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quinta-feira, 26 de abril de 2018

Bromélias, Orquídeas e Tiriricas



Wilalba F. Souza                                     26/04/18


 









      

   
     







    
   

Ganhei, de um velho amigo, umas mudas de couve e cebolinha, que resolvi plantar em um espaço do meu terreiro, ou quintal. Escolhi o local, dei umas enxadadas para retirar ervas daninhas e soltar a terra, preparando-a para receber as novas plantinhas. Aliás, no meu tempo de garoto, meus pais sempre cultivaram alguma hortaliça a ser usada na cozinha, principalmente os temperos, como a salsinha, o coentro e até alface, que exige maior cuidado no cultivo.

Bem, depois de “dar um trato no canteiro”, separei as mudas com todo carinho, fiz as covas e alojei, uma a uma, cuidando para que elas ficassem bem firmes no chão fofo. A partir desse dia, levantando mais cedo, passei a regar – ou regrar?- as plantas, observando seu crescimento. Mas, ao mesmo tempo,  limpava toda a área, coberta por piso de cerâmica, recolhendo as folhas secas que caem constantemente.

Minha capacidade para agricultura, ou atividade similar, sempre foi atrofiada, tendo em vista outras atividades e distanciamento de serviço braçal, ainda que leve. Certo é que, passados quatro, cinco dias, as mudinhas começaram a crescer e ficar em pé. Só que, ao mesmo tempo, as tiriricas (pragas incontroláveis) rebrotavam em ritmo acentuado. Passei a arrancá-las com a raiz, reduzindo o seu número, mas tenho que fazê-lo permanentemente, sob pena delas tomarem conta de todo o espaço das plantas hortaliças.

Todo feliz, dia desses pude colher umas couves, servidas no almoço.  Continuo arrancando as tiriricas e molhando a plantação, humilde, mas prazerosa. Com isto, aprendi a observar todo aquele espaço familiar com mais atenção. O pé de abacate está com inúmeros frutos, a jabuticabeira, e o que ela produz os pardais, canários e sanhaços consomem, os limões já podem ser colhidos, mas as acerolas e as goiabas acabaram.

Entretanto, interessante mesmo foi que, pela primeira vez, pude observar, com cuidado, a floração das orquídeas, penduradas por minha mulher, pelos cantos, sem muitas mezuras, e as bromélias de cores esplêndidas. Belezas que recompensam, enormemente, e como, meu passeio diário pelo quintal, perfeito desconhecido. E sei que muitos de nós nem vão muito a essa parte da casa, com tanto a nos ofertar.

Traço um paralelo disso com o nosso Brasil, capaz de nos retribuir, com sua riqueza, e seu povo, tantas coisas boas e belas, num território tão grande que nem conhecemos, mas onde existe uma quantidade enorme de tiriricas que proliferam, sem que apareça quem, ao menos, mantenha sua “população” num nível   suportável. É tiririca demais. Me lembra o jargão antigo, em meados do século passado, quando a agricultura brasileira ainda era insipiente: “Ou Brasil acaba com a saúva, ou a saúva acaba com o Brasil”! Controlamos a formiga. Então, brasileiros, está na hora de acabarmos com as tiriricas!

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