Pesquisar este blog

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Superávit Primário

                                      Superávit Primário

Wilalba F. Souza                                                                           01dez2014

Esse negócio de economia na administração pública sempre me soou um tanto complicado, mesmo tendo atuado em atividades inerentes pelas unidades da PM. Lembro-me bem que era exigido o cumprimento do orçamento, a fim de exaurirem-se os recursos, o máximo possível, evitando sobras nos créditos e repasses recebidos. Naquele tempo usavam-se contas correntes que podiam ser acessadas pelos gestores, via cheques, assinados também pelos comandantes. Isto faz parte do passado, eis que tudo foi centralizado por sistema eletrônico. A figura do tesoureiro, é, havia isto antigamente, desapareceu. Nas repartições tínhamos cofres, onde se guardava dinheiro em espécie, pois executavam-se, também, atividades que proporcionavam renda ao erário, se assim podemos dizer.

Ainda garoto, me recordo, de uma olaria mantida pelo batalhão em Barbacena. Vendia tijolos para quem, da unidade, queria construir sua casa, via desconto em folha, e outras como cantina, rancho e até uma subsistência (armazém reembolsável). Era maneira de atender o pessoal e arrecadar recursos para manutenção de alguma obra, etc. Mais tarde, como oficial, me vi envolvido nessa administração. Existia o CAE (Conselho Administrativo e Econômico) formado pelo comandante e outros gestores, através do qual as decisões e prestações de contas eram discutidas. Coisa séria, mas, de quando em vez, aconteciam alguns desvios, dolosos ou não e que eram reprimidos com severidade. Não poucas vezes alguns fornecedores ficavam sem receber, e isto prejudicava nossa imagem como instituição. Tudo falta de controle em tempos de vacas muito magras.

A partir da década de oitenta, acompanhando a evolução tecnológica do país, a nossa Polícia Militar, de maneira pioneira em Minas, começou a se informatizar, a partir do controle do pessoal. Logo após, de maneira bem efetiva, na execução orçamentária. O Estado organizou a arrecadação via sistema fazendário, a ponto de encerrar, de vez, a atividade econômica pelos batalhões. Já havia dinheiro, ou recurso, para a folha de vencimentos e manutenção dos meios materiais, encerrando-se a fase arcaica do tal CAE. Polícia foi feita para fazer policiamento e isto equivaleu a um avanço espetacular. Quem não se lembra de contas bancárias controladas por anotações de depósitos e saques dos correntistas em fichas de cartolina de anotações a mão?A gente ia ao caixa e falava: - Vê meu saldo aí, colega! O funcionário pegava, em um arquivo nossa ficha, anotava em um papel qualquer o saldo e nos entregava. Obrigado, respondíamos, e...bola pra frente.

A bem da verdade o mundo evolui sem que percebamos. Minhas movimentações bancárias eu as faço pelo “leptop”,”note book” e até pelo telefone celular. Que coisa boa! Ajuda a controlar os gastos! Quem sabe até sobra algum? O que posso afiançar é que essas modernidades nos ajudaram muito, na PM e na vidinha particular. E na nossa admistração é sempre assim, tem, usa, não tem..., não tem. Aprendi, a vida toda, a economizar uns trocados, daqui, dali, pra não passar apertos. O mesmo, não acontecia com meu saudoso pai, o velho Alceu, até há uns quinze anos atrás, sabedor que ele não ligava muito para “reservas”, comentei-lhe que era bom ter umas reservas para emergências. Depois disso era comum ele me lembrar: - filho, nunca me esqueço daquela nossa conversa! Daí a alguns anos ele morreu, velhinho e superavitário, deixando um dinheirinho para os filhos.

Essas lembranças nos ocorrem em meio às gastanças da nossa presidente, a D. Dilma. Duvido que suas contas pessoais estejam no vermelho, igual as do país. Por mais que a situação exigisse, ela tinha que cuidar desse torrão com mais denodo. No ano eleitoral o” rombo” ultrapassou o razoável. Desfaçatez no intuito de vencer eleições, a todo custo, obedecendo a Lula que disse não saberem, seus adversários, do que eles – os petistas e seus aliados – eram capazes para vencer as eleições! E, claro, também escondendo da população a realidade dos números da economia. Mas, pra ela que desconsiderou a Lei de Responsabilidade Fiscal, reguladora dos gastos da administração pública, é fácil: rasga o “manual” e pronto. Isto não é razoável! Quais serão os desdobramentos? Os estados e municípios terão farta munição para exigir isonomia. Voltaremos aos tempos de CAE,
dos “empenhos” de despesas sem cobertura financeira, do descontrole da economia e da perda da credibilidade. Pelo que se comenta, tudo isto ocorreu pela intromissão da nossa presidente nos ministérios. Agora, depois de ter sido eleita e festejado a justa (?) vitória, descumpre promessas de campanha e resolve apertar os cintos – do povão – e isto teria que ser feito de qualquer maneira, trocando peças chaves da equipe econômica por nomes aprovados pelos políticos e economistas. Mas já avisaram: se ela der ”pitacos” equivocados a situação vai piorar. Isto não queremos, nem precisamos. E o superávit primário, previsto na Lei de Diretrizes Fiscais – que vai ser enterrada - que se lasque! A não ser que a oposição consiga virar o jogo! Vai ter show na TV Senado!



Nenhum comentário:

Postar um comentário