Wilalba F. Souza
25/09/2.014
Há alguns anos eu costumava acompanhar
jogos de futebol pelas emissoras de rádio e, numa delas, havia um comentarista
cuja chamada destacava sua capacidade de analisar a partida dizendo o que
pensava, doesse em quem doesse: “coragem para dizer a verdade”. Hoje pouca
gente o faz, ou se nega a fazer isto, não só em relação ao esporte bretão, mas
em outros assuntos do cotidiano. Caso da torcida do grêmio em relação ao
goleiro Aranha. A maioria dos comentaristas foi logo desancando toda a torcida
e uma moça que fora filmada chamando o atleta de macaco. De plano a condenaram
à “morte natural para sempre”.
Pois é. Pelé, o maior atleta de todos os
tempos, negro famoso no mundo inteiro, ao dizer que Aranha tinha exagerado em
suas reclamações, foi desancado pelos críticos de plantão que se mantêm fazendo
“média” em cima do “politicamente correto”. Ainda bem que outro negro, também
popular ex-defensor do Corinthians”, o Vampeta, ombreou-se ao colega. Disse que
pouco se importava com os xingamentos de torcidas:- meu negócio era lutar
“dentro das quatro linhas”.
Dia deste fui abordado por um subtenente
reconvocado. Pelas redes sociais alguém da PM “desancava” o candidato ao governo de Minas, líder nas
pesquisas, porque, segundo um de seus assessores, ele teria que rever o tempo
de serviço na Polícia Militar de Minas Gerais: passaria para 35 anos e o
companheiro estava preocupado, mesmo em situação “confortável. Evidentemente que, em tempos de eleições, tudo
se fala para desqualificar a candidatura do oponente. E pode ser isto que
esteja acontecendo. É igual a propaganda do governo que diz, em caso de sua
derrota, que “o bolsa família” vai acabar. Jogo rasteiro já institucionalizado.
Ao subtenente disse o que penso:
qualquer governador que venha e tenha compromisso com a população tem
obrigação/dever de revisar o que, de uns tempos para cá, fizeram com a PM,
reduzindo sua capacidade operacional. Proporcionaram uma evasão galopante e
cruel de gente muito jovem – maioria com pouco mais de 40 anos, contrariando
todo o bom senso no que diz respeito à previdência. Seja ela do regime geral ou
próprio. Só quem não quer é que não enxerga, no mundo de hoje, que não se pode
descartar, nos termos em que foi feito, gente em condições de trabalho que vai
para a inatividade ainda hígido, recebendo proventos
Integrais.
Alguém poderá dizer: o Estado que se
vire para nos pagar! Só que as coisas não funcionam bem assim. Dinheiro não
nasce em pé de couve e,
despencando a capacidade de trabalho e
respostas da instituição às suas finalidades, logo,logo seremos questionados. E
isto está acontecendo a olhos vistos. É simples: não temos efetivo suficiente e
estão reduzidas as cargas horárias de trabalho. Facilitaram a saída de gente e
os que aplaudiram a medida, mesmo permanecendo na ativa, vislumbrando a(s)
benesse(s) agora reclamam quando, nas necessidades, deles se exige um pouco
mais. As últimas informações que tenho dão conta que o número de inativos está
emparelhando com o da ativa. Assim, não adianta “dourar a pílula”.
Administrador de juízo tem que reestruturar tudo, sob pena de a coisa
“desandar”.
Tudo por culpa do governo mineiro que aí
está, ajudado por companheiros e deputados imprevidentes, que venderam a alma pro
“capeta” em troca de objetivos imediatistas e ligados a resultados eleitorais
(eleitoreiros). É lamentável!