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terça-feira, 2 de setembro de 2014

Discriminação versus discriminação




                         

Wilalba F. Souza                                                       01set2.014


São coisas da cultura do brasileiro os vários tipos de reação descabida em eventos públicos, principalmente em campos de futebol. Mas já está passando do razoável e das medidas a forma como insistem em explorar a cena de uma moça que, no Rio Grande do Sul, durante um jogo entre Santos e Grêmio, embalada por uma “turba” emocional futebolística, acompanhou o coro chamando o goleiro do Santos de macaco. - Ah! Isto é racismo! Todo gremista é racista! Coitado do goleiro  e outras coisas mais, muitos gritaram...e daí pra frente! Todo mundo “revoltado”, doido para condenar a torcedora até  à morte, embora a ação tenha partido de  um grupo em atitude orquestrada pelo inconsciente. Aliás, alguns famosos deste país que se disseram vítimas de racismo logo ganharam mais manchetes e destilaram suas indignações. Para os não famosos isto faz parte das exceções. Recentemente outra moça, aliás muito bonita, e negra, reclamou das redes sociais quando, depois de colocar sua foto com o namorado branco, teria sido discriminada em alguns comentários. E, como um relâmpago, fizeram um escarcéu entre a discriminação e a  injúria discriminatória, etc, etc. Logo, logo, toda produzida, maquiada e preparada foi pro ar, a linda morena (será que posso falar isto ?) e teve seu minuto de  (fama?)aparição na TV, muito feliz (triste, não estava!) e sorridente com o resultado da imprudência de um ou outro imbecil.

Como num estalo, a mídia e um sem número de hipócritas condenou a torcedora a perder o emprego, sair de casa, junto com sua família, para fugir aos apedrejamentos públicos, tal qual assistimos de atos fundamentalistas que, vez por outra, divulgam em  notícias oriundas de países lá do outro lado do mundo. O gigante ébano (goleiro) conseguiu massacrar, definitivamente, Davi ( a moça loura), que está respondendo, sozinho(a), por todos os pecados do mundo. Estas ações, alimentadas pelo poder midiático, está deturpando fatos e suscitando  problemas como se fossem resquícios de ordem racial,  o maior dos dramas brasileiros! Tenho minhas dúvidas. Aqui misturam todos os alhos com todos os bugalhos. Temos que lutar contra toda e qualquer forma de discriminação, sim! O racismo é uma delas. Há outros desequilíbrios sociais por aí que passam ao largo. O maior ídolo esportivo brasileiro em todos os tempos, um tal de Edson, mais conhecido por Pelé, anda por todos os lados aplaudido e de peito erguido. Nunca o vi choramingando pelos cantos alegando ter recebido ofensas por conta de sua cor, de sua negritude, ainda mais em estádio de futebol. Ninguém se indigna com as ofensas aos árbitros e suas mães!

É lógico que eu e uma grande massa dos brasileiros não coadunamos com as atitudes da torcida do Grêmio. Mas há de haver equilíbrio entre as ações e as reações. Os limites da lei se adequariam à situação. A contraventora, que tem recebido de muita gente boa, esclarecida (?) a pecha de criminosa, já foi punida à exaustão. Infelizmente vai continuar a sê-lo, junto com sua família e descendentes,  pro resto da vida, A polícia está em alerta, procuradores públicos atentos em busca de...justiça! Tudo de maneira muito desproporcional, injusta, descabida e carregada de hipocrisia, sob os aplausos de inocentes úteis que acreditam poder uma discriminação corrigir outra!








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