Wilalba
F. Souza
22/04/16
Quando negligenciamos, mesmo que
inadvertidamente, situações que poderão nos legar reação negativa em cadeia,
para reverter o quadro, se isto ainda for possível, o esforço despendido poderá
nos levar à impotência ou à saturação. Basta ter acompanhado a seção da Câmara
dos Deputados para decidir a admissibilidade de a presidente Dilma ser
“impitimada”, e depois, no senado, ser, ou não, confirmado seu impedimento via
processo complexo, demorado, que implica interesses de todos os tipos, dando
tempo ao agravamento da doença.
Definitivamente, está tudo muito, muito
complicado. O país experimenta uma convulsão política que puxa sua economia
para o buraco. Os números dos índices de desemprego são altíssimos e, a bem da
verdade a, nau está sem timoneiro. E já faz tempo. Estados e municípios sofrem
com a baixa arrecadação e omissão de repasses federais, provocando falta de
recursos destinados à saúde e a tudo mais. Não é uma crisezinha, uma
“marolinha” qualquer. É um assunto que deverá ser muito bem cuidado depois de
passado esse tsunami, que deixará vítimas aos montões.
Como já disse, isto leva tempo e exige
paciência de Jô! Enquanto isto, o barco vai adernando. A presidente, acuada, sem
apoio popular ou mesmo político, não desembarca. Foi eleita pelo voto, a alto
preço, faz péssima administração e se julga no direito de, ela mesmo, acabar de
por o navio a pique. Agora ela está no exterior, fazendo um discurso na Sede
das Nações Unidas, pra uma finalidade só. Não iria, mas resolveu faze-lo pra
denunciar o “ golpe”.
Em Minas, ontem, 21 de abril, e nas
solenidades do Dia da Inconfidência, em Ouro Preto, uns 80 policiais militares
– me parece que a maioria da reserva – e liderados pelo deputado Rodrigues, um
ex-sargento, queriam adentrar a uma área não delimitada para a platéia e foram
reprimidos pelos próprios colegas. A alegação é que iriam fazer uma
manifestação, ora, ora, contra o parcelamento de salários. Esse senhor
Rodrigues não tem jeito. Criar um problema desses, que constrange os PM que
ainda se ruborizam com esse tipo de comportamento, simplesmente para usar o
espaço como palanque, é, realmente, um impropério...
Além de não concordarmos com tal tipo de
manifestação, seja o governador de qualquer partido, insisto em dizer que esse
não é o papel de uma Corporação que detém uma das mais belas histórias de nosso
país. Não é função razoável pra quem, constitucionalmente, tem, sim, o dever
de, mesmo com sacrifício, levar a cabo sua missão de proteger a população. Esse
deputado está querendo transformar – e consegue – nossos companheiros,
reformados, reservistas e mesmo da ativa, em grupos parecidos com os movimentos
mantidos pelo governo de esquerda que, se por um lado, têm seus objetivos de
cunho social, por outro são liderados por pessoas aquinhoadas, tipo Stédile,
que autoriza, com os “Rainha” da vida, invasões e destruição de patrimônios particular
e público.
Como sempre, conclamamos os nossos
colegas da reserva que não entrem na conversa desse deputado que, parece, nunca
teve responsabilidade com o futuro da Polícia Militar e tão somente pretende
preservar seus ternos bem cortados e seus cabelos engomados. Mesmo porque,
pergunto, o que ele fez pelo pessoal que o acompanha? Seus objetivos estão
centrados nos homens e mulheres da ativa!
Senão nos lembremos do tal abono de resultados. Cadê ele? No mais, agilizou legislação para
que milhares de PM fossem para a reserva ainda muito novos e com todos os
direitos, prejudicando a Polícia Militar que não tem efetivo para melhor
atender à população, agravando nossa situação previdenciária, em total
discrepância com o mundo de hoje. Nome disto: irresponsável institucional e sanha
populista.
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