Juventude Transviada
Wilalba
F. Souza 26/04/16
Sem
querer ser saudosista, mas já o sendo, busco no tempo quando, muito
garoto, lá pelos meados da década de cinqüenta do século passado,
e morando na jovem cidade de Governador Valadares, algumas vezes meu
irmão, saudoso e rebelde Milane, um pouco mais velho que eu, me
levava com ele pra nadar na Praça de Esportes da cidade, mandada
construir pelo Governador Juscelino Kubistcheck de Oliveira,
integrando um conjunto desportivo para uso popular. E essa obra está
lá, até hoje, servindo aos propósitos para a qual foi destinada.
Idêntico projeto foi executado em Barbacena, mas entregue
graciosamente ao uso da Escola Preparatória da Aeronáutica que
levou, junto, extensa área central desta terrinha. Uma pena.
Milane,
um adolescente bastante agitado e participativo, se adiantava a
muitos meninos de sua idade, ligado nas coisas e novidades do
pós-guerra. Além de roupas da época, como calças jeans, camisa
com gola levantada e botinhas, cultivava um topete à James Dean,
ator meio revoltado da famosa troupe holywoodiana, em mistura de
estilo com Elvis Presley, roqueiro que enchia os cinemas em todas as
seções. E não é que, certa feita, o “mano” me convidou, ou me
carregou, para ir ao Cine Palácio ver um filme protagonizado por um
dos cantores/atores que ele mais admirava. Era uma historinha tipo
“água com açúcar”, mais um musical, estrelado por Pat Boone,
comportado artista evangélico, mais chegado às baladas românticas
de estilo limpo. Tipo de filho que toda mamãe gostaria de ter,
diriam hoje!
Espécie
de divisor de águas no cinema pós guerra, também assisti ao filme
“Juventude Transviada”, estrelado pelo irrequieto e explosivo
ator James Dean, acompanhado por astros a despontar, como Natalie
Wood e Sal Míneo, que fizeram sucesso posteriormente em películas
de repercussão mundial. Natalie tem uma filmografia bem extensa e,
de Sal Mineo, lembro de sua participação em “Assim Caminha a
Humanidade”, enredo de guerra, sucesso excepcional. Curiosamente os
três faleceram ainda muito jovens. James Dean em acidente de carro
provocado por ele, que dirigia em altíssima velocidade no ano de
1.955; Natalie Wood morreu em circunstâncias nunca apuradas, durante
um passeio de barco, de onde teria caído, se afogando. Sal Míneo
foi assassinado, a facada, perto de sua casa, em fevereiro de 1.976.
Meu irmão Milane, embora tenha vivido bem mais tempo que esses seus
ídolos, sempre teve comportamento rebelde, até seus últimos dias.
Nunca se submeteu às regras, horários e exigências disciplinares.
Assim
é que, dia desses, depois de meu irmão mais novo, Valuce, ter feito
alusões ao falecido “mano” rebelde da família, me ocorreu
relembrar suas estrepolias de adolescente na “Princesa do Vale do
Rio Doce” dos anos cinqüenta, quando participava das corridas
urbanas de bicicletas e das gincanas no “ringue de patinação”
existente no centro da cidade. Quem segurasse o leitão cheio de
graxa ganhava um prêmio. Pra completar minhas reminiscências, em
relação àquela época, veio-me à mente as cenas de Pat Boone
entoando suas canções, uma delas a balada, ou rock/ balada,
Bernardine. Me perguntei: se essa turma acima já se foi, inclusive o
ícone Elvis Presley, que foi feito de Boone?
Corri
para o Google. Lá achei o Boone, aos oitenta e um anos, ainda em
atividade, com uma história bonita e produtiva, pelos Estados
Unidos. Não sei quais os motivos levaram ao seu “desaparecimento”,
principalmente no Brasil. Não creio que seja pelo fato de ele sempre
se apresentar como bom menino, sem rebeldia, bom chefe de família e
de origem evangélica, fator comum a muitos de seus contemporâneos.
O mesmo acontece com Johnny Mathis, admirável cantor surgido na
década de 60, meados do século vinte. Pude rever, satisfeito,
pedaços de um filme em que Pat canta “Bernardine”. Excelente!
Recomendo, como boa viagem aos bons tempos, e a bem da cultura, que
procurem o “Juventude Transviada” e a “Bernardine” e os
curtam. Vale a pena. Aproveito para agradecer ao meu irmão, já
falecido, Milane, e que Deus o tenha, por esse meu encaminhamento, de
sua exclusiva responsabilidade e que faz parte do meu aprendizado
cultural.
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