Wilalba F. Souza 02/Dez/18
Gonzaguinha, filho de criação de Luiz Gonzaga, ícone
da música nacional, muito amado pelos brasileiros, em razão de suas composições
e melodias, entoadas e enfeitadas por seu acordeon, ou sanfona, também
“aprontou” das suas, dentre cancioneiros e compositores de nossa terra. Seguindo
outro estilo, seu “filhote” “emplacou” muitos sucessos, do Oiapoque ao Chuí. Já
falei sobre isto, mas retorno ao mesmo comentário, relembrando que, em tempos
do, dito, Regime Militar, ele percorria o “Circuito Universitário” cantando o
que quisesse. Eu mesmo, tenente, mas estudando curso superior, ia vê-lo
interpretar “É, a gente quer valer o nosso amor…”, “ A gente não está com a bunda exposta na
janela, pra passar a mão nela...” e arrematava: “ A gente quer viver pleno
direito, a gente quer viver pleno respeito, a gente que viver uma nação, a
gente quer é ser um cidadão...”
Bem, como universitário, também, daqueles tempos,
percebia que as salas de cinema, pelo menos no interior, ficavam lotadas de
jovens para ver aquele artista “magricela”, cabelos encaracolados, mas elegante
o bastante para “mandar” suas mensagens. Em 1984 lançou o “bolerão” “Começaria
tudo outra vez”, cantado por ele mesmo, claro, e depois, por outros menos, ou
até, mais votados. Uma excelente interpretação, dessa maravilha, assisti em
Belo Horizonte, recentemente, em um show da atriz Tânia Alves. E, pra quem
deseja, e gosta de uma trilha musical de excelente andamento, procure ouvir,
algo do mesmo nível, que é “O lindo lago do amor”, outra pérola do filho de
Gonzaga, falecido, há muitos anos, em um acidente rodoviário.
Mudando de assunto,
partimos das músicas do Gonzaguinha para essa onda de conservadorismo, na qual,
me parece, poderão estar nos mergulhando, ainda mais que um capitão do Exército
assumirá a Presidência da República. Às vezes, ouvindo os discursos do
Bolsonaro, com entonação de voz militar – apenas um detalhe -, voltamos lá nas
décadas de 70, 80, do século passado. Mas, na verdade, o que esperamos, vindos
de uma malfadada atuação, pós Constituição de 88, do pessoal dito de esquerda,
ou da extrema esquerda, é que não nos inclinemos para um extremismo à direita,
a meu ver uma ação desnecessária e extemporânea, num ambiente em que o que mais
se precisa é equilíbrio e temperança; de recondução deste país aos trilhos, sem
violência, prepotência, mas com firmeza, com funcionamento entrosado das
instituições, embora o trabalho seja árduo, tendo em vista os desvios
comportamentais das Altas Cortes, do Congresso e do Poder Executivo, onde o
protagonismo jamais deveria ser motivo de disputa autofágica. Enfim, a gente
quer viver pleno direito, a gente quer viver todo respeito, a gente quer viver
uma nação, a gente quer é ser um cidadão.
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