Wilalba F. Souza 11/Set/2017
Há alguns dias me telefonou uma velha
amiga, bem idosa por sinal, que reside aqui mesmo, em Barbacena, no pacato
Bairro da Fábrica, onde também se localiza a Escola de Aeronáutica, beirando a
linha férrea, explorada, e como, pela MRS-Logística, para transporte de
minério, principalmente. Essa senhora toma conta de seu marido, bastante
adoentado, e de uma sobrinha, sexagenária, pensionista da Polícia Militar,
dependente, em tudo, da tia, incapaz de se manter por si própria. Essa família,
a qual acompanho há muito anos, graças a Deus não tem muitos problemas de ordem
financeira, eis que, em sua simplicidade, luta
apenas por sobrevivência digna.
Há pouco mais de um mês, talvez dois,
uma guarnição da Polícia Militar, dita do policiamento do meio ambiente, bateu
na porta da casa desses velhinhos. Receberam a denúncia, de uma pessoa qualquer,
que havia um papagaio com eles e, por isto mesmo, ficou encarregada da missão
de investigar e tomar as medidas legais contra os “infratores”, eis que a lei
impede que qualquer cidadão mantenha, em cativeiro, animais da fauna silvestre.
Bem, o papagaio estava lá, logo teriam de autuar o proprietário e apreender o
animal. Claro que houve reação! – Meu senhor, disse indignada a senhora ao PM,
essa “cocota” está aqui em casa desde o século passado, mais precisamente desde
1993. É apenas um bicho de estimação que não nos pode ser retirado depois desse
tempo todo. Não comercializamos, não criamos e tratamos bem dele, como pessoa
da família...
Depois de muita discussão, claro, os PMs
desistiram de levar o “louro”, lavraram um BO e “bateram em retirada”, deixando
para trás os três velhinhos em
choque. Um deles teve que ser levado para o hospital, onde
ficou internado por três dias e continua em tratamento, ela que já tem
debilitada sua vida e seu entendimento das coisas. Claro que a carga ficou mais
pesada para esses idosos, mais ainda que se viram obrigados a constituir
advogado para defendê-los na justiça, nesse caso agilíssima, acusados que foram
de cometer um crime ambiental grave. E este é nosso Brasil!!!
Mas, falando em crimes e danos
ambientais, aqui pela terrinha, passa a linha da MRS-Logística, muito perto da
casa dos idosos citados e da “cocota”, com seu barulho ensurdecedor, de meia em
meia hora, de dia e de noite, incomodando e deixando sem dormir milhares de
pessoas. Essa empresa, que deve faturar milhões de dólares com o desmanche de áreas
ecológicas, nunca é abordada. tendo em vista o zumbido irritante de suas
composições. A concessionária dá polimento nos trilhos para desenvolver
velocidade deletéria, zoeirenta, em seus enormes comboios, de olho apenas nos
lucros, sem ser incomodada pela severidade da lei. Interessante é que todos
ficam calados, mesmo porque esses gigantes econômicos se comportam como se
estivessem – acho que estão - acima das lei, dura para alguns..
Tenho uns amigos que chamam Barbacena de
“A cidade do Drácula”. Primeiro porque as administrações só cuidam de seu
centro, A periferia é “um nada”. Não há um código de posturas e a barulheira é
liberada. Festas de igrejas, pouco religiosas, passeatas da propaganda
comercial escancarada em potentes alto-falantes, seguidos de buzinas e
foguetes, nos transformam em zumbis, sem reação. Sábado à noite, ao anoitecer,
um caminhão de som, daqueles de trem elétrico, dava apoio a uma procissão, não
sei de que credo, num desfile dito de oração, mas que, para mim, pareceu mais
um ato de manifestação política, daqueles que param a rua! E, absurdamente, ainda
levam, em apoio, policiamento, presença
de batedores, e tudo mais. E, só para finalizar, a mesma avenida Bias Fortes,
na entrada da antiga, e saudosíssima, “Cidade das Rosas”, no mesmo sábado, a
exemplo de outros fins de semana, virou pista de corrida de motos, daquelas
cujos usuários retiram o miolo do cano de descarga, certos de que não serão
fiscalizados. Um absurdo. E desse nosso meio ambiente, quem cuidará?
Uma conclusão? É mais fácil tomar a
“cocota” de velhinhos!!!
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