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segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

A Indignação do Boechat




Wilalba F. Souza                                                                           22 dez2.012


Ricardo Boechat é um jornalista que apareceu na Rede Globo há muitos anos. Sua maneira de abordar os assuntos é especial, pelo menos na minha maneira de pensar. Tempos depois ele saiu da empresa mencionada, por desentendimentos que não mais me ocorrem, mas estou quase certo que se deveram à sua gana por independência intelectual e de expressão, possivelmente invadidas pelos seus empregadores. Seus comentários não poupam ações de políticos, pessoas físicas ou jurídicas que contribuem, maldosamente, para alterar, de maneira sórdida e ilegal, o rumos das coisas neste país, onde a ética e a honestidade passam por séria crise. Hoje, como importante âncora da Rede Bandeirantes, ele recriminou o Supremo Tribunal Federal por ter anulado condenação de uma quadrilha responsável por lavagem de dinheiro, autuados pela Polícia Federal, há mais de dez anos, tendo em vista que os agentes da lei teriam estendido o mandando de busca e apreensão, com autorização do juiz, de uma sala para a outra, onde foram encontradas fortes provas de  cometimento do crime, juntadas aos autos.

Os advogados dos condenados convenceram o citado tribunal que, embora pegos com a “mão na massa”, tudo estava anulado, sob alegação de que a busca não poderia ter sido executada, mesmo com aquiescência do magistrado, etc, etc. Concordo com o Boechat: o tribunal referência jogou tudo no lixo, e eu acrescento, inclusive o povo, presenteando marginais em troca não sabemos de quê, somente com base em uma “firula legal”. Também, depois daquele julgamento do “mensalão”, onde reformaram as penas aplicadas por eles mesmos, após da saída do Ministro Joaquim Barbosa, que pediu “as contas” antes do tempo, para se livrar, penso eu, dos inconvenientes políticos da casa maior da justiça brasileira. E o TSE –Tribunal Superior Eleitoral? Deu vexame muitíssimo parecido: limpou a ficha de Maluf. É! Limpou a ficha do Maluf! Debochado, vai assumir sua vaga na Câmara Legislativa Federal, depois de desviar milhões da prefeitura de São Paulo para o exterior. Ele que é aliado de Lula e dos petistas, mesmo após as brigas entre suas legendas, há muitos anos. Que me desculpe o ministro Tóffoli: não há como deixar de lembrar seu histórico e o que motivou sua nomeação!

Antes de fechar suas portas, num “merecido” recesso, nossos parlamentaram se deram um presentinho: aumentaram seus ganhos. Vão processar Bossonaro por falta de decoro, após suas ofensas a uma deputada que fizera o mesmo com ele anteriormente! Coisa para “inglês” ver. O ano acabou e, quem sabe, no ano que vem isto aconteça! Tudo muito discutível, aliás coisas do “parlamento”. E continuo: depois de assistir o deputado Marcos Maia, relator da CPI da Petrobras, amaciar suas conclusões isentando, por omissão, todo mundo envolvido para, em seguida, na maior “cara de pau”, à vista das repercussões e, certamente, alertas de outras vertentes, mudar o tom, indiciando doleiros, empresários e funcionários da estatal, omitindo seus colegas políticos. Uma coisa eu afirmo: Marcos Maia é coerente com suas convicções partidárias, pois deve ter seguido à risca as recomendações para enterrar aquele rumoroso processo!

Dilma tá falando que o porto construído pelo Brasil, hoje muito perto do limbo  (o Brasil, lógico), sob todos os ângulos, foi um excelente investimento, pois, assim entendi, ela já sabia que os entendimentos entre Cuba e EUA estavam adiantados para que fossem reatadas as relações entre os dois países, conforme tem sido amplamente divulgado. Pois é, sobre as confusas negociatas de estatais brasileiras, ocorridas, literalmente, sob suas barbas (???), ela nunca soube nada. Mesmo assim bate o pé e mantém a diretoria, chefiada pela D. Graça Foster. Se tudo isto me dá arrepios, imagina no Boechat, ainda mais que as pesquisas de opinião dão seguidas altas notas para a nossa governança, tendo à frente D. Dilma. Vá lá entender isto! Fazer o quê? Enquanto isto ela fala em pacto para combater a corrupção, ajuda dos generais para levar suas ações de governo adiante, evidentes sofismas muito explorados por mandantes que nunca se explicaram. Mas volto ao Boechat que sugeriu, em rede de TV, que, ao invés disso, nossa chefe arrumasse uns cacetes bem grandes e desse na cabeça desses marginais. Eu preferiria que sua promessa fosse para usar sua autoridade e colocar essa corja na cadeia, pois ela (a corja, pessoal!) está solta por aí, compondo quadros do governo, dos partidos políticos e até condenados gozando de privilégios com dinheiro desonesto, em suas luxuosíssimas mansões.

Pra completar, escutei, ou vi, ontem, uma chamada com a seguinte afirmação, de um setor do judiciário, que espero apurar melhor: “Justiça culpa da PM e Polícia Civil pela demora em se julgar crimes!”. Só pode ser brincadeira. Vou me informar melhor, mas, de plano, acho tudo uma maldade. Nossa justiça é lenta em todas suas áreas de atuação, sejam elas quais forem! Mais que um jaboti de três pernas, e fica de recesso por três meses no ano. Assim deveria procurar desculpas menos falseadas para justificar suas deficiências.


terça-feira, 16 de dezembro de 2014

PROVOCAÇÃO



Wilalba F. Souza                                                                             16dez2.14
 As informações em qualquer tipo de mídia têm me provocado bastante  e me obrigam a refletir sobre diversos temas, embora isto adiante pouco. Aliás, quem se preocupa em se inteirar dos acontecimentos de hoje sofre bastante. Às vezes me nego a acreditar que estou em um Brasil real. A começar pelas embrulhadas do governo em relação ao tal mensalão. Os desvios de dinheiro público foram comprovados, entretanto continuamos sem saber onde foi investido, embora sabedores que as altas quantias financiaram parlamentares e partidos apoiadores da situação.

Muita gente condenada continua presa, principalmente agentes financeiros ligados a bancos privados. Os políticos líderes do esquema estão por aí cumprindo pena em liberdade vigiada, se é que podemos dizer assim. E, nos jornais, leio que Lula foi, dia desses, depor na Polícia Federal sobre esse mesmo assunto. Pra mim isto não passa de provocação. O que o ex-presidente vai poder dizer sobre essas mazelas? Ele que nunca soube, e nem deve saber, de nada. Estou convicto que ele sabe de tudo! Aí, minha indignação leva junto ares de irritação. Exercer o direito da “delação premiada” é que ele não vai fazer! Aí pergunto: chamar Lula lá...pra quê?

Este tipo de ocorrência vem se banalizando. Não mexe mais com a atenção da maioria do povo. Uma chatice mesmo, “resmungam” alguns, embora vários comentaristas políticos e econômicos acreditem que, com essa derrocada da Petrobras, as coisas caminhem para mudanças, porque organismos internacionais, ligados a investimentos, além de desaconselhar colocação de dinheiro no Brasil, ainda tentam, via judicial, recuperar perdas dos investidores que teriam sido lesados pelos seus diretores corruptos. Lula e Dilma sempre disseram que a maior companhia brasileira era limpa, séria e bem administrada. A segunda, como ministra, conselheira e presidente repetiu o “mantra” e deu no que deu!

Enquanto isto, após ter participado, há dias, de uma confraternização, oficiais e comandantes da PM ouvi reclamações sobre o sufoco que é para dar segurança à população. O Estado precisa, urgentemente, recompor os efetivos. É impossível, com o que temos, atender a demanda. O “cobertor” está curtíssimo. O povo reclama e não há como dar uma resposta ao menos razoável. Enquanto isto...

Domingo passado fui ao aeroporto de Barbacena visitar amigos do aeroclube Barbacenense e do aeromodelismo. O pátio estava lotado de aviões oficiais, para uma festa, parece que importante, na Escola Preparatória de Cadetes do Ar que começara às 6.30 da “madrugada”. Um ou dois jatos fizeram rasantes em cima da escola que se localiza no centro da cidade. Pra mim é desrespeito com o povo, com velhos, doentes, em hospitais ou não, e crianças. Pros comandantes e grande gama de bajuladores, inclusive políticos, uma tradição. Uma falta de educação, sim, abuso de autoridade e... desprezo pela lei. Uma rotina da qual poucos reclamam. Talvez tenhamos que voltar aos tempos em que diziam: “os incomodados que se retirem,”.  Só pode ser.

A respeito do evento no aeroporto, comentou um amigo que chegara antes, apontando para uma imponente aeronave: “- pois é sô, mais cedo chegou aqui aquele “Legacy” (modelo daquele que derrubou, acidentalmente, um avião de passageiros da TAM há poucos anos) e de dentro desceram três pessoas: um oficial e duas mulheres”. E concluiu: “- é muito desperdício de dinheiro público! Deve ser importante comandante recebendo “agrados” de quem nos governa!!!” Mais tarde aqueles aviões todos alçaram seus vôos, com seus importantes passageiros e se foram.  Às vezes, considerando a exiguidade de meios, humanos e materiais, que as PM, e outras entidades do meio, têm para fazer policiamento, fico com inveja, muita, de ver o enorme efetivo da EPCar imobilizado na nossa quase bucólica Barbacena. Não sei qual o efetivo. Mas é gente “pra danar”!


De repente alguém poderá me perguntar o que tem a ver os desmandos da Petrobras com as festas imponentes da aeronáutica. E eu respondo: no caso da Petrobras o desvio é ilegal e criminoso.  Representa desperdício, meios jogados fora; no caso da nossa aeronáutica é tudo legal, mas   oneroso e representa desperdício também: baita desperdício!!! E como existe esta prática neste nosso país, por todos os poderes!!! É uma provocação ou não é ???

Escrevi esta humilde crônica ontem. É coincidência demais, mas li, hoje, no jornal “O Tempo”, de BH, as impressões de um oficial reformado da nossa Força Aérea, sobre acontecimentos observados e sentidos por ele, em seu meio de vivência e convivência. Leiam, abaixo, “A Democracia em Perigo”, de J G Clark, oficial aviador reformado da FAB.


sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Comissão da Verdade...

Comissão da Verdade...

Wilalba F. Souza                                                                         11dez2.014


Li no UOL: “Ponte Rio-Niteroi e Polícias militares, heranças da ditadura” e “Comissão da Verdade pede o fim das Polícias Militares”. Como quem está no poder hoje se diz democrata e isento para escrever conclusões como se tudo verdade fosse, demos uma refletida e nos defendemos.  O país, cheio de marginais e escroques por todos os cantos onde o braço do poder oficial pode nomear, arrumando quem “garimpe” acontecimentos lá dos tempos em que lideranças políticas e forças civis convocaram os militares, federais e estaduais, além das policias federal e civil, para entrarem em ação, ou seja, combater subversivos e comunistas de todas as linhagens, eles que queriam se apossar do poder a qualquer custo. Assim, de plano, há no tal relatório, fortes indícios de que os resquícios e o desejo de retaliação estão vivos. E como! “Batem” pesado e recomendam todo o tipo de punição, até para quem já morreu.

Esse pessoal da relatoria, escolhido adredemente por quem antes também cometeu atos de terrorismo, sequestros, assaltos, homicídios e roubos a bancos, tinha obrigação de esclarecer tudo, lógico. E não o fizeram. Concluiram sua missão de maneira tíbia, porque em qualquer luta há malfeitos de ambos os lados. Dentre propaladas recomendações desse grupo inquisidor há duas que me chamaram atenção e das quais discordo, até sem levar em conta a tal Lei de Anistia que eles também querem desmoralizar. Aliás, isto é um perigo, pois recentemente o Congresso Nacional, em troca de dinheiro, detonou a Lei de Diretrizes Orçamentárias para isentar crime cometido pela presidente da República. Ela comprou, com dinheiro dos impostos, sua “anistia”! Assim, passados tantos anos, esses “defensores da legalidade” querem obrigar as Forças Armadas a “ficar de joelhos” e reconhecer os “crimes” praticados por elas. O que nossos militares, verdadeira reserva moral deste país, precisam é de apoio para cumprir seu papel, nestes tempos bicudos, e investimentos que lhes dêem um mínimo de condições materiais para o exercício de suas missões constitucionais. Estas ações, desses mandatários de hoje, contribuem para atiçar desavenças que deveriam ser enterradas.

Outra recomendação desses “especialistas” em história do Brasil, possivelmente bem versados em militarismo, segurança pública,  legislação civil, penal, etc, etc, é para que acabem com as Polícias Militares, segundo eles herança da ditadura, junto com a Ponte Rio Niterói (o nome oficial é Castelo Branco), que eles querem cassar. Vão ter que mudar a história todinha. A Polícia Militar de Minas Gerais tem 239 anos. Sua maior tarefa sempre foi dar segurança à população, mesmo em tempos de problemas intestinos vindos depois da novíssima República. Minha família está na Corporação desde 1.937. Meu pai, por exemplo,nunca caçou, perseguiu ou prendeu comunista, subversivo, ou inimigo qualquer do regime governamental. A maior parte de seu tempo na ativa foi combater a pistolagem no Vale do Rio Doce. Esse pessoal da Comissão da Verdade nada sabe sobre isto.

Ingressei na PM no ano de 1.966, servi por trinta anos e, também, nunca prendi “inimigos da Revolução”, embora tivesse notícias, via Sistema de Informações, de ações para neutralizar militantes alinhados a comunistas que queriam tomar posse do País. Importante dizer que nossos esforços sempre foram em torno do policiamento ostensivo, cuja doutrina hoje utilizada foi construída de 1.970 pra frente, com apoio do Exército, sensível às necessidades do Brasil ter uma polícia moderna. Quem não vai aos quartéis, não conhece nossa história, nossos comandantes, nossa formação e nossas academias nada pode opinar sobre a Corporação. Nosso combate  à criminalidade é insano. A Justiça é lenta, a legislação leniente e nosso Torrão Natal está um caos. E esses “investigadores” que aí estão se “empapurrando¨  no poder querem imputar suas fraquezas ao passado, sem fazer o que realmente precisa ser feito. E com urgência!

Este assunto é interessante. Essa Comissão da Verdade, cujo relatório fez a presidente chorar !!!, afirmou que os presidentes militares sabiam de tudo sobre torturas e mortes quando dirigiram o Brasil. E eu, como simples brasileiro e assistindo todas as mazelas promovidas por, e neste governo de longos anos, imploro para a Comissão continuar seu profíquo (?) trabalho. Quem sabe ela explica, de vez, a morte de Celso Daniel, enterrado, há anos, no lodo do poder de Lula e seus companheiros. O ex-presidente nunca soube de nada. Mesmo sobre o mensalão que ocorreu nos fundos de seu quintal e atravessou seu gabinete diariamente. Sei que ele é aposentado por ter perdido um dedo mindinho! Em razão de cegueira ou surdez, definitivamente é que não foi! E também sobre a destruição da Petrobras, promovida pelos governantes e seus apoiadores, por onde vazaram rios de dinheiro, inclusive quando a D. Dilma era Ministra e conselheira regiamente remunerada. Ela herdou a presidência de Lula e assimilou, com perfeição, os ensinamentos de seu tutor/inventor: sabe nada, não viu nada e...caluda! Idem em relação à Eletrobrás, os Correios, o IBGE, o Fórum de São Paulo, a censura da imprensa...

Pois é! Me vejo, como brasileiro, no direito de recomendar à nossa presidente que ela chore também pelos malfeitos dessa sua (des) governança pífia, criminosa, que coloca nossa Pátria em um patamar de extrema falta de credibilidade, pobreza mesmo, com o propósito de manter-se no poder, junto com companheiros desclassificados (vide José Dirceu, Jenuíno e Cia) humilhando seu povo, cujas estradas, hospitais e escolas estão às moscas, pois preferiram fazer estádios caros e com sobrepreços: não faça o mesmo com nossas Forças Armadas e  com as Polícias Militares. Resguarde pelo menos esses patrimônios da Nação!



quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Chororô!

Wilalba F. Souza                                                                  07dez2.014


Em 1.937 meu pai, o velho Alceu, ingressou na Polícia Militar, naquele tempo Força Pública do Estado de Minas Gerais. Dez anos depois eu nasci no Hospital da PM. Após breve passagem pela ainda pequenina Antônio Dias fomos para Governador Valadares, onde, já sargento, prestou serviços no “Contingente” e depois no recém instalado 6º BPM, vindo de Belo Horizonte. Em 1.960, na graduação de 1º sargento,“empurrado” pelo famoso coronel Pedro Ferreira, com quem tinha trabalhado, foi cursar o CFOA (Curso para Oficiais da Administração), em BH, levando sua numerosa família. Num  verdadeiro  ato de heroísmo, os vencimentos eram parcos, foi declarado aspirante, sendo classificado em Barbacena, no 9º BPM, onde encerrou sua carreira no posto de capitão, em 1.967. Todo sacrifício valeu a pena. Velhinho, ele faleceu em Governador Valadares no ano de 2.010, aos noventa e três anos de idade.

Alceu trabalhou, desde criança, pelas imediações de Campanhã, região de Belo Horizonte. Ajudou a transportar, em lombo de burros, produtos horti-fruti-granjeiros para o mercado municipal da capital que se formava no início do século passado. Onde hoje é o aeroporto havia muita atividade agrícola, dizia ele. Também foi empregado em açougue até que, inspirado em um soldado amigo e aconselhado por um sargento, seguiu em frente, mesmo porque naqueles anos não era muito fácil conseguir trabalho digno. Por mais que a vida na caserna tenha sido difícil e espinhosa, ele nunca reclamou, preferindo “tocar a vida”.

Ele, meu pai, ainda estava na ativa, quando fui para o Curso de Formação de Oficiais, em 1.966. Peguei minhas coisas, pus numa mala humilde, tendo ele dito, com certo embargo na voz: “-você não vai agüentar! E ele que conhecia o Departamento de Instrução (Hoje Academia de Polícia Militar) tinha razão. Quase desisti, não fosse pelos meus colegas de Barbacena e de Colégio Tiradentes da capital, com quem eu frequentara algumas séries do 2º grau. – Se eles vão em frente, porque eu também não poderia ir? Se como PM da ativa fiquei, por apenas um ano com meu pai ao meu lado, nós dois, na reserva, convivemos por muitos anos, ele que tinha grande consideração ao seu filho colega de profissão.

E não é que, para minha surpresa, eu que nunca influenciei filhos para escolher seus caminhos, evidentemente feliz da vida, vi meu filho Rafael Meneghin de Souza ser convocado, após duro concurso, para o mesmo desafio experimentado por mim e por seu avô. Eu que o vi sofrer até se adaptar ao ritmo pesado das exigências acadêmicas e militares, igualzinho ao que acontecera comigo. Assim que se apresentou para matrícula, me telefonou e perguntou pelo meu sabre. – Sabre? Eu não tenho sabre, tenho a espada da minha formatura e que me acompanhou por todos os cantos como oficial! – É isso mesmo pai! Depois eu a apanho, encerrou.

Bem, dia 26 de novembro eu e minha família fomos à sua formatura e eu tive a honra de colocar sua  platina (ou passadeira) com a estrela solitária do aspirantado e, mais que isto, entregar-lhe, oficialmente, aquele sabre, digo, aquela espada que ainda vai ficar na ativa por muitos anos, se Deus quiser, honrando uma história que começou lá em 1.937. Cá pra nós: é muito chororó!!!


            

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Superávit Primário

                                      Superávit Primário

Wilalba F. Souza                                                                           01dez2014

Esse negócio de economia na administração pública sempre me soou um tanto complicado, mesmo tendo atuado em atividades inerentes pelas unidades da PM. Lembro-me bem que era exigido o cumprimento do orçamento, a fim de exaurirem-se os recursos, o máximo possível, evitando sobras nos créditos e repasses recebidos. Naquele tempo usavam-se contas correntes que podiam ser acessadas pelos gestores, via cheques, assinados também pelos comandantes. Isto faz parte do passado, eis que tudo foi centralizado por sistema eletrônico. A figura do tesoureiro, é, havia isto antigamente, desapareceu. Nas repartições tínhamos cofres, onde se guardava dinheiro em espécie, pois executavam-se, também, atividades que proporcionavam renda ao erário, se assim podemos dizer.

Ainda garoto, me recordo, de uma olaria mantida pelo batalhão em Barbacena. Vendia tijolos para quem, da unidade, queria construir sua casa, via desconto em folha, e outras como cantina, rancho e até uma subsistência (armazém reembolsável). Era maneira de atender o pessoal e arrecadar recursos para manutenção de alguma obra, etc. Mais tarde, como oficial, me vi envolvido nessa administração. Existia o CAE (Conselho Administrativo e Econômico) formado pelo comandante e outros gestores, através do qual as decisões e prestações de contas eram discutidas. Coisa séria, mas, de quando em vez, aconteciam alguns desvios, dolosos ou não e que eram reprimidos com severidade. Não poucas vezes alguns fornecedores ficavam sem receber, e isto prejudicava nossa imagem como instituição. Tudo falta de controle em tempos de vacas muito magras.

A partir da década de oitenta, acompanhando a evolução tecnológica do país, a nossa Polícia Militar, de maneira pioneira em Minas, começou a se informatizar, a partir do controle do pessoal. Logo após, de maneira bem efetiva, na execução orçamentária. O Estado organizou a arrecadação via sistema fazendário, a ponto de encerrar, de vez, a atividade econômica pelos batalhões. Já havia dinheiro, ou recurso, para a folha de vencimentos e manutenção dos meios materiais, encerrando-se a fase arcaica do tal CAE. Polícia foi feita para fazer policiamento e isto equivaleu a um avanço espetacular. Quem não se lembra de contas bancárias controladas por anotações de depósitos e saques dos correntistas em fichas de cartolina de anotações a mão?A gente ia ao caixa e falava: - Vê meu saldo aí, colega! O funcionário pegava, em um arquivo nossa ficha, anotava em um papel qualquer o saldo e nos entregava. Obrigado, respondíamos, e...bola pra frente.

A bem da verdade o mundo evolui sem que percebamos. Minhas movimentações bancárias eu as faço pelo “leptop”,”note book” e até pelo telefone celular. Que coisa boa! Ajuda a controlar os gastos! Quem sabe até sobra algum? O que posso afiançar é que essas modernidades nos ajudaram muito, na PM e na vidinha particular. E na nossa admistração é sempre assim, tem, usa, não tem..., não tem. Aprendi, a vida toda, a economizar uns trocados, daqui, dali, pra não passar apertos. O mesmo, não acontecia com meu saudoso pai, o velho Alceu, até há uns quinze anos atrás, sabedor que ele não ligava muito para “reservas”, comentei-lhe que era bom ter umas reservas para emergências. Depois disso era comum ele me lembrar: - filho, nunca me esqueço daquela nossa conversa! Daí a alguns anos ele morreu, velhinho e superavitário, deixando um dinheirinho para os filhos.

Essas lembranças nos ocorrem em meio às gastanças da nossa presidente, a D. Dilma. Duvido que suas contas pessoais estejam no vermelho, igual as do país. Por mais que a situação exigisse, ela tinha que cuidar desse torrão com mais denodo. No ano eleitoral o” rombo” ultrapassou o razoável. Desfaçatez no intuito de vencer eleições, a todo custo, obedecendo a Lula que disse não saberem, seus adversários, do que eles – os petistas e seus aliados – eram capazes para vencer as eleições! E, claro, também escondendo da população a realidade dos números da economia. Mas, pra ela que desconsiderou a Lei de Responsabilidade Fiscal, reguladora dos gastos da administração pública, é fácil: rasga o “manual” e pronto. Isto não é razoável! Quais serão os desdobramentos? Os estados e municípios terão farta munição para exigir isonomia. Voltaremos aos tempos de CAE,
dos “empenhos” de despesas sem cobertura financeira, do descontrole da economia e da perda da credibilidade. Pelo que se comenta, tudo isto ocorreu pela intromissão da nossa presidente nos ministérios. Agora, depois de ter sido eleita e festejado a justa (?) vitória, descumpre promessas de campanha e resolve apertar os cintos – do povão – e isto teria que ser feito de qualquer maneira, trocando peças chaves da equipe econômica por nomes aprovados pelos políticos e economistas. Mas já avisaram: se ela der ”pitacos” equivocados a situação vai piorar. Isto não queremos, nem precisamos. E o superávit primário, previsto na Lei de Diretrizes Fiscais – que vai ser enterrada - que se lasque! A não ser que a oposição consiga virar o jogo! Vai ter show na TV Senado!