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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

A Divina Comédia

                                    
Wilalba F. Souza                                                                  13/fev/2.015

Dante, atleta que joga na Alemanha e que, na Copa do Mundo, fez parte daquele time que, representando o Brasil, foi goleado por 7 X 1 pela seleção daquele mesmo país, tem reclamado que já não é respeitado, futebolisticamente, após aquela derrocada. Se, antes, atletas das equipes que enfrentavam a sua, viam nele um difícil obstáculo às avançadas dos atacantes, hoje “partem pra cima” com mais segurança, dificultando a atuação do brasileiro que se vê obrigado a trabalhar mais. E os críticos também não o “refrescam” em seus comentários.

Desde 1.958 o futebol brasileiro sempre se impôs pela qualidade de seus jogadores e pela simplicidade. Pelé reinou por anos a fio, mesmo considerando que os europeus, na condição de continente evoluído em todos os sentidos, não conseguia  acompanhar nosso “ritmo”! De tempos para cá começaram as “revoadas” de nossos craques pelo mundo afora. Fomos perdendo nossa identidade. Mal copiadas e adaptadas, as táticas estrangeiras, nos descaracterizaram. Assim fomos nos perdendo num amontoado de aventuras, inclusive econômico-desportivas, que resultaram na involução no esporte, dito bretão. Hoje somos apenas mais um na multidão. À frente, Inglaterra, Alemanha, França, Espanha, Argentina e muitos outros menos votados.

Oito anos antes da realização da “nossa” Copa, Lula e outras autoridades comemoraram “nossa” escolha para sede do grande evento, transformando-a em demanda mais política que esportiva. Vangloriava-se, o corintiano e presidente, que o Brasil emprestava dinheiro para o Fundo Monetário Internacional, promovendo, ao mesmo tempo, gastanças e expanção dos programas sociais eleitoreiros, usando e abusando da Petrobras que descobrira o pré-sal, futura fonte econômica em prol do sistema de ensino. Sobrava energia elétrica, financiava-se obras para os países vizinhos, um maná só! O ex-torneiro mecânico esbanjou e, a despeito das mazelas assistidas em tempos de mensalão, que financiou suas vitórias no Congresso, enfiou-nos goela abaixo sua candidata, D. Dilma, a reboque das benesses sociais e políticas, além de fazer média com bancos e outros setores da economia. Tudo muito bem engendrado, antes das feridas supurarem e causarem dor.

Obras e construções de estádios superfaturados e, diariamente denunciadas pela imprensa, seguiram em frente. Se ficar o bicho pega, se correr o bicho come, ouvíamos por aí, e ainda que o legado daquilo tudo seria enorme para os brasileiros. No fim, com tudo pelas metades e improvisações, veio o torneio mundial. Muita festa e uma seleção humilhada em todos os sentidos, com choradeira que dava pra encher os volumes ditos mortos dos reservatórios de hoje. Imediatamente explodiu a campanha eleitoral. Do futebol sobraram dívidas impagáveis, em cima de desperdícios e desvios. O que deveria servir de alavanca promocional  para a situação, foi abandonado, ainda mais que começaram a ser expostos os desvios da Petrobras. Muita mentira convenceu a maioria de que a continuidade dos gestores seria o melhor para todos, mais ainda para os dependentes dos programas sociais.

E deu no que deu! Nossos dirigentes do futebol, que sempre enfiaram os pés pelas mãos, sonharam e perderam o hexa-campeonato. E todo mundo sabe que títulos encobrem mazelas de administrações esportivas e mesmo as grosserias de governos incompetentes e pífios A CBF sempre soube disto. É uma casa fechada a produzir dinheiros e fazer a alegria de seus dirigentes. É uma fortaleza inexpugnável onde nem a tal de “longa manus” alcança!!! Nosso governo é assim também! Mesmo perdendo, não as eleições, mas a estabilidade econômica, a Petrobras, a Eletrobrás, os Correios, as reservas financeiras, a governabilidade, a credibilidade no exterior e mais uma gama de possibilidades de melhorar a vida do povo. Entretanto, a exemplo da CBF, os dirigentes brasileiros, de modo geral, em todos os sentidos, estão “bem na fita”, e de nada podem reclamar! Basta aumentar os impostos, mexer nas conquistas sociais, manter a alíquota do imposto de renda, alimentar a inflação e apertar os cintos do povo, para se manterem como nababos em seus Palácios, no Congresso e nas Câmara, que “tá tudo certo”.


Aí alguém poderia perguntar, e a Divina Comédia? É um poema, escrito por Dante Alighieri, lá pelos anos 1.300, em três partes: o inferno, o purgatório e o paraíso. Cada uma dividida em trinta e quatro cantos. Assunto próprio para dissecação por eruditos. Não é o meu caso O craquíssimo brasileiro Dante, cujo nome deve ter sido inspirado naquele que teria sido um dos precursores da língua italiana moderna, me levou a tratar de uma tragédia não tão divina assim, que nos persegue e nos incomoda.

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