Pesquisar este blog

segunda-feira, 19 de março de 2018

Nau Sem Rumo



Wilalba  F. Souza                                      19/03/18


Não, não queria, mas vou falar sobre bebida, pois tenho vaga lembrança de uma garrafa bem bonita, estampada em páginas de “O Cruzeiro” ou de “Manchete”, revistas de grande circulação há umas três (?) décadas passadas. Isto quando as televisões ainda não eram vistas em todas as casas da família brasileira, como hoje. Mas, confesso: em que pese a qualidade da propaganda, nunca me interessei por tal bebida, me parece que um tipo de conhaque, um brandy, que tem de 40 a 60% de graduação alcólica, por volume. E, pra falar a mais pura verdade, nunca, nunca mesmo, vi alguém bebendo ou comentando qualquer coisa sobre ela.

Quando criança, moleque curioso, na calorenta Governador Valadares, perto da Praça Serra Lima, bem no centro, existia o Bar Tiradentes, já com mesas na larga calçada, onde as pessoas, principalmente homens, tomavam cerveja à sombra. Eram Brahma ou Antártica. Não havia outras marcas. Os refrigerantes, por lá, saiam das mesmas fábricas. Os anos se passaram e, por muito tempo, eu já adulto, colegas me convidavam: - Vamos tomar uma Brahma? A marca era sinônimo de cerveja, embora bebêssemos, também, a Antártica. As garrafas, reaproveitadas, ou retornáveis, os próprios donos de bar e armazéns as compravam.

Os conhaques? Ah, lembro-me do São João da Barra, que deve estar por aí até hoje, acompanhado por outras marcas. E os runs, Montilla e Bacardi. Esses o meu colega e amigo Melgaço me apresentou. Bebidinha forte, sô! Interessante é que, durante uma curta estada em Recife, constatei que lá se produz o Bacardi, à época meu preferido, mas os nativos só aportavam no Montilla, que vem de fora! Vá entender! E o Whisky, dessas todas, nas “boas” rodas, sai na frente, disparado. Pessoal, amante dele, constatei pessoalmente, em viagens há muitos anos, é o do Vale do Jequitinhonha, evidentemente os mais aquinhoados, como fazendeiros e grande comerciantes. Como não podia deixar de ser, certamente sem enumerar ou relatar sobre um catálogo infinito de bebidas que encontramos por nosso país, elegemos a preferida, em todos os níveis sociais, a cachaça. Não sei o que seria do Brasil sem ela. Aliás – será que é lenda? - dizem que sem ela a construção civil para. Pura bobagem, claro. De origem artesanal, elejo as pingas vindas dos pequenos alambiqueiros de Alto do Rio Doce, principalmente a branca, purinha, minha predileta.

Taí, e eu que queria falar de como esse nosso país está à deriva, definitivamente sem rumo, e acabei me engalfinhar por outras plagas, mais agradáveis e até motivadoras. Mas não desvio a atenção das intempéries  que nos assolam a vida e que, somadas à sana arrecadadora da administração pública, muitas vezes baixadas por cretinos, investidos de autoridade, que inventam “um de tudo” para nos infernizar: No imposto de renda o “freguês” tem que declarar, se possuir, seu veículo, os dados de Renavan, etc, etc, e de sua casa, quando comprou, número de registro, de IPTU, enfim, numa manobra estranha e estarrecedora, de como o estado brasileiro está, dia a dia, se embrenhando pra dentro de nossa privacidade e omitindo, mesmo assim, com suas obrigações perante o cidadão, já sofrido e espoliado, sem considerar que o tal Contran (Conselho Nacional de Trânsito) – deve ser formado por gente da pior espécie – determinou, numa “canetada”, que todas as renovações de carteira de motorista exigirão exame de conhecimentos teóricos,, por escrito. Os “caras” tomam o remédio errado e incomodam a população inteira, num estalar de dedo. Estão publicando, por aí, que a medida foi anulada pelo Ministro das Cidades. Época de eleição é assim: sempre criam um fato político para aparecerem!!! O jeito é “tomar uma dose de “Nau Sem Rumo”! Será que vou achar no mercado?

Nenhum comentário:

Postar um comentário