Wilalba F. Souza 03/Jul/2020
Médicos especialistas, cientistas e humanistas,
principalmente, com razão, ao longo dos anos conseguiram neutralizar essa
terminologia que nos remetia a instalações e locais inapropriados ao tratamento
das doenças ou problemas psiquiátricos!
Há tempos nossa Barbacena é conhecida por ter mantido, por anos a fio,
nosocômios especializados na recuperação de pessoas que, no passado, eram ditas
doentes mentais, loucas ou doidas. Desde os idos do Império.
Ainda adolescente, me lembro, era comum vermos,
pelas ruas de nossa cidade, estranhos personagens, em grupos, vestidos com uma
roupa, tipo pijama, cor azul, mais claro, transitando, para cima e para baixo.
A população observava aquilo com naturalidade, embora mantivesse
distanciamento. Alguns deles tinham o
hábito de apanhar estrume seco, de animais, enrolar em qualquer papel e fumar.
É... existem tristes relatos de abandono desses,
hoje denominados pacientes/internos, por seus familiares, originários de
cidades longínquas, até! Contam que havia muitas mortes dentre eles, cujos
cadáveres eram entregues, vendidos ou comercializados, junto às escolas de
medicina. Essas histórias, desde o século XIX, são encontradas no Museu
Municipal da Loucura, em funcionamento e aberto à visitação pública. Já estive
lá e constatei que contam tudo com alguma parcimônia!
Estes tempos de pandemia, mal comparando, lógico,
a coisas sérias e tristes, nos remetem àqueles tempos de excessiva autoridade,
por quem podia isolar, prender, fazer experiências e maltratar semelhantes em
nome do bem-estar de alguém que, fechando, literalmente, os olhos, queria se livrar,
e de sua família, do parente adoentado, esquizofrênico, demente e incômodo. É
que...
Há uns cinco dias fui a uma loja, em bairro
periférico, e comprei umas roupas. Antes de entrar, usando máscara, um
funcionário disponibilizou álcool em gel, aferiu minha temperatura e me passou
uma ficha de controle. Podiam entrar dez pessoas por vez. Nas
"araras" escolhi o que precisava e não tive contato próximo com
ninguém. Fui ao caixa, paguei e levei os produtos. Pensei comigo: muito bom,
organizado e seguro!
Ledo engano. No dia seguinte um amigo me disse que
o prefeito ia fechar todo comércio. E lacrou mesmo. Em grande número.
Exatamente o que dá mais empregos. Passei perto da loja e ela estava com as
portas abaixadas. Mas sacolões, armazéns, "biroscas", supermercados,
bancos, lotéricas, farmácias, casas de material de construção, consideradas
atividades essenciais (???) podiam e estavam abertos. Em suma, lojas fora,
todas, com o resto "bombando"! Fui ao centro da cidade e constatei a
mesma coisa, incluindo as de grandes redes de móveis e eletrodomésticos. Se
precisar de geladeira, só se consegue pela internet! Há uma impropriedade
nisso, pra não dizer discriminação!
Barbacena, centro de uma microrregião, com seus
160 mil habitantes, está capengando há quatro meses. Umas 400 pessoas foram
infectadas pelo covid19, dizem. O número de recuperados, ou curados, é mais ou
menos o mesmo, segundo divulgado pela imprensa. Há registro, no período, de
seis mortes pela doença e, pasmem, só uma pessoa internada (hoje, dia 2 de
julho) em razão da dela! E estamos proibidos de saber até quando vai isto. É
uma pequena mostra da incapacidade desses nossos administradores, por todo o
país, em promover entendimento e controlar seu radicalismo. Esses decretos de
calamidade pública transformam qualquer mandatário bisonho em deus, em ditador!
O autoritarismo insano fica bem próximo da demência viciante! O cidadão comum
fica encurralado. O desempregado, desolado, sem saída, podendo, também, ir à
loucura! Haja hospício!!!
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