Conheço o carnaval de Barbacena desde os antigos desfiles das simplórias escolas de samba e blocos que se mostravam, com muita alegria, pela rua XV. Não havia bagunça, a Praça dos Andradas servia de enorme salão para o povo onde não se registrava um mínimo de problema ou bagunça, a não ser por um ou outro folião meio descalibrado pela felicidade e... por umas doses a mais. Depois da meia noite, quem podia participava dos bailes do Olimpic, Andaraí ou Automóvel, clubes que organizavam excelentes folias.
O tempo foi passando e, só mais tarde, percebemos o quanto as coisas e nossa cultura mudam, como dizem os pernambucanos, muitas vezes a muque, quer dizer, à força! Os ajuntamentos no centro da cidade começaram a perturbar não se sabe a quem. Mesmo entendendo que com aumento populacional fica cada vez mais difícil manter o conforto e o controle das pessoas, ao longo dos anos não constatei esforço das autoridades na qualificação dos carnavalescos. Preferiram a comodidade, isolando aquela área.
Depois o evento foi levado para a Praça da Estação, continuando os desfiles de carros alegóricos e blocos pela Rua Olegário Maciel, conhecida pela existência de casas comerciais específicas, com poucas moradias residenciais. Tudo indica que a medida foi o início do fim do carnaval para quem gostava de levar seus filhos. Transformou-se, o local, em um reduto de quadrilheiros da periferia que iam lá para brigar. E a própria polícia se preparava mais para esse “combate”. O nível caiu demais e o noticiário das páginas policiais aumentou.
Anos após, transferiram a festa para a entrada mais movimentada de Barbacena, que é a Avenida Governador Bias Fortes. Sem estrutura para atendimento ao público, há algum tempo é base do acontecimento momesco, como se dizia nos “antigamentes”. E claro que nada parecido com as bonitas festas do centro, da antiga Rua XV, melhor frequentada por quem queria “brincar”. Além das brigas, muitos baderneiros subiam em terrenos baldios e lançavam pedras em cima do público. E os embates de quadrilhas continuaram. Pra piorar, era comum o trânsito de veículos pelo bairro Pontilhão se complicar, tendo em vista a parafernália que lá se instalava.
Este ano deverá haver, se os moradores de lá deixarem, nova mudança. Desta vez para a frente da Igreja de Santo Antônio, no bairro do mesmo nome. O pessoal está se revoltando contra o prefeito e o padre. Toninho Andrada e o pároco Eudes, parece, não estão sensíveis ao problema. Batem o pé para que “o povo” não seja prejudicado e sem carnaval! Reuniões daqui e dali, e quem lá reside está prometendo represálias, até contra a estátua de Eudes, homenageado, vejam só, em vida! Aí, já viram: quem vai pagar “o pato” é a polícia. E a gente pergunta: prejudicado que povo? Aquele pessoal que vai a esses eventos só pra brigar? Os moleques que já estão se programando para “tomar conta do pedaço”? Sinceramente, não acho justo!!!
É preciso que alguém sensibilize essas autoridades para o fato, e que as conscientizem de que festas naquele local só fazem barulho, e de montão, segundo reclamações de cidadãos que têm de conviver com o excesso de decibéis de lá emanados, junto com os “batidões”, regados a bebida alcoólica e participação de menores desacompanhados, onde o que menos se procura são as bênçãos do santo mais popular da fé católica! Enfim, não podem transformar um pacato bairro em depósito de rejeitos do barulho dessas festividades pagãs, garantidos por quem devia cuidar do bem estar geral. Afinal, autoridades, o que os barbacenenses querem é que Vossas Excelências mantenham abertas suas mentes! Ah!!! E as portas do templo também!
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