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segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Começaria Tudo Outra Vez



Wilalba F. Souza                                                   02/Dez/18


Gonzaguinha, filho de criação de Luiz Gonzaga, ícone da música nacional, muito amado pelos brasileiros, em razão de suas composições e melodias, entoadas e enfeitadas por seu acordeon, ou sanfona, também “aprontou” das suas, dentre cancioneiros e compositores de nossa terra. Seguindo outro estilo, seu “filhote” “emplacou” muitos sucessos, do Oiapoque ao Chuí. Já falei sobre isto, mas retorno ao mesmo comentário, relembrando que, em tempos do, dito, Regime Militar, ele percorria o “Circuito Universitário” cantando o que quisesse. Eu mesmo, tenente, mas estudando curso superior, ia vê-lo interpretar “É, a gente quer valer o nosso amor…”,  “ A gente não está com a bunda exposta na janela, pra passar a mão nela...” e arrematava: “ A gente quer viver pleno direito, a gente quer viver pleno respeito, a gente que viver uma nação, a gente quer é ser um cidadão...”

Bem, como universitário, também, daqueles tempos, percebia que as salas de cinema, pelo menos no interior, ficavam lotadas de jovens para ver aquele artista “magricela”, cabelos encaracolados, mas elegante o bastante para “mandar” suas mensagens. Em 1984 lançou o “bolerão” “Começaria tudo outra vez”, cantado por ele mesmo, claro, e depois, por outros menos, ou até, mais votados. Uma excelente interpretação, dessa maravilha, assisti em Belo Horizonte, recentemente, em um show da atriz Tânia Alves. E, pra quem deseja, e gosta de uma trilha musical de excelente andamento, procure ouvir, algo do mesmo nível, que é “O lindo lago do amor”, outra pérola do filho de Gonzaga, falecido, há muitos anos, em um acidente rodoviário.

Mudando de assunto, partimos das músicas do Gonzaguinha para essa onda de conservadorismo, na qual, me parece, poderão estar nos mergulhando, ainda mais que um capitão do Exército assumirá a Presidência da República. Às vezes, ouvindo os discursos do Bolsonaro, com entonação de voz militar – apenas um detalhe -, voltamos lá nas décadas de 70, 80, do século passado. Mas, na verdade, o que esperamos, vindos de uma malfadada atuação, pós Constituição de 88, do pessoal dito de esquerda, ou da extrema esquerda, é que não nos inclinemos para um extremismo à direita, a meu ver uma ação desnecessária e extemporânea, num ambiente em que o que mais se precisa é equilíbrio e temperança; de recondução deste país aos trilhos, sem violência, prepotência, mas com firmeza, com funcionamento entrosado das instituições, embora o trabalho seja árduo, tendo em vista os desvios comportamentais das Altas Cortes, do Congresso e do Poder Executivo, onde o protagonismo jamais deveria ser motivo de disputa autofágica. Enfim, a gente quer viver pleno direito, a gente quer viver todo respeito, a gente quer viver uma nação, a gente quer é ser um cidadão.

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