Wilalba F. Souza
05/Maio/2017
Há muitos anos, mais de dez até, promovemos
passeios, sem fins lucrativos, geralmente para pessoas mais de idade ( não
gosto desses termos que nos denominam “melhor idade”,” terceira idade”, etc),
associadas da UMMG (União dos Militares de Minas Gerais). Nossos destinos são
Boa Esperança, Paraty, Carapebus, em Serra, ao lado de Vitória, além de, esporadicamente, nos
dirigirmos a locais como o Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro. É um dos
benefícios de nossa associação.
Nessas viagens nunca ocorreram acidentes
ou incidentes mais graves, eis que preferimos nos deslocar de dia, evitando as
armadilhas noturnas. Numa de nossas idas a Paraty, resolvemos dar uma
“esticada” até Ubatuba, meio de supetão, e lá fomos multados por não termos
pago a licença de R$3.000,00 para o coletivo entrasse na cidade. Claro que
voltamos decepcionados, embora satisfeitos pela visita a um pequeno museu
oceanográfico lá existente. A praia, mesmo que famosa, não é tão grande coisa
assim!!!
A empresa contratada, dirigida pela própria família proprietária, tem nos
atendido bem. Quando vamos para o Espírito Santo sempre fretamos o maior ônibus
lá existente, ano 2005, com quarenta e dois lugares, muito bem conservado,
espaçoso e confortável. Em abril fomos para o mesmo lugar, no veículo que tem
aparência de novo e cumpre bem suas tarefas. As revisões e vistorias feitas
pela ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) estão em dia. Com as autoridades
de turismo, também tudo certo. Mas...
Mas, por aquelas picuinhas existentes e
inexplicáveis no Brasil, ao passar por essas balanças de controle de peso, o
ônibus é retido. O motorista desce, leva a documentação, fica com os “homens”
uma meia hora e, ao retornar, diz que lavraram uma multa e segue viagem, mas
que a penalidade nunca lhes chega, Se está tudo certo, porque excesso de peso
se somos apenas 34 passageiros, com pouca bagagem? – Porque o ônibus, embora em
plenas condições, é penalizado com redução de sua capacidade, a cada ano que
passa. Assim, mesmo vazio, ele é parado na balança, diz o motorista. Lavram a
multa mas... não a enviam, repete ele!
Bem, perdidos quarenta ou cinqüenta
minutos da longa viagem até nosso destino, continuamos nós, maioria gente com
mais de sessenta, setenta anos de idade, em busca apenas de um pouco de lazer.
Assim, na minha cabeça, por mais que procure entender, não consigo: - se o
ônibus não serve, porque as autoridades não o proíbem rodar?
Depois de mais de dez horas na estrada,
até cansados, e a uns 80
quilômetros de nosso destino, lá vai o veterano
transporte novamente parar numa balança, agora na Br 101. Um funcionário do
DNIT, com feição nada amigável, adentrou o veículo, depois de o motorista ter
ido ao posto e mostrado a documentação, e, mesmo observando que a maioria era
de pessoas idosas e aposentados, não se fez de rogado: - Todo mundo, apresentar
suas identidade, esbravejou. Recolhidos os documentos, passou a fazer a
conferência, cotejando-os com a relação de passageiros.
Enfim, nessa “lenga-lenga” burocrática e
malvada, olhou, de um lado pra outro, procurando falhas, que não encontrou. O
que Anastácio fez – parece que era o nome do funcionário – foi uma maldade e
uma falta de consideração com os passageiros, cujo transporte foi liberado uma
hora depois. Multou o ônibus por um motivo banal qualquer, parecendo extravasar
algum problema de cunho pessoal, sobre quem nada tinha a ver com isso.
Enfim, exaustos, chegamos ao nosso
destino, com umas três horas de atraso, sem muitas reclamações, embora bastante
constrangidos pela atitude daquele funcionário de comportamento estranho, mas
principalmente pela complexa e intrincada legislação que regula as questões do
transporte de pessoas e bens por essas estradas de terceira categoria que
cortam nosso país. Lamentável!!!
Nenhum comentário:
Postar um comentário