Wilalba F. Souza
09fev2015
Pois é, esses bandidos não perdoaram São
Tomás de Aquino, uma pequena e pacífica cidade do sul, ou sudoeste mineiro,
perto da divisa de São Paulo. Segundo a imprensa (O Tempo, de ontem), na
madrugada anterior, uns vinte marginais, super-armados, esperaram que dois
policiais militares adentrassem ao seu quartel e, após estacionarem sua viatura,
dispararam suas armas contra o prédio e veículos em frente, num atrevimento que
vem se tornando rotina por aquelas bandas. O que mais se sabe é que a poderosa
quadrilha, ao mesmo tempo, estourou caixas eletrônicos de dois bancos e fugiu
em quatro ou cindo carros, tomando rumo ignorado.
Informações dão conta que a cidade é
sede de um pelotão, sem efetivo e preparo suficientes para reprimir ações desse
porte. Com toda certeza, e a altas horas da noite, o melhor que os PM puderam
fazer foi se proteger das balas, informar
aos superiores e...esperar. Nada mais! Tais registros, que não são novidade,
reforçam nossa convicção de que estamos inferiorizados ante a criminalidade
violenta. Assim, as pequenas localidades se transformaram em alvo fácil para
assaltantes. Literalmente, botam a polícia para correr, isto quando não
conseguem acuá-la em seus quartéis, até que seus saques sejam perpetrados.
Interessante é que, há uns dois meses,
coincidentemente, depois de ouvir forte explosão, o pessoal de serviço lá mesmo
em São Tomás ,
desconfiado de que poderia ser ataque a banco, e conhecedor do perigo que isto
representa para ele, se protegeu e pediu reforço da sede da companhia, que fica
em São Sebastião
do Paraíso. Tarde da noite, como sempre, o comandante do policiamento reuniu
duas ou três viaturas e foi em socorro dos companheiros, correndo o risco de lá
chegar e deparar com grande número de marginais dispostos a tudo, com seu
armamento pesado. Felizmente, para o reforço, o tal “estouro” deve ter partido
de algum rojão mais forte, sem maior conseqüência que não o incômodo do
deslocamento relatado.
Essa prática criminosa está se
disseminado com uma velocidade muito grande pelo país inteiro. Vez por outra
conseguem prender algumas quadrilhas. Só que, pelas facilidades criadas pela
própria fragilidade dos estados e suas políticas de segurança pública, esses
criminosos crescem como “tiriricas” e conseguem aterrorizar as pequenas
populações. Diminutos efetivos mal dão conta das demandas locais e, nem de
longe, poderiam contrapor esse nível de ação marginal. Não são um, ou dois “Guardas
Belo” quaisquer, iguais àquele das revistas em quadrinhos, que vão “encarar” esse
tipo de criminalidade! Ao mesmo tempo, me ocorre comentário feito por um
cidadão, sobre o assunto, em que ele afirma que, nesses ataques, as perdas dos
bancos são relativamente pequenas e cobertas por seguro, sendo desinteressante,
economicamente, investir em novas tecnologias.
Enquanto as dinamites explodem
rotineiramente, pessoas inocentes, ou não, vão morrendo nos fogos cruzados.
Hoje mesmo noticiaram o falecimento de uma garota exatamente numa ação similar em São Paulo. No início
do ano, os governadores Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais se reuniram
para discutir sobre os problemas de segurança pública. Concluíram que há
necessidade de suas forças policiais se unirem para combater a criminalidade em
seu “trança, trança” pelas divisas, em périplo criminoso incessante e
lucrativo. Só que, até agora, a despeito da grande projeção que conseguiram
tais autoridades pelas mídias, tudo ficou por aí mesmo. E segue mais uma ação
criminosa violenta no caminho da banalização. Enquanto isto as forças
policiais, insuficientes e isoladas, vão perdendo a confiança da população que
fica perdida no “mato sem cachorro”. Isto, do ponto de vista do usuário público
é gravíssimo, impensável até!
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