Wilalba F. Souza
07dez2.014
Em 1.937 meu pai, o velho Alceu,
ingressou na Polícia Militar, naquele tempo Força Pública do Estado de Minas
Gerais. Dez anos depois eu nasci no Hospital da PM. Após breve passagem pela
ainda pequenina Antônio Dias fomos para Governador Valadares, onde, já
sargento, prestou serviços no “Contingente” e depois no recém instalado 6º BPM,
vindo de Belo Horizonte. Em 1.960, na graduação de 1º sargento,“empurrado” pelo
famoso coronel Pedro Ferreira, com quem tinha trabalhado, foi cursar o CFOA (Curso
para Oficiais da Administração), em BH, levando sua numerosa família. Num verdadeiro
ato de heroísmo, os vencimentos eram parcos, foi declarado aspirante,
sendo classificado em Barbacena, no 9º BPM, onde encerrou sua carreira no posto
de capitão, em 1.967. Todo sacrifício valeu a pena. Velhinho, ele faleceu em
Governador Valadares no ano de 2.010, aos noventa e três anos de idade.
Alceu trabalhou, desde criança, pelas
imediações de Campanhã, região de Belo Horizonte. Ajudou a transportar, em
lombo de burros, produtos horti-fruti-granjeiros para o mercado municipal da
capital que se formava no início do século passado. Onde hoje é o aeroporto
havia muita atividade agrícola, dizia ele. Também foi empregado em açougue até
que, inspirado em um soldado amigo e aconselhado por um sargento, seguiu em
frente, mesmo porque naqueles anos não era muito fácil conseguir trabalho
digno. Por mais que a vida na caserna tenha sido difícil e espinhosa, ele nunca
reclamou, preferindo “tocar a vida”.
Ele, meu pai, ainda estava na ativa,
quando fui para o Curso de Formação de Oficiais, em 1.966. Peguei minhas
coisas, pus numa mala humilde, tendo ele dito, com certo embargo na voz: “-você
não vai agüentar! E ele que conhecia o Departamento de Instrução (Hoje Academia
de Polícia Militar) tinha razão. Quase desisti, não fosse pelos meus colegas de
Barbacena e de Colégio Tiradentes da capital, com quem eu frequentara algumas
séries do 2º grau. – Se eles vão em frente, porque eu também não poderia ir? Se
como PM da ativa fiquei, por apenas um ano com meu pai ao meu lado, nós dois,
na reserva, convivemos por muitos anos, ele que tinha grande consideração ao
seu filho colega de profissão.
E não é que, para minha surpresa, eu que
nunca influenciei filhos para escolher seus caminhos, evidentemente feliz da
vida, vi meu filho Rafael Meneghin de Souza ser convocado, após duro concurso,
para o mesmo desafio experimentado por mim e por seu avô. Eu que o vi sofrer
até se adaptar ao ritmo pesado das exigências acadêmicas e militares,
igualzinho ao que acontecera comigo. Assim que se apresentou para matrícula, me
telefonou e perguntou pelo meu sabre. – Sabre? Eu não tenho sabre, tenho a
espada da minha formatura e que me acompanhou por todos os cantos como oficial!
– É isso mesmo pai! Depois eu a apanho, encerrou.
Bem, dia 26 de novembro eu e minha
família fomos à sua formatura e eu tive a honra de colocar sua platina (ou passadeira) com a estrela
solitária do aspirantado e, mais que isto, entregar-lhe, oficialmente, aquele
sabre, digo, aquela espada que ainda vai ficar na ativa por muitos anos, se
Deus quiser, honrando uma história que começou lá em 1.937. Cá pra nós: é muito
chororó!!!
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