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sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

Golpe baixo



Wilalba F. Souza                                           07/Dez/18

Chegando o  fim do ano, Natal, “Revellion”, confraternização, orações, balanços e preparação para o futuro, às vezes não tão distante assim, como seria de se desejar, mas, quem sabe, somente para o próximo 2019. E, nesta oportunidade de troca de presidente, de congressistas, vemos que, mesmo assim, a maioria dos “mandachuvas”, principalmente do judiciário – vide STF (Supremo Tribunal Federal) - permanecerá por aí, atazanando a vida das pessoas, com suas sentenças desconexas, mal explicadas, mal embasadas, o que tolhe a liberdade moral de seus integrantes para sair às ruas, sem correr o risco de ser abordado, tendo em vista sua conduta dúbia, politiqueira mais que judicializada, como seria o caso. Torçamos para que a “lava-jato” mantenha suas atividades, sem ser incomodada por esses ministros “meia pataca”, que perderam o respeito do povo. Mas o importante é a preparação para o que vem aí, em todos os níveis, com destaque para as reformas institucionais. E começo por não ver, com bons olhos, a atuação preliminar do futuro governador de Minas, Romeu Zema, que, diferentemente de outros governadores brasileiros eleitos, prefere apenas destacar a situação ruim da economia do Estado e procurar culpados, quando o importante é implementar ações, junto à sua  administração e se aproximar da Assembleia Legislativa que ele, até agora, parece desdenhar. E diz isto, pra cima e pra baixo. Enfim, somente ontem sua equipe (?), um vereador licenciado, disse ter um diagnóstico do Estado. É muito pouco.

Lembro-me bem de uma de suas aparições (do Zema), durante a campanha política, na qual ele centrou “fogo” no tempo de aposentadoria dos coronéis da Polícia Militar. Embora concorde com ele, e que realmente precisamos mudar esse patamar temporal, discordo e repudio sua fixação, até estranha, nos policiais militares do último posto, no qual me incluo, depois de servir por trinta anos, só na PM, não agregando tempo de serviço de outras entidades civis para sair. Mas a evasão, prematura, das fileiras da Corporação, não acontece só com oficiais, mas com todas as praças, que têm os mesmos direitos, representados por soldados, até subtenente. Então, num discurso populista, candidatos jogam falácias para cima, em agrado a parte da população desinformada, hoje com milhões de desempregados, ou subempregados, como que já justificando uma provável má administração. Por oportuno, e velados receios, acho, omitem outros segmentos. Na PM temos 40 coronéis na ativa. Aí dizem: é gente demais no posto. Mas não citam os 180 delegados gerais (equivalentes) da Polícia Civil. Logo, têm 140 “coronéis” a mais, e a legislação é semelhante, quanto ao tempo de serviço. Nada contra a instituição coirmã, mas é a realidade dos fatos.

O que não entendem, e não lembram, é que, o governo Anastasia, numa orquestração política partidária danosa ao Estado, misturou alhos e bugalhos, distribuindo, isto mesmo, à classe dos militares (Polícia Militar e Bombeiros) critérios tipicamente civis, deturpando normatização estatutária consagrada, na qual, para conseguir ir para a reserva com todos os direitos, inclusive promoção ao posto/graduação imediatos, o militar teria que cumprir trinta anos líquidos, de serviço, à Polícia Militar, ou Bombeiros, sem poder contar período trabalhado fora, por exemplo, numa loja, fábrica, oficina mecânica, etc. O senhor Anastasia então sancionou a tal lei 109, um absurdo que fragilizou as instituições encarregadas da segurança, do policiamento, e do socorro emergencial. E pior, com tanta gente indo para a inatividade, aumentaram as despesas com folha de reformados/aposentados e ficaram sem recursos para repor os efetivos. Isto na PM e nos Bombeiros. Noutras atividades, não meto a colher. Daí o “miserê” de tropa para lançamento nas ruas, nas estradas e em outras operações.

O que me ocorre, neste momento preocupante a todos funcionários civis e militares das Minas Gerais, é que o governo quer “descontar”, ou desfazer seus erros passados, apenas em cima desses setores, esquecendo-se do legislativo e do judiciário, que parecem ter a chave de ouro, do cofre da cornucópia. Recentemente a Assembleia Legislativa, também irresponsavelmente, aprovou auxílio saúde para os membros do Ministério Público Estadual: R$3.000,00 para pagar plano de saúde!!! O orçamento deles é liberado e… “imexível”, quando se trata de cortar despesas. Aumentar, pode. O pessoal do judiciário já está aquinhoado, e vem mais “cala boca” por aí, proveniente do efeito cascata dos 16 % de aumento aprovados por Michel Temer, para o magnânimo STF. Ele futuro presidente… aposentado, cheio de assessores, cotas de gasolina, motoristas, etc, etc, colega de Lula, Dilma, FHC, Collor e Sarney. Assim, a tal badalada reforma previdenciária não vai atingi-los, mas deveria fazê-lo, com força. Senão não vale. É golpe baixo, através do qual e, certamente, nos enfiarão as contas e dívidas, contraídas por eles, “goela abaixo!!!”

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Começaria Tudo Outra Vez



Wilalba F. Souza                                                   02/Dez/18


Gonzaguinha, filho de criação de Luiz Gonzaga, ícone da música nacional, muito amado pelos brasileiros, em razão de suas composições e melodias, entoadas e enfeitadas por seu acordeon, ou sanfona, também “aprontou” das suas, dentre cancioneiros e compositores de nossa terra. Seguindo outro estilo, seu “filhote” “emplacou” muitos sucessos, do Oiapoque ao Chuí. Já falei sobre isto, mas retorno ao mesmo comentário, relembrando que, em tempos do, dito, Regime Militar, ele percorria o “Circuito Universitário” cantando o que quisesse. Eu mesmo, tenente, mas estudando curso superior, ia vê-lo interpretar “É, a gente quer valer o nosso amor…”,  “ A gente não está com a bunda exposta na janela, pra passar a mão nela...” e arrematava: “ A gente quer viver pleno direito, a gente quer viver pleno respeito, a gente que viver uma nação, a gente quer é ser um cidadão...”

Bem, como universitário, também, daqueles tempos, percebia que as salas de cinema, pelo menos no interior, ficavam lotadas de jovens para ver aquele artista “magricela”, cabelos encaracolados, mas elegante o bastante para “mandar” suas mensagens. Em 1984 lançou o “bolerão” “Começaria tudo outra vez”, cantado por ele mesmo, claro, e depois, por outros menos, ou até, mais votados. Uma excelente interpretação, dessa maravilha, assisti em Belo Horizonte, recentemente, em um show da atriz Tânia Alves. E, pra quem deseja, e gosta de uma trilha musical de excelente andamento, procure ouvir, algo do mesmo nível, que é “O lindo lago do amor”, outra pérola do filho de Gonzaga, falecido, há muitos anos, em um acidente rodoviário.

Mudando de assunto, partimos das músicas do Gonzaguinha para essa onda de conservadorismo, na qual, me parece, poderão estar nos mergulhando, ainda mais que um capitão do Exército assumirá a Presidência da República. Às vezes, ouvindo os discursos do Bolsonaro, com entonação de voz militar – apenas um detalhe -, voltamos lá nas décadas de 70, 80, do século passado. Mas, na verdade, o que esperamos, vindos de uma malfadada atuação, pós Constituição de 88, do pessoal dito de esquerda, ou da extrema esquerda, é que não nos inclinemos para um extremismo à direita, a meu ver uma ação desnecessária e extemporânea, num ambiente em que o que mais se precisa é equilíbrio e temperança; de recondução deste país aos trilhos, sem violência, prepotência, mas com firmeza, com funcionamento entrosado das instituições, embora o trabalho seja árduo, tendo em vista os desvios comportamentais das Altas Cortes, do Congresso e do Poder Executivo, onde o protagonismo jamais deveria ser motivo de disputa autofágica. Enfim, a gente quer viver pleno direito, a gente quer viver todo respeito, a gente quer viver uma nação, a gente quer é ser um cidadão.