiro movimento, para a questão
securitária e previdenciária brasileiras, vem do ano de 1908, com a criação do
Instituto de Previdência dos Servidores Militares de Minas Gerais. É o pioneiro
de seu gênero, para atender às necessidades das viúvas dos militares da Força
Pública do Estado de Minas Gerais, naqueles tempos deixadas às minguas, com
seus filhos, quando do falecimento de seus maridos, num país ainda tentando se
encontrar. Havia muitos combates entre estados.
Depois de alguns anos, vieram outros,
por obra de Getúlio Vargas, que compõem a nossa previdência geral, gigante
brasileiro a atender os seus cidadãos, uma conquista de expressão, a amparar os
milhares de trabalhadores, principalmente por ocasião de suas aposentadorias.
Por anos a fio essa previdência se apresentou superavitária, em razão de
receber contribuições em valores maiores que os usados para pagar proventos. A
população era bem mais nova.
Crescendo o Brasil, sem que seus
administradores cuidassem dessa nossa previdência, e pior, usassem suas
reservas para atender demandas estranhas às suas finalidades, ano a ano foram
misturando alhos com bugalhos, de maneira que, somadas a isso benesses
distribuídas a quem não contribuiu, surgiu o tal de déficit. Então, a saída,
como sempre soi acontecer, foi transferir recursos do tesouro para cobrir os
rombos.
Chegando, a capacidade de pagamento, ao
limite, só há uma solução, e inadiável: refazer tudo! Aumentar o limite de
idade para aposentadoria, com o propósito de colocar o trem nos trilhos. Só que
ninguém quer mudanças. Entretanto o sistema pode entrar em colapso. Aí,
pergunta-se: preferível trabalhar mais uns anos e ter a garantia do recebimento
da aposentadoria, ou ficar como está e não recebê-la?
Dia desses o Ministro da Defesa,
Jungmann, declarou que a questão previdenciária dos militares terá tratamento
diferenciado... E as Polícias Militares? Constitucionalmente são, mesmo,
militares. Mas aí quem vai ter que solucionar o problema é cada um dos Estados
Membros. Hoje, por exemplo, cada uma tem ditames legais próprios que definem
sua previdência. Penso que deviam trabalhar juntas para, pelo menos, reduzir
diferenças. Mas é difícil.
No caso mineiro, que conheço mais, os
governos conseguiram “bagunçar o coreto”, numa verdadeira salada mista, ou
seja, inserindo referências da previdência geral, tipicamente civil, à
previdência própria, dos militares estaduais. Como assim? A base de trinta anos
de efetivo serviço para transferência à inatividade premiava a inexistência de
carga horária rígida, que anteriormente chamávamos de “tempo integral” e férias
anuais de trinta dias corridos, hoje passados para dias úteis, e ainda
transferência para a reserva com todos os direitos, contanto tempo de atividade
civil, coisa impensável há poucos anos.
Logo, e por isto mesmo, a evasão de
efetivo na PMMG é galopante, sendo tímidos os investimentos para reposição da
tropa. Conseqüência? Quem garante vencimentos e proventos é o orçamento
estadual, cada vez mais “inchado” por inativos até jovens, inviabilizando
outros investimentos e fragilizando o policiamento.
Pra simplificar: comparando com as
forças armadas, podemos afirmar que, pelo menos em Minas Gerais, houve
muitas mudanças que distorceram o caráter militar da Milícia de Tiradentes,
hoje balizada por um Código de Ética e Disciplinar que não atende as
necessidades de uma instituição carente de controle disciplinar mais rígido,
inclusive para suportar severas condições de empenho operacional.
Dia desses, via comentário de colega
ligados nas nossas coisas, fiquei sabendo que a Justiça Militar Estadual está
sendo “invadida” por processos criminais, tendo em vista que nossos
regulamentos administrativos já não mais alcançam seus objetivos. Como o Código
de Ética e Disciplinar permite recursos e mais recursos, as gavetas vão ficando
entupidas e os excessos de prazo inibindo os efeitos punitivos. E isto daqui a
pouco pode chegar ao tribunal militar mineiro! Simples, assim!!!
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